segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

TEMPORADA MUITO COMPETITIVA

Chico Serra


1979 - Quando eu afirmei que não levaria a menor moleza para vencer o Campeonato Inglês de Fórmula 3, muita gente achou que eu estava exagerando. Para eles, minhas performances em 1978 garantiam um domínio quase absoluto da categoria.

Nesta altura do campeonato, com seis provas disputadas, tenho certeza de que quem duvidou da minha afirmação já deve ter mudado de idéia. Nas seis disputas, venci três provas, Silverstone, Snetterton e Donnigton Park, tirei um segundo em Thruxton, um terceiro também lá e um quarto em Silverstone. Todos estes resultados, acreditem ou não, foram conseguidos depois de muito suor no macacão. E olha, que suar debaixo do frio da Inglaterra é coisa muito difícil.

A categoria tem-me surpreendido pelo nível pessoal. Há pilotos de 14 países diferentes e para se apontar um realmente fraco fica até problemático. Mas, tem uma coisa que eu gostaria de dizer. Se dentro da pista tem sido um osso duro de roer, fora dela, o ambiente está completamente diferente.

No ano passado, ninguém conversava com ninguém e o pessoal se mantinha o mais frio e distante possível. Agora não. Parece até outro país.

Todo mundo se transa numa boa e antes de depois das corridas parece até o automobilismo brasileiro: uma gozação geral.

O Andrea Di Cesares, que tem-se mostrado meu maior adversário, é um dos que não perde uma chance para fazer piadas. Como ele sempre anda muito junto de mim, fica sempre me regulando para depois vir me gozar: "Outra errada daquelas vou te passar por fora e dar adeus". Realmente, ele parece outra pessoa. Com o ambiente tão natural, dá até gosto ir para os autódromos, porque ninguém nos olha com ódio nos olhos.

Já fiz muitos testes com o novo modelo asa da MARCH, o 793-C. Desde os primeiros testes, o carro já se mostrou muito mais aderente que o atual modelo. Estou pensando em correr com ele no dia 7 e até a pintura dos meus patrocinadores, a Sadia-Rastro, já foi providenciada. Entretanto, não tenho a mínima pressa em fazê-lo estrear. E, há um bom motivo. O CHEVRON B-47, por exemplo, é uma cópia exata do carro-asa da ARROWS, que o Patrese e o Mass pilotam.

Mas, em seis corridas, o único carro que venceu foi o MARCH 793. Mesmo não sendo um carro-asa ele se mostra mais competitivo que todos os outros. Então, para que mudar ?

Como sou o piloto de teste da MARCH, o pessoal quer que eu corra com o novo carro. Acontece que o Di Cesare não vai me facilitar em nada e se na estréia o carro não andar bem, acho que volto logo na corrida seguinte para o meu atual modelo. O que me interessa é vencer o máximo de corridas para faturar o campeonato. Seja, com que carro for.


quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

FÓRMULA FORD

Bragantini e Troncon


1977 - Artur Bragantini, campeão. Amadeo Ferri, derrotado. Entre os dois,mais do que um simples título de Fórmula-Ford 77. Entre os dois, uma rivalidade que começou com a temporada, veio crescendo a cada corrida e explodiu num acidente em Cascavel.

Ambos tem 30 anos. Um é profissional, dedicado às coisas do automobilismo, em busca de realização dentro das pistas, eis Artur Bragantini. Outro é apaixonado por carros, piloto arrojado e brigador, perseguindo um dos muitos desafios de sua vida, eis Amadeo Ferri.

Amadeo, romano com 20 anos de Brasil, é dono de dois restaurantes e um drive-in, em Porto Alegre, bairro de Ipanema. Falador, extrovertido, é daqueles que nasceu para o esporte: aos 11 anos, patinava de casa para a escola; praticou tênis, basquete, natação, caratê e judô, onde obteve a faixa preta. Como Artur, Amadeo entende de mecânica e faz qualquer sacrifício para correr.

Como se vê, dois esportistas da melhor qualidade, um praticamente profissionalizado, outro investindo na carreira. Em essência, são dois ótimos automobilistas, mas seus estilos são bem diferentes. Bragantini é técnico, Ferri é combativo. Uma dupla perfeita, portanto, para protagonizar o grande duelo da Fórmula Ford.



Amadeo Ferri trabalha em família, até no box. Seu pai, Enrico, que nada entende de carros, fica por lá para dar o necessário apoio moral. Além de contribuir com algum, como diz o próprio piloto. O chefe de equipe é o cunhado Gabriel Nunes. A mulher de Ferri, Elza, também participa dos trabalhos, acumulando várias funções e garantindo presença até na manutenção. Limpa peças, ouve as quiexas do marido, cuida da cronometragem. Enfim, "fico com poucas glórias e muitas broncas".

Amadeo, jeitão italiano, sempre falando e sempre mexendo em alguma coisa, é a grande figura de box. Enquanto o carro está por ali, ele mesmo troca motores, muda relações de marchas, verifica a mistura de gasolina, regula suspensão, alinha o carro. Em qualquer tarefa, sempre toma iniciativa, transformando seu mecânico num ajudante das operações de acerto. No fundo, trata-se de um piloto-operário.

Empolgado pelo mundo das corridas faz de cada bateria, uma batalha, de cada corrida, uma guerra. Vai para treinos e baterias com a postura de quem parte para decidir o título, sem admitir falha ou repouso. Chegou, inclusive, ao requinte de comprar um ônibus, adaptando-o para poder ficar nos autódromos durante todo o período da prova. "Esse ônibus é a minha casa em cada corrida, diz satisfeito. Com ele, vou a Cascavel, Goiânia, Brasília. Ganho tempo e ainda economizo algum dinheiro."

