sábado, 20 de maio de 2017

ALFREDO GUARANÁ MENEZES JUNIOR - PARTE 2



A Maior Corrida


No fim de 1973, Roberto Simão voltou da Europa, onde fizera estágios em várias firmas de desenvolvimento de motores.

E uma das suas primeiras frases foi que aqui no Brasil este setor estava longe da perfeição.

Ele iria fazer dois carros para vencer a XI Mil Milhas Brasileiras, que seria disputada na madrugada do dia 8 de dezembro.

Os carros foram feitos e as duplas definidas: em um carro estavam Alfredo Guaraná e Luigi Giobbi e no outro "Teleco", recém chegado da Europa, e Alfredo Menezes de Mattos, que ficara em seu lugar na Equipe Autozoom, tornando-se então amigo de Guaraná.

Nos treinos, Alfredo Guaraná sentiu que seu carro estava perfeito e nada precisava ser feito para acertá-lo. Na classificação conseguiu o quarto tempo, largando na segunda fila por dentro.

Abaixada a bandeira, passou em quarto na primeira volta, atrás de Pedro Victor De Lamare, Luis Landi e Bob Sharp. O seu carro fora inteiramente desmontado e refeito e o motor era um foguete, possibilitando a Guaraná se manter entre os primeiros colocados.

Mas a tática de corrida era prudente, e na segunda passagem, estava na sétima posição, enquanto Robertinho sinalizava para que diminuísse ainda mais o ritmo. Sua maior preocupação era com o carro de Ingo Hoffmann e Alex Dias Ribeiro, a quem considerava os maiores adversários na Classe A.

Mas o carro era mesmo o melhor Divisão 3 que Guaraná já havido guiado, e tinha em Luigi Giobbi um parceiro perfeito, que mantinha um ritmo forte sem desgastar excessivamente o equipamento.

Mas mesmo assim, Robertinho achava que eles estavam forçando, e por isso surgiu uma pequena discussão entre os pilotos e o chefe de equipe, que nada teve de animosidade mas que logo os boatos em Interlagos tomaram como um possível início de crise na AUTOZOOM.

Um dos lances mais interessantes dessa prova aconteceu durante a madrugada. Alfredo Guaraná descia a reta, limitando o giro do motor a 5000 rotações e descansando, com a cabeça apoiada no "Santo Antonio". De repente, o motor morreu, mas o cansaço era tanto que Guaraná nem se assustou. Limitou-se a achar que havia algum problema elétrico e deu um tapa na bateria, o que fez o motor voltar a funcionar.

Também no meio da madrugada, Guaraná ultrapassou o Maverick de Bird Clemente, que liderava desde a quarta volta, assumindo a liderança por cerca de 30 voltas.

Na manhã da corrida, houve o verdadeiro espetáculo de Alfredo Guaraná. Seu carro estava em quarto na geral e liderava folgadamente a Classe A, quando uma pedra rompeu seu pára-brisas, enchendo a pedaleira de cacos de vidro. Aos poucos, os pedais foram se travando, e ele tinha dificuldade de acionar a embreagem, pressionando-a e soltando-a a cada mudança de marcha. Assim em breve já não tinha mais embreagem, e o pedal de freio também travava, tudo isso aliado ao profundo corte que sofreu debaixo do olho direito na quebra do vidro.

Mas Guaraná continuou a andar no limite, e conseguiu passar pelo Opala de Bob Sharp e Jan Balder e pelo Maverick de Camilo Christófaro e Eduardo Celidônio, voltando ao segundo lugar.

Porém a falta de freios dificultava muito a condução do carro, e uma rodada na Curva da Ferradura não pôde ser evitada, caindo então para a quinta colocação, na qual chegou ao fim, com duas voltas a menos que o segundo colocado e quatro a mais que o sexto.

Depois da corrida Robertinho e toda a equipe carregaram-no nos ombros, enquanto ele dizia que aquela havia sido uma vitória não sua, mas de Roberto Simão. Com este desempenho Alfredo Guaraná Menezes conquistou posição de destaque entre os pilotos brasileiros.


A Super Vê


Todo esse prestígio serviu para que, em 1974, fosse convidado a integrar a Equipe Gledson/Amador, já que não havia patrocínio para a AUTOZOOM.

Nessa equipe, Alfredo Guaraná passou a receber salários de Cr$ 3 mil por mês, para ser apenas o piloto, e seu companheiro de equipe era Fabio Sotto Mayor.

Foi nessa época que nasceu a rivalidade com Ingo Hoffmann, já que os dois dominavam as corridas de Divisão 3, apesar das vitórias irem quase sempre para Ingo Hoffmann, enquanto Guaraná ficava com os segundos lugares.

Brigando contra a Brasília de Ingo, com câmbio de cinco marchas, seu Volkswagen de quatro marchas levava desvantagem.

O fim do ano mostrou Ingo Hoffmann campeão e Alfredo Guaraná vice, depois das muitas lutas durante o ano inteiro.

Ingo, por sua vez, já se iniciara na categoria de monopostos Super Vê, enquanto Guaraná permanecia só na Divisão 3. Mas a situação logo mudou.

Antes da prova de encerramento do Campeonato Brasileiro, Eduardo Celidônio, então único piloto da Equipe Marcas Famosas na categoria, sugeriu que Guaraná fosse convidado para fazer um teste nessa última etapa, e foi tudo acertado.

Nessa prova de experiência, Alfredo Guaraná mostrou que ninguém poderia pensar em vencer sem se preocupar muito com ele.

O seu tempo na classificação foi o quarto, 3m 5s,56.

Na primeira bateria, chegou em segundo, 17 centésimos de segundo atrás do vencedor, Nelson Piquet.

Na segunda bateria, teve problemas e chegou em nono.

Na terceira e última, foi o terceiro, atrás de Ingo Hoffmann e Júlio Caio, conseguindo a quarta colocação na final, à frente de Eduardo Celidônio.

Entrou na equipe, depois de chegar a um acordo quanto à não existência de primeiro piloto e de que os motores fossem entregues a Amador, o que foi aceito.

Na época recebia o salário de Cr$ 10 mil, tornando-se então um dos pilotos mais bem pagos do automobilismo nacional.


CONTINUA NA TERCEIRA PARTE: A Grande Equipe


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