domingo, 29 de março de 2026

Foda-se os carros ... o que importa são os pilotos !

 



O regulamento é uma merda ?

Sim, é ... 

Os carros atuais da F1 são uma merda ?

Sim ... não tem ronco, excesso de eletrônica, são grandes, pesados e feios !

As disputas são artificiais ?

Sim ... asa móvel, carga e recarga de bateria ... etc


Então, tudo na Formula é uma merda ?

Não !!!

por que?

Porque ainda temos os pilotos ... O fator humano ainda faz a diferença !!!!


Venho criticando a F1 faz tempo ... acho tudo uma merda, está chata, mas ...

... o que me motiva continuar assistindo, são os pilotos !


Fiquei "encantado" com os 4 títulos do Verstappen ... durante 4 anos fomos "brindados" com o talento excepcional do holandês voador ... antes tivemos o fantástico Lewis Hamilton, que mesmo com o domínio avassalador dos carros Mercedes, mostrou todo o seu talento ...


Agora, quem me encanta é o jovem Andrea Kimi Antonelli ... uma "joia rara"

Vê-lo pilotar no limite um bólido a 300 Km/h ... é um deleite !

Por sua causa (esse foi o único motivo) ... fiquei acordado nas madrugadas de sábado e domingo


Valeu a pena !!!!!!!

OBRIGADO KIMI !!!!!!






BOM DIA ... KIMI "gladiator" ANTONELLI !!!

 






sábado, 28 de março de 2026

BOA NOITE ... Richard C. Sarafian !

  (New York City, April 28, 1930 – September 18, 2013)











BOM DIA ... WOLF ARRUMOU UM PROBLEMÃO !

 

TIVEMOS: SCHUMACHER, HAMILTON, VERSTAPPEN ... O PRÓXIMO É ANTONELLI!


ALGUÉM AINDA TEM DÚVIDA QUE ESSE GAROTO É BOM !?


Comentei em post anterior, que o plano de Toto Wolf para 2026 é fazer George Russell campeão ...

seria uma "reparação" para com o britânico pela "falta de sorte" e pela decisão de manter o "fraco" Bottas na equipe em 2021.

George Russell merecia ter entrado na equipe já em 2021, pelo que fez com o piloto titular Bottas, quando substituiu Hamilton no Grande Prêmio de Sakhir  ... ali ele "esmagou" o finlandês !

Se entrasse naquela época na Mercedes, poderia ter "brigado" pelo título, já que o carro Mercedes ainda era um avião .... mas o "pragmático" Wolf, preferiu manter o "manso" Bottas para não criar problemas para Lewis.

Quando finalmente entrou na equipe, o carro já não era o mesmo ...


Em 2026 finalmente chegou a minha vez !... pensou

vou ter uma "chance" de brigar pelo mundial ...

Eu tenho um lindo carro, um belo motor ... e a vida é uma "maravilha" ! como disse, pelo rádio, após vencer o GP Austrália ...

SÓ QUE ESQUECERAM DE "COMBINAR COM OS "RUSSOS" ou melhor, com um italiano !!!!


Na minha avaliação, se não tivesse acontecido aquele acidente no TL ... Kimi teria vencido na Austrália !

Percebi que ele vinha "forte" desde a 1ª sessão de treinos livres ... infelizmente, numa volta rápida, teve aquele acidente ...pegou uma zebra com o pneu traseiro o que fez a traseira do carro "pular" e a perda do controle do carro.

Russell que vinha sentindo a "pressão", depois da pancada do companheiro ..."cresceu"


Agora a pressão (do italiano) voltou ... é "visível" a cara de quem "comeu jiló" do piloto inglês!

ele deve estar pensando: agora que chegou a "minha vez" ... aparece esse "moleque" prá estragar a festa!

Kimi vai ser uma pedra no sapato do inglês em 2026 !


Venho elogiando o italiano faz tempo ... ano passado já mostrou que é piloto de ponta !

Quando coloca o capacete "cresce"... vira uma fera, um verdadeiro "leão" !

Tivemos as "eras" Schumacher, Hamilton, Verstappen ... a próxima vai ser do Antonelli!


