(Brussels, Belgium 1 January 1945)
Outro pedido de informação. Aproveitando um post sobre meu amigo Sérgio Leeman, que dirigia a rede Telecine em Portugal, Benedito diz que também gosta muito de 'Nenhuma Mulher Vale Tanto', de Gordon Douglas e me pergunta se sei alguma coisa sobre o filme em DVD. Confesso que nunca o vi, nem em lojas americanas (como a Virgin) nem nessas que vivo pesquisando no Centro de São Paulo, até porque, se tivesse visto, já teria comprado. 'Nenhuma Mulher Vale Tanto' chama-se no original 'The Iron Mistress' e a amante de ferro é tanto a faca, na qual o herói, Jim Bowie, interpretado por Alan Ladd, é especialista - ele passou à história por sua destreza e foi parar no forte de Álamo, no episódio que rendeu épico famoso dirigido e interpretado por John Wayne -, como a glacial Virginia Mayo com quem ele se envolve (e o título nacional deixa claro que ela não vale grande coisa). 'The Iron Mistress' é de 1952, situando-se na carreira de Douglas entre 'Fui Comunista para o FBI', que nunca vi, mas deve tratar, não sei em que chave, do macarthismo (que estava rolando naquele momento), e 'Vivendo sem Amor'. São filmes bem diversos entre si, um de espionagem ('Fui Comunista'), outro que é creditado como western, mas é mais ou menos um épico sulista, na vertente de 'Jezebel', só que do ângulo masculino ('Nenhuma Mulher') e o terceiro um drama (o título original é 'She's Back on Broadway' e trata desta estrela, Virginia Mayo, que tendo fracassado em Hollywood, volta ao teatro, para o ex-marido). Isso era Gordon Douglas, um 'artesão' que nunca se fixou num gênero porque, como contratado dos grandes estúdios, fazia o que lhe mandavam, mas seguia a fórmula de Chabrol - filmava não importa o quê, mas nunca não importa como -, o que terminou por transformá-lo num autor no próprio exercício da mise-en-scène, como reconhecia 'Cahiers du Cinéma' (mas Douglas nunca foi reconhecido como tal pela revista). Prefiro os westerns de Gordon Douglas, e acho que ele foi um dos grandes pouco valorizados do gênero, mas quando vi 'Nenhuma Mulher Vale Tanto', no começo dos anos 60, andava muito impressionado com a definição do cinema de Nicholas Ray ('É a melodia do olhar') e fiquei siderado de ver como Douglas já havia sacado isso, construindo todo o filme nas trocas de olhares, que não apenas revelavam a interioridade de seus personagens como conduziam o fluxo da própria montagem. Uma palavrinha sobre o elenco. Douglas fez vários filmes com Alan Ladd ('Voando para o Além', 'Santiago' etc) e Virginia Mayo ('O Rifle de 15 Tiros'). Sobre ela, corre uma história que já devo ter contado - pois a adoro -, mas vale repetir. Li em algum lugar, acho que no verbete sobre a atriz na enciclopédia de cinema do francês Roger Boussinot, que o sultão de Bahrein, em visita a Hollywood, e ao estúdio da Warner, pediu para conhecer Virginia Mayo porque ela era - olhem que maravilha - a prova viva da misericórdia de Alá pelos homens. Virginia, loira e bela, nunca foi uma estrela do calibre de Marilyn Monroe, mas com a morena Patricia Medina e outras menos votadas, ela reinou nas matinés da minha infância. Rainha da aventura, fez filmes de 'gêneros', westerns, de gângsteres e de espada, que descobri depois serem assinados por diretores que fazem parte do meu imaginário, como Raoul Walsh e Jacques Torneur, além de alguns dramas considerados 'sérios' (como se os outros filmes não o fossem) e o mais famoso deles foi 'Os Melhores Anos de Nossas Vidas', de William Wyler. Mas já estou me distanciando de 'Nenhuma Mulher Vale Tanto'. Só não resisto a falar sobre Virginia Mayo. Ela podia não possuir um grande temperamento dramático, mas sua filmografia é 'A', para mim, pelos autores fundamentais com quem trabalhou.
