terça-feira, 22 de março de 2016

REINALDO CAMPELLO


1981 - Das arquibancadas, pela televisão ou nos jornais poucos o conhecem. Mas, nos boxes ou nos bastidores da Stock Cars, não há quem não identifique esse piloto paulista de 36 anos chamado Reinaldo Campello de Luca, o agitador.

Irreverente, crítico, gozador, catimbeiro dentro e fora das pistas, Campello criou uma imagem ao estilo de sua personalidade. Controvertido, já partiu para briga, ao sair no tapa com outro piloto para resolver uma pendenga de corrida, como também não são poucas as vezes em que ajudou alguns adversários no acerto de seus carros.

Não faz cerimônia ao criticar qualquer concorrente, aos quais chama de amigos. Define-os tecnicamente com sinceridade e sem rodeios.

"Vou falar só daqueles que andam na frente, dos que já ganharam corridas de Stock Cars. Paulo Gomes: O Paulão é ótimo, é o piloto de mais garra desta categoria. Ingo Hoffmann: O Alemão é rápido, mas atualmente está correndo só para marcar pontos, não está saindo pra briga. Zeca Giaffone: poderia dizer que é técnico, embora não aprove a sua "fobia" de andar no bolo. Affonso Giaffone: só está fazendo corrida para o irmão. Devia é passar para chefe de equipe. Alencar Júnior: eu gosto desse goiano, mas falta-lhe arrojo nas ultrapassagens. Marcos Troncon: muito técnico, porém deve-se dedicar só à Stock cars e não a tantas categorias como vinha fazendo. Eu?: Acho Campello arrojado e sei que faço tremer quem está a meu lado disputando posições no bolo. Mas sou leal e, embora a concorrência não queira admitir, também sou técnico."

Falar de si, como piloto ou cidadão bem situado na vida, desperta toda sua loquacidade. Não esconde que, além de um contrato de 12 milhões de cruzeiros anuais como profissional, também tem bens imóveis e, só de uma mansão alugada no bairro do Morumbi, em São Paulo, recebe um aluguel de 210 mil cruzeiros mensais.

"Rico? Nem tanto. Levo a vida que gosto e tenho dinheiro necessário para vivê-la. Sigo o slogan do meu patrocinador, a vodka Smirnoff: "Você é o que você vive".

Um tanto elitista, em se tratando de automobilismo, Campello defende uma triagem. Acha que há muitos pilotos e excesso de categorias. Por ele, existiram apenas duas modalidades: uma de Turismo e outra de Fórmula. Mas ambas fortes. É sua, aliás, a opinião de que o povo quer ver apenas carros velozes e pilotos consagrados competindo, sempre acima de 140 Km/h.




"Não temos mais de 80 botas neste país. O resto são pára-quedistas que disputam corridas por diletantismo. Seria bom dividi-los em duas categorias e o resto "que vá andar de bicicleta".

Sustenta essa tese porque acredita que a racionalização atrairia melhores patrocinadores, exemplificando com os ótimos financiadores conquistados pela Stock Cars.

Provocações são aceitas de imediato por Campello. Basta considerá-lo velho, aos 36 anos, dentro do ofício, para responder que é praticante do jogging, correndo três vezes por semana a distância de 8 Km, no campo de pólo da Hípica Paulista. E conta outras proezas, como a de ter vencido Ingo Hoffmann numa corrida-desafio realizada no circuito do Rio de Janeiro.

Para os demais pilotos, Campello é o maior reclamador da Stock Cars.

"Mentira, garante. Eu só protesto com razão".

Mas foi por um recurso seu que os irmãos Zeca e Affonso Giaffone passaram da primeira à última fila numa corrida disputada em Interlagos, no início da temporada. Catimbeiro, confunde os demais pilotos dentro de uma prova fazendo sinais e micagens dentro do carro para distrair suas atenções. Não se faz de rogado ao afirmar que tem liderança dentro da Stock Cars, socorrendo-se do argumento de ter sido eleito pela unanimidade de uma assembléia de 23 pilotos para ser representante da categoria junto à Confederação de Automobilismo.

Mas modéstia não é mesmo de seu feitio, pois, sem o mínimo constrangimento, garante que será o campeão e dá, na ordem, os candidatos ao título: Primeiro, Eu; 2º Zeca Giaffone; 3º Affonso Giaffone; 4º Ingo Hoffmann; e 5º o Paulão.

"Venci em Guaporé e vou em frente. Podem falar à vontade, dou a resposta dentro da pista. Posso ser Campello, o agitador, mas podem se habituar a me chamar também de campeão".



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