Hoje em dia, a eletrônica faz o trabalho pesado, e você, o motociclista, se torna uma espécie de acessório de luxo. Agostini diz isso com a melancolia de quem já empurrou uma motocicleta manualmente, de quem já sentiu o motor berrar sob o traseiro como um animal de verdade, não como um algoritmo obediente.
E ele tem razão, mas a razão importa menos aqui do que o sentimento. Porque o sentimento é este: não nos apaixonamos mais pelo piloto. Apaixonamo-nos pelo carro. Ou pior: pelo engenheiro que o construiu. O mesmo acontece na Fórmula 1, acrescenta ele, onde a eletrônica tira tudo de você. Não é mais "Eu venci". É "Meu carro venceu". Ou minha equipe. Ou meu software.