Não é difícil compreender as dificuldades políticas e as ambiguidades decorrentes da passagem da monarquia escravista, fundada no desumano direito de uma pessoa ser proprietária de outra, à República sem sobressaltos.
No Brasil, a mudança ocasionou ambiguidades, porque, se o futuro pode ser truque populista ou um sincero ideal, o passado tem de ser levado em conta porque ele baliza o presente. Nossa aversão à igualdade republicana revela a permanência de hábitos aristocráticos, responsáveis por anacronismos que vão do “você sabe com quem está falando?”, ao machismo, ao recorde de funcionários públicos e aos abusivos “penduricalhos” que aristocratizam membros do governo. Tais ambiguidades legitimam os habituais roubos do Estado contra a sociedade.
O filho do ex-presidente que foi a maior praga da política nacional se candidata à sua sucessão. Como um príncipe, recebe a unção do pai condenado por ser contra o processo democrático, mas promete ser mais comedido. Alguns republicanos perguntam: além do sangue, quais são as suas credenciais?
Nosso viés aristocrático, que celebriza os ricos, os objetos de “alto luxo e “gente fina”, diz: ele é filho do mito salvador. Só que o Brasil cansou de salvadores e precisa de gente com consciência das exigências e demandas do papel de presidente da República. A demanda é de um presidente que troque o palácio por um apartamento. Aí sim, teríamos um começo de “salvação”.
Nas repúblicas desenhadas pelos iluministas, o poder monárquico foi fraturado em três, todos submetidos a uma lei geral – a Constituição – que governaria o governo. Mas neste nosso Brasil compadresco e legalista, gerenciado por abnegados revolucionários “cuidadores” dos pobres (que não podem acabar), há uma multidão de salvadores.
Salvá-los de quem? De um passado que não podemos neutralizar, porque vivemos em turmas, casas-grandes e partidos. Somos marcados pelo refrão que eu, na flor dos meus 90 anos, já ouvi mil vezes: “Agora é a nossa vez!”. Tomamos o poder que, como uma coroa, legitima o roubo dos aposentados, a destruição dos Correios, a dominação do crime organizado e as universidades. O ensino público de base – fundamental para a democracia – é uma desgraça. Prova de que uma sociedade que reprime o conflito entre a igualdade e a hierarquia convive com as ambiguidades do personalismo e da esperteza malandra.
Proclamamos a República, mas não abandonamos o ideal de fidalguia que se manifesta na corrupção – que nada mais é do que uma face do negacionismo sobre os conflitos de interesses.
Daí a recorrência do velho dilema que denunciei no livro Carnavais, Malandros e Heróis. Nele, eu mostro que, na maioria das questões públicas, a igualdade era relativizada pela hierarquia. Evitamos o confronto e convivemos com as ambiguidades que formam o nosso modo de atuar no mundo.
O maior perigo para o Brasil, de longe, continua sendo Alexandre de Moraes. Não há direito constitucional ou princípio de justiça que ele não ataque e viole. A mídia o construiu e, agora, ele ataca o direito mais importante para o jornalismo. https://t.co/REWnOTH088
— Glenn Greenwald (@ggreenwald) August 11, 2026
ESSE CARA É PERIGOSO ...
OS PAULISTAS O CONHECEM BEM ... FOI SECRETÁRIO DE SEGURANÇA (péssimo)
NA ÉPOCA JÁ DEMONSTRAVA TRAÇOS DE AUTORITARISMO (chamava Lula de ladrão, agora é aliado)
FOI UMA INVENÇÃO DO governador GERALDO ALCKMIN (alcunha "BELÉM" na lista de corruptos da Odebrecht)
FOI INDICADO PARA STF pelo presidente MICHEL TEMER ( "tem que manter isso, viu?" : JBS!)
VAMOS VER SE COM A RENOVAÇÃO,
O SENADO DÁ UM SUSTO NO PILANTRA E COLOCA UM "FREIO" NO SEU AUTORITARISMO ...
P.S. Recebeu uma quantia (129 milhões) do CORRUPTOR Vorcaro ...
QUANTIA ESSA, maior do que FLAVIO BOLSONARO recebeu (61 milhões) !
as duas, continuam SEM EXPLICAÇÃO !