sábado, 1 de dezembro de 2018

MEXICO '70




1970 - EM 1970, a carreira de Wilson Simonal (1938 – 2000) havia atingido o auge da popularidade no Brasil. Tão conhecido quanto Pelé e Roberto Carlos, foi convocado para ir ao México fazer shows numa tabelinha com a Seleção Brasileira que conquistou o tricampeonato mundial naquele ano. Resulta dessa época o disco México 70, lançado no país que sediava a Copa, e que acabou não sendo lançado no Brasil.





Por Max de Castro e Wilson Simoninha

Em um dia ensolarado, na primavera de 2005, recebi um email inusitado. Nele um homem simpático e feliz me perguntava, muito interessado, porque o álbum "México 70" havia ficado de fora da caixa "Wilson Simonal na Odeon (1961-1971)", produzida por meu irmão e por mim em 2004, já que o objetivo dela era reunir toda a obra do artista realizada naquela gravadora.

Primeiramente, achei que ele se referia a um trabalho lançado em 1974, também no México, época em que meu pai já havia saído da Odeon e por isso não fazia sentido a presença do disco no referido projeto. Ao conversarmos sobre as músicas, percebi que se tratava de outra coisa. Para minha grata surpresa e imensa alegria acabara de descobrir um álbum totalmente inédito dele, do qual eu nunca tinha ouvido falar.




Chegou o mês de junho, ele foi para o México encontrar com a seleção brasileira de futebol e fazer uma temporada de shows que durou três meses. Para aproveitar o clima festivo da Copa de 70, a Odeon resolveu lançar aqui apenas um compacto duplo puxado pelo hit "Aqui é o país do futebol", segurando, talvez, o lançamento de um álbum para volta do artista ao Brasil. Com o êxito da seleção e de Simonal, a Odeon mexicana se adiantou e lançou por lá um álbum inédito chamado "Mexico 70", após a Copa. Acontece que, do México, Simonal foi direto para os Estados Unidos. Quando finalmente voltou ao Brasil, a prioridade era a preparação do show que ele faria com Sarah Vaughan em São Paulo.

“Diga só isso: ‘o homem e a música’. A música: o Som Três. O homem: Wilson Simonal”

Essa frase do Simonal era usada para anunciar seus shows e ajuda a explicar um pouco esse disco. Da mesma forma que esse repertório e os arranjos provavelmente fizeram parte do espetáculo que se iniciou antes da Copa do Mundo e que ficou em cartaz até seu final, durante três meses na boate do hotel Camino Real. Simonal fazia tanto sucesso quanto Pelé naquele México de 1970 e seu show reunia pessoas do mundo inteiro. Junto com os Simonautas nos metais, o Chacal na percussão e o Som Três (Cesar C. Mariano nos arranjos e ao piano, Sabá no contra-baixo e Toninho Pinheiro na bateria), esse espírito de alegria e talento brilhou de maneira única. Felizmente existe esse registro raro, descoberto há pouco tempo e que nos revela, depois de 40 anos, uma fotografia fiel desse momento e nos ajuda a contar um pouco mais da história da nossa música.