A animação do chefe da Mercedes com a pole do Kimi contagia a gente ! Kkkkk 👇





 

sexta-feira, 27 de março de 2026

TOGA SUJA: ME ENGANA QUE EU GOSTO !

 


A um só tempo, o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) conseguiu a proeza de parir uma aberração jurídica e ofender a inteligência alheia numa única sessão. Anteontem, Suas Excelências validaram, sob nova roupagem, os chamados penduricalhos, vedados expressamente pela Constituição. Ao extinguir alguns desses privilégios e preservar outros tantos, fixando-lhes um limite de 35% do subsídio pago aos ministros da Corte, o STF criou um novo teto remuneratório à margem do Congresso. Para piorar, um teto que, na prática, só beneficia as castas do Poder Judiciário e do Ministério Público.

Espremendo-se os votos supostamente virtuosos em defesa da moralidade pública e do erário, o que sai é o Supremo dizendo à Nação, de forma inequívoca, que há uma Constituição válida para a esmagadora maioria dos cidadãos e outra, bem mais generosa, à qual estão submetidos magistrados, procuradores e promotores.

O art. 37, inciso XI, da Lei Maior estabelece, em português cristalino, que nenhuma remuneração no serviço público pode ultrapassar o salário bruto dos ministros do STF. Hoje, isso corresponde a R$ 46.366,19. Não há margem para acrobacias semânticas nem para a multiplicação de pagamentos adicionais que, embora travestidos de “indenizatórios”, funcionam, a bem da verdade, como clara burla do limite constitucional.

A esse novo teto “extraoficial”, digamos assim, que conviverá com o teto constitucional até que o Congresso edite uma lei definindo que verbas podem ser classificadas como indenizatórias, o Supremo deu o nome de “regime de transição”. Ora, não se negocia uma inconstitucionalidade flagrante. Não se transige com privilégios que afrontam a própria ideia de República.

Fosse mais cioso de seu papel no Estado Democrático de Direito, o Supremo teria extinguido todo e qualquer penduricalho, de forma que nenhum servidor público no Brasil pudesse receber mensalmente mais do que R$ 46,4 mil. E os que não ficarem contentes com esse patamar de remuneração, que peçam exoneração e busquem condições melhores na iniciativa privada. É tão simples quanto isso.

Mas, ao estabelecer parâmetros arbitrários e autorizar pagamentos fora do texto constitucional, o STF não apenas usurpou uma prerrogativa do Poder Legislativo, como o condicionou. Se o Congresso nada fizer, a elite de servidores do Poder Judiciário e do parquet continuará a receber suas benesses – talvez um pouco menores em valores, mas igualmente imorais e inconstitucionais – como se nada de errado houvesse. Mais bem dito: além de legislar, o STF criou um fato consumado, qual seja, um modelo de remuneração sui generis que relativiza o teto constitucional e normaliza a exceção.

A alegação de economia para o erário chega às raias do deboche. Não se economiza ao validar pagamentos inconstitucionais que nem sequer devem ser realizados. Se determinadas verbas indenizatórias violam o teto, têm de ser eliminadas, não limitadas. Ao estabelecer um porcentual aceitável de penduricalhos, o Supremo ignorou deliberadamente que o problema não está nos excessos, mas na própria existência desses privilégios.

Se a afronta ao texto constitucional por seu maior guardião já é perturbadora, o desdém do STF pela realidade da esmagadora maioria dos trabalhadores brasileiros, que nem sonha com férias de dois meses anualmente, é ofensivo. Cidadãos comuns não dispõem de expedientes corporativistas para engordar seus holerites. Já no topo do funcionalismo público, consolida-se um sistema paralelo, no qual o teto só existe como referência formal, contornado por uma infame arquitetura de vantagens.

Não é improvável que os ministros do STF acreditem piamente que a decisão irá arrefecer o mal-estar da sociedade diante dos abusos e mau comportamento de alguns deles. O efeito, porém, é diametralmente oposto: a corrosão ainda maior da credibilidade da Corte, vista como uma ermida para o corporativismo.

É preciso afirmar sem rodeios: o teto constitucional não comporta puxadinhos. É o limite absoluto para a remuneração do funcionalismo público. Que isso não tenha sido declarado pelo Supremo com todo o vigor que a questão exige é uma submissão inaceitável do melhor interesse público ao patrimonialismo e ao espírito de corpo.





