segunda-feira, 20 de outubro de 2014

CICLOMANIA É UM BARATO !




O reino encantado das Garellis, Puchs e Mobylettes. A garotada se derrete por eles. Um papo sobre ciclomotores, valendo até dicas de mexer pra andar mais rapidinho e palas de se inscrever até pra Interlagos.

1977 - Engarrafamento. Parece até que a  gasolina anda sendo distribuída com cafézinho e água gelada. Entre uma calçada e outra, três filas de carro formam uma parada do tipo 7 de setembro, desfilando pra mocinha de vitrine a tira-colo e para geral, sempre de pé, dentro e fora dos ônibus.

É hora do rush, da saída da escola, da entrada no cinema ou do dar uma volta, que segundo Vinícius, porque hoje é sábado.

No meio da confusão, buzinação, e poluição do mais puro gás carbônico, se ouve um gargarejo distante sem saber se é helicóptero, DKW acelerada ou abelha gigante. Penteando os longos cabelos estendidos sobre o asfalto, de uniforme de colégio, calção de pelada, sunga, gatinha ou prancha na garupa, passa como se nada tivesse acontecido, como se o trânsito fluísse normalmente, um ciclomotor.

Mas por não ter um ciclozinho do que por susto, a senhora exclama chateada por estar dentro de um carro, parada. Um pouco adiante, pendurado na janela, num grito de alegria, misto de inveja, acompanhado de: no meu aniversário me dá um? ...Com olhos brilhantes, o garoto acompanha aquele uniforme de colégio que conduz, com facilidade, o ciclomotor já perdido entre os carros.

Dos Beatles prá cá, ciclomania na opinião dos curtidores dessa nova atração, programa novo em horário nobre nas ruas, tem duas razões, em cada dedo para que seja adquirido: Gasolina (80 Km com um litro), Trafégo (não existe engarrafamento que segure), Ônibus cheio (economiza e não vai em pé), facilidade de estacionar (até agora não inventaram estacionamento pago para ele), não é preciso carteira (boa), meio-moto e meio-bicicleta (se o dinheiro anda curto é a solução), não passa de oitenta (anda na legalidade), os dois andam (e juram que não brigam), todo mundo tem, menos eu (pode perder a namoradinha)...etc ...ou eu quero e pronto!

A sensação de levantar cedo, uniforme, calça de brim, paletó e gravata, ainda continua bem diferente até o momento de ligar uma Mobylette, Garelli ou Puch.

No meio da rua, rosto ao vento, que nem coelho, os admiradores da nova mania, vão se multiplicando em direção aos estacionamentos dos colégios, faculdades e trabalhos. Numa mesma velocidade, freando e acelerando sem passar marcha, sem buzinar e riscando o engarrafamento vocabulário, os ciclomotoristas aos poucos vão formando um grupo muito entendido em economia doméstica e oriente médio por kilometragem. Corrente e cadeado pra ficar tranqüilo e um litro de petróleo, pra andar, cansar e beber o resto com gelo e limão.



Pra quem começa só agora a curtir os ciclomotores, ou pra ferinha que não sabe o que é segurar nos alicates... no início deste ano, a Federação Paulista de Motociclismo, unindo o útil ao agradável, imaginou uma jogada que, ao mesmo tempo traria um maior número de espectadores para as arquibancadas e pilotos para as pistas. As provas de ciclomotores.

Consumindo um mínimo de combustível, o que aliviou a barra diante das restrições impostas pelo governo, e atraindo patrocinadores para esta e para outras categorias, a solução acabou dando certo, e todas as provas do Campeonato Paulista deste ano já terão nas pistas os ciclomotores abrindo o gás.

O regulamento desta prova é o mais liberal possível, tanto para os pilotos como para as máquinas. Qualquer um pode participar, bastando para isso um exame médico com firma reconhecida, um exame de determinação do tipo sangüíneo do piloto, um seguro médico hospitalar e, caso seja menor, uma autorização dos pais ou responsável também com firma reconhecida (e viva para os cartórios). Depois de descolar todos os documentos, basta comparecer ao clube ou ao órgão organizador da prova e pagar a taxa de inscrição.

Quanto ao piloto, tanto nos treinos e provas, deve comparecer com roupa de segurança completa, isto é: macacão de couro, capacete, óculos, luvas e botas de cano longo. E apesar de não ser um papo, é uma boa que o participante estude o regulamento de sinalização, pois afinal aqueles caras com bandeirinhas na mão não estão ali para saudar a passagem dos pilotos.

Para os "não iniciados", aqui vão algumas dicas de como melhorar o rendimento de suas Puchs, Garellis e Mobylettes e etc.