Vê-lo em ação é uma experiência diferente. Ferri não tem nada em comum com um piloto profissional. Se alguma coisa complica, durante os treinos, pára no box e desce imediatamente do carro. Nesse exato instante, deixa de ser piloto para se transformar em mecânico. Sempre comandando a trupe, carrega pneus, ajuda a pegar combustível, mete a mão na graxa. Por uma questão de estilo e talvez de princípios, jamais confia acertos ao seu mecânico, preferindo tomar conta de tudo, o que é bom e é mau. De qualquer maneira, foi assim que chegou a estar apenas com cinco pontos menos que Bragantini. Não conseguiu, mas tenta explicar o fracasso e desabafa:

"Foi demais! Tenho vontade de largar tudo. Tenho vontade até de alugar meu carro para outro piloto. Ou, então, acho que para vencer no automobilismo tenho que me naturalizar paulista."

Elza, a mulher, tem sua queixas. É claro, tanto quanto o marido, vivendo no ambiente das corridas, ela sente a barra. E não gosta nada. Seu argumento é simples: quando Ferri era inexperiente, ninguém ligava a mínima, ao integrar o grupo de frente, as mudanças foram imediatas Nessa altura, Ferri virou um inimigo a considerar, mas sua mulher acha que há muito jogo sujo no meio. 

Ferri, piloto-mecânico cuida pessoalmente dos motores



E o esquema de Bragantini? Para variar, é completamente diferente. No seu box, a presença marcante é Anésio Hernandez, preparador de motores. È ele quem comanda o trabalho mecânico, enquanto Manelão trata dos acertos de chassi. Tudo rigorosamente profissional e foi assim que Bragantini, pilotando um TB-Ford, triunfou sobre Amadeo Ferri e os outros 46 pilotos que participaram da Fórmula Ford. Entre os carros adversários, contavam-se outros oitos TB, 25 Bino, dez Heve, quatro Merlyn e o solitário Polar, de Fernando Dias Ribeiro.

Sua filosofia, em matéria de automobilismo, é simples e definida. Prefere os monopostos de fórmula aos carros de turismo.

Tem alguma autoridade para definir um e outro, pois começou a carreira na Divisão 4 (protótipos nacionais), passou pelas Divisão 1 e 3 (turismo), fez algumas provas de Super Vê. E venceu na Fórmula Ford. Em matéria de segurança, considera sua atividade tão perigosa quanto outra qualquer. Dá o exemplo:

"Perigoso, mesmo, é ser paraquedista, como minha mulher Miriam era. Antes mesmo de nos casarmos, porém, ela me prometeu, e cumpriu, deixar de dar seus saltos."

De fato, nos seus seis anos de pista, o susto maior foi o de Cascavel, no acidente com Ferri. Ali, apesar da tríplice capotagem, escapou ileso, provando, na sua opinião que o automobilismo está cada vez mais seguro.

Terminou o campeonato. Terminou o ano. Em 78, novas emoções já estão reservadas para o público da Fórmula Ford. O duelo vai continuar, espera-se que haja um calendário com datas mais precisas, a torcida é para que novos pilotos sejam revelados.

Como aconteceu em 77.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

FERRADURA


Interlagos - Com os tradicionais guard-rail pintados de amarelo e preto, em primeiro plano, vista da Curva da Ferradura tendo ao fundo a Curva do Laranja. Os guard-rail pintados de amarelo e preto eram marca registrada do circuito de Interlagos, nenhum outro autódromo tinha os guard-rail dessa cor. Hoje além de desfigurarem um dos melhores circuito do mundo, mudaram até os nomes das curvas. Foram gastos milhões (a turma do 3%) em reformas inúteis que não melhoram em nada o conforto, segurança ou acesso do público. Pior, com esse saco de dinheiro que foi gasto nada ajudou o automobilismo local. O brasileiro não gosta de automobilismo, gosta é da monocultura da Fórmula 1 (impulsionada pela tv), quem gosta de automobilismo é inglês e americano.


terça-feira, 9 de dezembro de 2014

FORÇA LIVRE


Teixeira e Zeca Monteiro luta na Força Livre


1982 - Com três GOL preparados para dar "show", os pernambucanos Zeca Monteiro e Teixeira voltaram à pista do Euzébio juntamente com Rogério Santos.

O reaparecimento de Zeca e Teixeira deu maior importância à quarta etapa do Torneio Norte/Nordeste de Força Livre e teriam ganho os três primeiros lugares, não tivesse quebrado o GOL de Teixeira e Rogério não participasse apenas por concessão especial da CBA devido estar suspenso por ter corrido no Recife em uma prova com um carro Voyage não homologado.

Zeca Monteiro, todavia, se classificou em primeiro lugar, seguido dos cearenses Luis Weber com Passat, Edson Pinheiro, GOL, Gibson Rolim, Dogde, Ricardo Macedo, Dodge, e Ary Gambarini, Fiat. Além de vencer a prova, disputada numa bateria única de 40 voltas, Zeca Monteiro conseguiu registrar a melhor volta em 1m13,4s. Rogério Santos, extra-oficialmente, marcou 1m12,6s.

A corrida de Força Livre só foi realmente empolgante nas primeiras voltas, quando Rogério, Teixeira e Zeca se revezavam nas primeiras colocações, enquanto no segundo bloco Weber, Iran Lemos e Edson Pinheiro lutavam pela terceira posição; já que Rogério não estava sendo sequer cronometrado. Depois, Iran Lemos saiu, mais tarde, Teixeira, ficando apenas seis carros na luta pela pontuação.


segunda-feira, 8 de dezembro de 2014