sexta-feira, 12 de maio de 2017

ALFREDO GUARANA MENEZES JUNIOR - PARTE 1



Uma carona dada ao irmão Sergio até o Kartódromo de Interlagos, aos 17 anos, foi o início da longa ligação entre um jovem nascido em Belo Horizonte, no dia 5 de agosto de 1952, e o automobilismo.

Até esse dia, Alfredo Guaraná Menezes Júnior nunca tinha dado maiores atenções que qualquer outro rapaz de sua idade ao esporte que, anos mais tarde, iria se tornar a sua profissão.

Filho de uma família da classe média, Guaraná levava uma vida extremamente normal, frequentando festinhas, namorando e jogando sua peladinha no clube aonde os amigos iam.

Mas, nesse dia, seu irmão já se preparava para a segunda aula da Escola de Karts de Carol Figueiredo, e Alfredo concordou com a carona pedida pelo irmão Sergio.

Na pista, Carol fez o convite para uma voltinha, e Guaraná gostou. Foi aceito na turma mesmo depois das aulas iniciadas e logo tornou-se o melhor aluno.

Terminou o curso, arranjou um kart emprestado no primeiro domingo e foi para Interlagos, mas a pista estava fechada e não pôde andar. Então, Guaraná fez um circuito na Marginal de Pinheiros com pneus velhos, onde aconteceu seu primeiro acidente.

Outros kartistas chegaram e, como não sabiam detalhes do circuito, um entrou no sentido inverso, chocando-se de frente com Alfredo e quebrando a perna.

No início de 1970, Alfredo e Sergio juntaram sua economias e compraram um kart-mini na loja de Carol Figueiredo, mas, antes mesmo de chegar à pista, o kart caiu da capota do Volkswagen dos dois irmãos e ficou bastante empenado.

Carol deu um jeito superficial e estava resolvido o problema. Com esse chassi, Alfredo venceu oito corridas na classe Estreante e Novatos, ao fim das quais verificou que o chassi estava bastante empenado, consequência ainda da queda do teto do carro.

Passando a PC piloto de competição, Guaraná entrava diariamente no kartódromo ás sete horas da manhã e sai às cinco da tarde.

Como PC, onde a disputa já era mais intensa, ainda conseguiu quatro vitórias, passando a POC Piloto Oficial de Competição no início de 1972, quando o melhor resultado foi um quarto lugar.

Mas nessa época suas atenções já estavam integralmente voltadas para o autódromo de Interlagos, onde já fizera suas primeiras corridas...

Do kartódromo para o autódromo


A estréia foi em um domingo normal, para o qual não tomou nenhuma medida especial. Já tinha alguns conhecimentos adquiridos na Escola de Pilotagem de Expedito Marazzi, e seu VW já tinha um motor com 1600 cc e uma dupla carburação Solex 32. 

Sem conhecer ninguém na AUTOZOOM, ainda conseguiu lá um "Santo Antonio". As rodas tinham seis polegadas, mas os pneus eram os velhos Pirelli Cinturatto, enquanto alguns adversários já usavam os importados de competição.

Iniciada a corrida, Guaraná chegou a andar no quarto lugar, mas a temperatura do motor foi aos 140 graus e ele teve que diminuir o ritmo, chegando em oitavo. Ao chegar em casa, o domingo fora normal, ninguém sabia nada da corrida e ele não contou.

Mas na AUTOZOOM o ambiente já estava feito. Roberto Simão logo se transformou em um dos maiores amigos de Guaraná, e foi fundada a Equipe Autozoom.

Para o Torneio Sul Americano, o Volkswagen de Guaraná já contava com um novo motor, especialmente preparado para competições, radiadores de óleo extra, cárter seco, etc. Só não tinha os pneus importados, iguais aos de José Maldonado, com quem disputou as quatro provas.

No fim do torneio, contava com duas vitórias e um segundo lugar, o que lhe valeu o vice-campeonato.

A ligação entre Alfredo Guaraná e Roberto Simão se estreitou muito, pois, além de correr pela AUTOZOOM, Guaraná dedicou o seu trabalho à oficina de forma muito ampla, chegando até à pintura de paredes quando isso se tornou necessário.

Mas sua posição de piloto da Autozoom ficou bem definida em 1972, quando participou do Campeonato Brasileiro de Divisão 3 e conquistou o terceiro lugar para a equipe, vencido apenas por Leonel Friedrich e Lino Reginatto, ambos do Rio Grande do Sul.