O primeiro passo é aliviar o peso. Para isso, retira-se o farol, velocímetro, o descanso, as capas laterais e os pedais, que são substituídos por pedaleiras recuadas. O para-lama dianteiro pode ser serrado, ou se o dinheiro estiver sobrando, substituí-lo por um de fibra. Quanto ao traseiro, basta trocar o banco original por um com rabeta de fibra de vidro. A suspensão traseira pode ter os amortecedores trocados por dois de menor curso (os da cinquentinha reduzem o curso em 2 mm e servem bem), na dianteira pode-se também reduzir ou aumentar o curso conforme a conveniência.

O guidom deve ser substituído por um Tomaselli, para melhorar a dirigibilidade. A coroa também é trocada por uma menor para aumentar a velocidade final. No motor, lixam-se os anéis, troca-se o carburador por um de maior diâmetro, trabalham-se as válvulas e retira-se a corrente de ignição. Ainda para os que estão com dinheiro sobrando, uma boa é colocar uma carenagem de fibra, para melhorar a penetração aerodinâmica.

De resto é tirar a papelada, comprar a roupa ou pedir emprestada, e meter a cara começando a sentir a pista desde cedo. As dicas já estão dadas, abram seus escapamentos e pau na máquina.



sexta-feira, 17 de outubro de 2014

NAS PISTAS, A CAMPANHA ELEITORAL




Neimer Helal "Reynaldo 82"


 1982 - Era inevitável; depois de muitos anos de obscurantismo político, os partidos, notadamente os de oposição, passaram a movimentar-se com mais desenvoltura e a ocupar espaços até então insustentáveis.

E a propaganda eleitoral, finalmente, chegou às pistas. O piloto paulista Neimer Helal, que disputa o Campeonato Paulista de Opala Turismo, está ostentando em seu carro os dizeres "Reynaldo-82", clara alusão ao ungido pelo PSD para disputar o trono do Palácio dos Bandeirantes. "Vou votar no Reynaldo de Barros porque, além de ele ser meu amigo, acredito no seu Governo", diz.

A principio, Neimer nem quis admitir que a frase se referisse ao político. "Esse Reynaldo é o centroavante do Atlético Mineiro". E desmentiu a inconfidência de um mecânico mais linguarudo, segundo o qual o piloto recebia do Reynaldão a verba mensal de Cr$200 mil a título de patrocínio.

De qualquer modo, não deixa de ser um caminho a ser seguido por quem carece de maiores recursos financeiros para colocar seu carro na pista.


quinta-feira, 16 de outubro de 2014

2m30S




1975 - "Se não for com este carro, eu dificilmente conseguirei ganhar uma corrida", exultava de novo o francês Jean-Pierre Jarrier antes do Grande Prêmio do Brasil de 1975.

E o Shadow DN5 era mesmo uma obra-prima de projeto e construção, tanto que Jarier foi o primeiro piloto a superar a marca de 2min30s para a pista de Interlagos, coisa que nem Emerson Fittipaldi, com seu conhecimento da pista, havia conseguido até então.

O carro era tão veloz que Jarier chegou a humilhar os adversários, batendo o recorde da pista a cada uma das primeiras voltas da corrida. "Era um prazer pilotar o Shadow", disse ele depois à televisão francesa. Mas no Grande Prêmio do Brasil seu prazer acabou na 32ª volta, quando uma simples bomba injetora estourou e o tirou da prova.

Desolado, o francês observou, sentado sobre uma pilha de pneus, o brasileiro José Carlos Pace ganhar seu primeiro e único Grande Prêmio na Fórmula 1.


sábado, 11 de outubro de 2014

STRANGER IN THIS TOWN






1990 - Mick Taylor's Stranger in This Town was recorded mostly in Sweden in the summer of 1989, except for "Little Red Rooster," recorded in Germany, and "You Gotta Move," recorded in Philadelphia in December of 1989.

This is a blues album, make no doubt about it, and it is one of Taylor's finest.



"This album is dedicated to my late father"   Mick Taylor




STRANGER IN THIS TOWN:
A good rock'n'roll song. An exile in a strange city. A lust song.

I WONDER WHY:
Fast Chicago Blues Shuffle. Learned this from Albert King. A big influence, and a man who is wise and whom I respect and admire.

LAUNDROMAT BLUES:
Albert King again. First heard this on "Born Under a bad Sign" album a great record.

RED HOUSE:
A homage to Jimi Hendrix. My tribute to the greatest guitar player who ever lived. Jimi was a genius and so genuine and humble.










JUMPIN' JACK FLASH: 
One of my favorite Stones song. Mick Jagger's surrealistic lyrics defy logical interpretation. "I was drowned, I was washed up, left for dead". That's the blues.