BOM DIA ... TOGA SUJA: 7 HOMENS E UMA MULHER !

 






 

quinta-feira, 26 de março de 2026

Remembering the Sabra and Shatila Massacre !









15-year-old volunteer paramedic was killed Israeli air attack !

 





 

quarta-feira, 25 de março de 2026

BOA TARDE ... WILLIAM WYLER'S BEN-HUR 4K !

 










BOM DIA ... ROBERTO DaMATTA !

 


Testemunho assombrado um mundo conturbado e a confusão do aparelho administrativo nacional, compelido a exigir a pulso uma mudança no comportamento de suas elites. Trata-se de uma burocracia aristocratizada por prerrogativas e penduricalhos, pressionada a modernizar-se pelo inusitado poder das tecnologias digitais – sistemas ignorantes dos nobres protocolos fundados no silêncio como privilégio.

É a força dessas selvagens tecnologias de comunicação que denuncia congressistas e magistrados – a elite –, revelando uma rede de desfalques que envergonha os cidadãos comuns e desvenda a obsolescência de nosso sistema de governança.

Escândalos que implicam bancos e tribunais mostram uma estrutura de dominação burocrática atrelada a uma estrutura de dominação relacional. A impossibilidade de punir revela os entraves de uma democracia hierarquizada em supremos, e a crença pueril segundo a qual todos os problemas se resolvem quando são legislados.

Democracia exige sinceridade e coerência. A disfuncionalidade do sistema político nacional ilustra com clareza um poderoso insight do filósofo Karl Jaspers, quando ele aponta “o conflito existente entre o poder (que tende ao segredo) e a verdade (que deseja tornar-se coisa pública)”. A capacidade de informar sem nenhuma censura é o apanágio dos sistemas igualitários. Neles, os poderes têm limites, e a ultrapassagem dos limites – comuns no Brasil – vem sendo demolida por uma intensa e extensa rede de informação.

As redes pariram aquilo que sempre foi o ponto crítico de todo sistema de poder baseado na capacidade de enganar o igualitarismo e a imparcialidade legal. Com isso, o segredo que guardava os elos e interesses pessoais em conflito com os deveres públicos foi desmascarado. Se antes eram expostos por descuido, hoje são divulgados em redes sociais. Nelas surgem essas rotineiras, mas abomináveis contradições entre a ética da casa e as demandas morais dos cargos públicos, atingindo os que deveriam ser os mantenedores da igualdade e da universalidade das leis.

A notícia veiculada digitalmente surge em todo o planeta, desmascarando mentiras e ignorância e demandando limites aos fracos e fortes. Nas aristocracias, as decisões eram tomadas sob o direito ao segredo. O segredo, reitero com o filósofo, é o alicerce do poder absoluto. Para saber de tudo, basta aprisionar um celular – ou os celulares.

Como afirmam os americanos, as notícias chegam rompendo rotinas. A tecnologia revela qualidades e defeitos do sistema. Como dizia Max Weber, ela “desencanta o mundo”. Hoje, é muito mais difícil mentir, porque os gravadores e as redes de comunicação expõem sem afeto o que sabem.

No fundo das consequências inesperadas do progressismo, essas tecnologias obrigam a uma ética de honestidade. Coerentes nas suas impessoalidades, elas acabam nos forçando a enxergar o que sempre escondíamos de nós mesmos.





terça-feira, 24 de março de 2026

... DIMONA ! 🤮

 






... ALCEU VALENÇA !

 (São Bento do Una, 1 de julho de 1946) 



Alceu Valença se recusa a contar o tempo. “Oito ou oitenta, não sei”, diz ele sobre os 80 anos que completará em 1º de julho. Talvez a resposta esteja em uma de suas canções que versam sobre o tema, Embolada do Tempo. Nela, o tempo é incalculável, sem fim nem começo. Filosofando ainda mais, a letra diz que ele é “a existência do nada”.

