Opinião - Fabiano Lana
Vaias a Eduardo Leite: amor na política é só ao poder
Situação vivida por governador gaúcho deve servir de alerta: pedidos de apoio em nome da “paz”, de uma “frente ampla” ou algo equivalente são simplesmente mentiras para ganhar eleições
As vaias ao governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, ontem, por parte da militância petista, em evento com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, são só mais um exemplo de um modus operandi bastante comum para qualquer militante partidário nos tempos atuais. Não se escuta, não se argumenta, apenas se xinga e vaia tudo o que é contraditório ou não se submete. Apenas emergiu à superfície mais um exemplo do que ocorre nos esgotos das redes.
Para se ter a dimensão do estado radical da política hoje, quando se faz uma pesquisa superficial entre os chamados influencers de direita, nas plataformas, houve comemoração aberta aos apupos contra o governador gaúcho. No sentido de ele merecer o que houve por interagir em excesso com a esquerda. Agora sentiria na pele qual a consequência de conviver com os corvos – um dia eles lhes furam os olhos.
Sempre é possível argumentar que o comportamento agressivo e truculento corresponde às franjas radicais das militâncias. Mas, percebam, a condenação de suas atitudes por parte de seus líderes – à direita ou à esquerda – costuma ser protocolar, da boca para fora. Na prática, é vantajoso politicamente ter uma base mobilizada capaz de te aplaudir em tudo que você faça ou fale, ou vaiar um adversário, sem qualquer razão racional. Mês passado, a tarefa da horda foi tentar destruir os repórteres que apontaram as ligações suspeitas entre o liquidado Banco Master e os ministros do Supremo Tribunal Federal.
Fazer política sem radicalismo – ou pelo menos sem um suporte radical no Brasil e no mundo – tem sido algo como uma missão impossível. Um dos resultados é a erosão das forças políticas de centro, que, por não fazerem do barulho uma tática fundamental pelo poder, ficam vulneráveis às falanges da esquerda e da direita. E, pior, não há no horizonte, brasileiro ou mundial, um partido de centro que faça da hostilidade aos diferentes plataforma de conquista do poder. Conciliação anda fora de moda.
Política não se faz com amor. Mas combatendo adversários e se auto-vangloriando. Acreditar que um dos vetores da disputa carrega as maiores virtudes e o adversário representa o mal absoluto é cair em conversa de doutrinadores e dirigentes que só buscam mais poder. Mas que as vaias ao governador Eduardo Leite sirvam de alerta quando vierem pedir apoio em nome da “paz”, da “frente ampla” ou de algo equivalente. É mentira para ganhar as eleições porque nem esquerdistas nem direitistas gostam, politicamente, de centristas – apenas de seus “parcos” votos.