sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

INTERLAGOS NO VW DIVISÃO 3 DE RICARDO MOGAMES



1982 - Uma volta em Interlagos com o Divisão 3 de Ricardo Mogames, o atual líder do campeonato. A primeira impressão que se tem desse automóvel é de que ele é muito bem preparado, com um painel muito completo e funcional e com seu motor de 1.600 cm³, esbanjando torque.

De fato, já nas rotações mais baixas, ele responde cheio e sem titubear. A 5.000 RPM esse motor já está próximo ao seu ponto de máximo torque, mas sua potência máxima chega aos 7.600 giros. Ou seja, para um motor de competição desse tipo, refrigerado a ar, ele é bastante elástico.

As relações de marcha são longas, todas as marchas podem ser bem esticadas. Para compensar isso, ele usa uma quarta marcha bem curta, relação 1,12:1 com diferencial 9X31. Assim, cada vez que se muda uma marcha, dá a impressão ao espectador, que a embreagem está patinando, pois o ruído do motor permanece quase no mesmo tom.

O trambulador é de fácil manuseio, permitindo mudanças rápidas.


As Curvas 1 e 2, de alta velocidade, podem ser feitas em quarta marcha, mas não de pé no fundo, pois o carrinho chega na primeira delas muito forte, quase em velocidade máxima (7.000 RPM).

É preciso dar uma aliviada no acelerador, nos 50 metros, para depois ir acelerando progressivamente, até entrar no Retão, a pleno acelerador. O Fusquinha, ele não deixa de ser um Fusquinha, se torce todo, mas vai firme.

No fim da Reta, cerca de 900 metros depois é preciso aliviar novamente o acelerador e frear decididamente na marca dos 50 metros. De novo no acelerador, entramos na Curva Quatro de pé no fundo. O carro quase sobe na zebra, sempre em quarta marcha. 

Alguns pilotos, dependendo da relação de marchas, preferem engrenar uma terceira marcha, para fazer as Curva 3 e 4. Eu acho, porém, que se o motor estiver bem "cheio" como o do carro do Mogames, vale mais a pena ficar em quarta, pois isso economiza duas cambiadas e dá um pouco mais de sossego para o motor.

Na Ferradura, entra-se a pleno acelerador na primeira quebrada e freia-se forte na segunda, reduzindo direto da quarta para a segunda marcha. Os freios param bem, mas o carro treme bastante, antes de a sua frente aceitar o nosso comando, puxando-a para a esquerda.


Na saida da Ferradura esticamos a segunda, colocamos a terceira e rapidamente a quarta marcha, para entramos na Curva do Lago bem forte. Ali, no centro geométrico da curva, reduzimos novamente para terceira e assim subimos a Reta Oposta, até a arvorezinha, onde engrenamos novamente a quarta marcha.

O bólido já esta a quase 7.000 RPM novamente, na entrada da Curva do Sol.

Aí, é preciso dar uma maneirada no acelerador até um certo ponto e, daí para a frente pode-se pisar a fundo novamente. Mas é uma briga, pois, afinal de contas, o fusquinha não foi feito para isso.

O dr Ferdinand Porsche, provavelmente, jamais poderia supor que um filho seu, no futuro, conseguiria fazer uma curva nessa velocidade ...

Chegamos no Sargento e, após uma forte freada acompanhada de punta-tacco e dupla-debreagem, que os pedais originais do carro permitem sem maiores problemas, reduzimos de quarta diretamente para a segunda marcha.

Aceleramos forte a partir do centro geométrico da curva e a traseira tira uma fina da zebra, enquanto o carro começa a endireitar para entrar na Curva do Laranja. Aí, novamente a terceira marcha, esticada até a Curva do S, onde voltamos para a segunda marcha.

Vencemos esta curva e a próxima, a do Pinheirinho, maneirando o acelerador e esticamos a segunda até o Bico de Pato. Aqui, experimentamos engrenar uma primeira marcha, usando-a só um pouquinho, para sair forte.

Nas voltas seguintes tentamos fazer essa curva em segunda e, na verdade, com as relações usadas por Ricardo Mogames ficamos em dúvida se é necessário ou não apelar para a primeira marcha, porque o motor limpa bem depressa, apesar do comando brabo que utiliza.


A Curva da Junção é aquela curva chata, de que ninguém gosta, porque tem o relevé virado para fora e joga o carro para cima do guard-rail na saída.

Além disso, vive cheia de areia, trazida pela drenagem insuficiente da água da chuva. Mesmo assim, em segunda marcha, o Fusquinha sai forte, com os pneus da Pneubrás fazendo milagres para conservá-lo na trajetória desejada.

Esticamos a segunda, depois a terceira marcha, em seguida a quarta e passamos velozmente em frente aos boxes, chegando novamente na Curva Um.

Mas o que é bom não dura muito, porque, quando entramos no miolo e vamos acelerar para valer, um súbito ruído surge na transmissão e somos obrigados a parar, afinal, é muito cavalo naquele motor para pouco automóvel ...





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