Seu carro, nesse ano, em pouco lembrava o das primeiras corridas em Interlagos. A carroceria já era bastante aliviada, usava pneus importados e carburadores WEBER de duplo corpo com 48 milímetros de diâmetro, e ninguém poderia supor que era aquele mesmo carro de rua que foi um dia a Interlagos a fim de permitir a seu dono avaliar sua qualidades como piloto.

Nesse ano, Alfredo Guaraná abandonou os estudos para se dedicar exclusivamente às corridas, depois de terminar o Científico.

Um dos seus grandes adversários nessa época foi Edson Yoshikuma, que vencia todas as provas em Interlagos com o Volkswagen da Equipe Gledson/Amador. Mas Edson Yoshikuma só corria em Interlagos, e praticamente não participou do Campeonato Brasileiro.

Mas na pista de São Paulo, Yoshikuma era uma das diferenças de todos que corriam com carros da Classe A.


Convite para a Europa


Nos últimos meses de 1972 foi realizada no Brasil, em Interlagos, uma Temporada de Fórmula 2, que teve como preliminar um torneio para carros da Divisão 3.

Nessa época, a AUTOZOOM já contava com dois carros, o segundo para um piloto revelado pelos Festivais de Estreantes e Novatos, promovidos por Agnaldo de Góis.

Luis Antônio Siqueira Veiga, o "Teleco", que juntamente com Julio Caio de Azevedo Marques e Ingo Hoffmann, se firmaram como jovem valores.

Os resultados da equipe não foram os esperados, ficando Luis Antônio "Teleco" em terceiro e Alfredo Guaraná em quinto, no cômputo final do torneio.

Mas mesmo assim, os dois pilotos despertaram o interesse do italiano Sandro Angelleri, que era na época o team-manager do Arnold Racing Team que contava com dois MARCH, para Clay Regazzoni e José Dolhem

Sandro Angelleri resolveu então organizar uma equipe de Fórmula 3 com Alfredo Guaraná, "Teleco" e Waltinho Travaglini, um dos maiores pilotos de kart que o Brasil já teve. Mas nenhum deles conseguiu patrocínio, e a solução foi vender tudo.

Mas neste ponto, Waltinho já estava fora, desistindo da aventura. Restaram então, Alfredo Guaraná e Teleco, mas, na hora de embarcar, só estava Teleco.

Guaraná, considerando-se ainda sem a experiência necessária para enfrentar a guerra da Fórmula 3, resolveu permanecer no Brasil mais alguns anos. Nessa época, Guaraná estava com 21 anos, e ainda teria bastante tempo para se firmar como piloto antes de pensar em termos internacionais.

Mas, no arroubo inicial de correr na Fórmula 3, já havia vendido o apartamento em Santos, carro de corrida, tudo enfim.

Em consequência disso, 1973 foi um ano inexpressivo para ele. Até arrumar tudo e achar quem ocupasse a vaga deixada pelo bom preparador e amigo Roberto Simão, que havia viajado para a Inglaterra junto com "Teleco" e que também o ajudava financeiramente.

Sua única alegria foi vencer a prova de inauguração do Autódromo de Cascavel.

Está corrida tem uma estória: Guaraná foi para a corrida levando um mecânico, um jogo de pneus slick e outro de chuva, e o carro era um MANTA com motor Volkswagen de 2000cc, emprestado pelo amigo Luis Alberto de Casal, também da Equipe Autozoom, e que também emprestou o dinheiro e o carro de rua para a viagem.

Nas provas de classificação, Guaraná estava entre os mais rápidos, mas logo no início, teve um pneu furado e foi obrigado a fazer tempo com três pneus slick e um pneu para chuva.

O melhor tempo coube a Pedro Victor De Lamare, com um Avallone-Chevrolet, com 1m12,8s, enquanto Guaraná ficava com 1m15s. Na primeira bateria, estava em segundo, atrás apenas de Pedro Muffato.

Para a segunda bateria, Muffato teve um problema e entrou nos boxes, perdendo duas voltas e deixando o caminho livre para a vitória do jovem paulista.

A volta final foi sob a ovação das 50 mil pessoas presentes ao autódromo, o que provocou as lágrimas de Alfredo Guaraná por baixo do capacete.

O troféu, com quase meio metro de altura, é um dos mais bonitos entre os que já obteve em sua carreira.

Essa prova valeu também como uma compensação por não ter ido para a Europa, pois, além de levar um troféu que todos sabiam que fora feito para Pedro Muffato, havia conseguido derrotar grandes nomes do automobilismo nacional, como Chiquinho Lameirão, que corria com o POLAR de 2000cc, Jan Balder, Antonio Carlos Avallone e Pedro Victor De Lamare.



CONTINUAÇÃO NA SEGUNDA PARTE: A MAIOR CORRIDA...






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