LITTLE RED ROOSTER: 
Howlin' Wolf. His carthy, sensual blues style was spine tingling. 

GOIN' SOUTH: 
Latin American excursion. I love South American brazilian music. Max Middleton at his best.

YOU GOTTA MOVE: 
"Get down on your knees and pray" then move !









"At the end of 1974 Mick Taylor told Mick Jagger that he was leaving the band, and Mick Jagger told me. I thought he was a fantastic player. But at the same time there was a certain lack of camaraderie, shall we say. It's not Mick Taylor's fault - He's a very sweet guy - but it was just that we're very volatile people in this band and if there is somebody who just sits there, it's like, 'Come on, let's put a firecracker under his arse'. "

Keith Richard










Taylor fez parte da fase áurea dos Stones, sua guitarra acrescentou muito ao som da banda. Até hoje, eu e todos os fãs do Stones (inclusive ele próprio) não entendem por que diabos ele deixou a banda (na época li em revistas que um dos motivos seria a música "Time waits for no one", de sua autoria mas que acabou sendo creditada a dupla Jagger/Richards, essa canção contém no final um solo de guitarra magistral). Gosto muito do Ronnie Wood, é um cara legal, mas não dá para comparar com o talento de Mick Taylor.

Esse CD foi distribuído por uma pequena gravadora, muito difícil de conseguir na época, hoje chega a ser vendido por mais de 80 dólares.


sexta-feira, 10 de outubro de 2014

PRIMEIRO PONTO


Nelson Piquet chegou lá: marcou seus primeiros pontos



1979 - Finalmente, Nelson Piquet marcou seus primeiros pontos na Formula 1 ao chegar em quarto lugar no Grande Prêmio da Holanda disputado no circuito de Zandvoort. E, curiosamente, no mesmo circuito onde, no ano passado, Bernie Ecclestone fez o primeiro convite para que Nelsinho entrasse para a equipe Brabham, quando o candanguinho ainda era um mero aspirante à Formula 1, competindo com um McLaren M23 do team BS.

"No ano que vem eu vou ter carro, pode crer", dizia Piquet, desolado com as condições do velho M23, o mesmo que havia sido abandonado pelo norte-americano Brett Lunger.

Eu quero sair da temporada de 1978 como piloto graduado, afirmava confiante, ainda tentando manter segredo do convite que lhe havia feito o todo-poderoso chefão da Formula 1.

Desde sua estréia, no Grande Prêmio da Alemanha, em Hockenheim, com um Ensign, até os pontos marcados no domingo em Zandvoort, Piquet competiu em 17 Grandes Prêmios oficiais, mas seu melhor resultado até aqui foi na Corrida dos Campeões, em Brands Hatch, Inglaterra, com um expressivo segundo lugar.

Hoje, Nelson Piquet vive uma rápida ascensão. Já foi definido como primeiro piloto da equipe para 1980, é o test driver do novo Brabham, o BT49 com motor Cosworth, e deu uma soberba prova de maturidade como piloto de Grand Prix nessa corrida da Holanda.

Sabia que seu carro não tinha condições de partir para uma luta franca e aberta contra os melhores protótipos atuais pela fragilidade do motor V12 da Alfa Romeo. Por isso seguiu a tática mais lógica: partir bem, manter a posição conseguida no grid de largada e, do meio da corrida em diante, imprimir um ritmo mais forte.

Tudo isso para poupar os pneus e esperar que o tanque ficasse com metade do combustível, deixando seu pesado BT48 mais leve e exigisse menos do problemático motor.

Foi essa a receita de Piquet para chegar em quarto lugar. Mas, mesmo assim, teve que desistir de brigar com Jacques Laffite pela terceira posição. Briga que, além dos pontos, resultaria em sua primeira subida ao pódio da Fórmula 1.

"Não adiantava brigar com o Laffite. Meu carro já estava um pouco instável e o motor já tinha perdido alguns HP. O négocio era me manter por ali; afinal estava louco para terminar uma corrida, coisa que as quebras ainda não me tinham permitido com este carro."

Foi um prêmio justo para Nelson Piquet. Um piloto elogiadíssimo por todos os entendidos em Formula 1 e que já poderia ter sido segundo em Mônaco, quarto na Alemanha e quinto na Áustria, se não fossem as quebras dos motores.

Mesmo assim, firmou-se como a grande revelação da Formula 1 desta temporada, demonstrando que seu atual protótipo não lhe dava maiores chances. Prova disso é que está à frente do grande Niki Lauda, seu companheiro de equipe e de sofrimento a bordo dos BT48.