Não que as marcas dos anos não aborreçam o pernambucano de São Bento do Una. Valença confessa que faria uma cirurgia plástica apenas para que ninguém mais pergunte sua idade, exposta a todos na turnê Oitenta Girassóis, que ele estreou neste mês de março, cantando seus grandes sucessos - dia 28 é a vez de São Paulo receber o show, no Parque Villa-Lobos.

Alceu Valença tem outras artimanhas para se esquivar. No palco, ele diz, é um “menino travesso e traquina”. Fora dele, caminha 17 mil passos diariamente. Usa o método Urbes Paralelas. São Paulo, Rio, Recife e Lisboa podem coexistir perfeitamente. “Eu estou em um canto, corto e vou dar em outro”, diz, em mais um drible.

É quando caminha que Valença ouve apenas o que quer. Jamais no fone de ouvido. “Não ouço música. Prefiro caminhar e ouvir minhas passadas. Acho lindo o som quando eu chuto uma folha”, diz. Em conversa descontraída com o Estadão, o advogado de formação também lembra o curto período que passou em Harvard, quando foi chamado de “Bob Dylan brasileiro”.


Os 80 anos têm um significado especial para você?

Para mim, é oito. Oito ou oitenta, não sei, até agora. É uma data. De minha parte - preste atenção -, não estou ligando e nem nunca liguei para aniversário. Sempre que tem um aniversário meu, eu digo: “Eu quero é show!” Para que eu quero ver [festa de] aniversário? Se eu tomasse um porre...Mas não bebo mesmo. Os convidados vão ficando bêbados e, quem não bebe, não aguenta muito tempo. É muito chato (risos). Agora, essa comemoração [a turnê] não é obrigada a ser em 1º de julho [data do aniversário], pode ser qualquer dia. Aí, tudo bem.

No palco, você parece sempre estar em festa

Palco é vitamina. É alegria, harmonia. É comunicação. Muitas vezes, me encontro cansado, fatigado, mas quando chego ao palco é aquela energia absurda. Aí, viro o menino travesso, traquina, meio maluco. E adoro sê-lo.

Na música ‘Embolada do Tempo’ você diz que ‘o tempo não tem parada’. Para onde o tempo o está levando?

Essa música é filosófica. “Eu marco o tempo na base da embolada/da rima bem ritmada/ do pandeiro e do ganzá/O tempo em si não tem fim/ não tem começo/ mesmo pensado ao avesso/ não se pode mensurar/ Buraco negro/a existência do nada/Noves fora, nada, nada/Por isso nos causa medo/ Tempo é segredo/senhor de rugas e marcas/E das horas abstratas/quando paro pra pensar”. Bom, se quisesse tirar minhas rugas, a cirurgia plástica, atualmente, está genial. Uma perfeição inacreditável, rapaz! Mas quem faz essa cirurgia tem que dormir de cabeça para cima. Eu não consigo, senão tirava as marcas abstratas da minha pele.

Você faria mesmo um procedimento estético?

Por que não? Faria para ninguém me perguntar quantos anos eu tenho. Outro dia, aqui em São Paulo, fui ao pilates na rua Tutóia [no bairro do Paraíso] e, quando estava saindo, um senhor parou em um carro e disse: “Alceu Valença? Você está novo demais! Você vai fazer 70 quando?”. Eu disse: “Vou fazer 69!” (risos).

O passar do tempo o assusta, de alguma maneira?

Não. Eu corro, caminho 17 mil passos na rua, minha testosterona é um absurdo (risos). Bom, foi o que me disseram. Para que eu vou me preocupar com o tempo, então? Mas exagerei. Ouvindo as músicas que eu havia escolhido para o show, como Agalopado e Bicho Maluco Beleza, que têm uma baita rapidez, comecei a correr na rua. Não trotar, correr mesmo. Dava pulos e dizia: “Você é uma criança!”. Me senti um cavalo. Me deu canelite. Agora, já estou bem.

O pessoal deixa você andar na rua ou pede muita selfie?

Sei como fazer. Saio por ruas [mais vazias]. Não ando pela praia. Caminhar me dá alegria. Já virou uma doença minha. Tenho até meu projeto Urbes Paralelas. Eu estou em um canto, corto e vou dar em outro. Posso estar caminhando no centro de São Paulo e dar no Rio de Janeiro. Posso estar em uma velha rua do Recife e cortar para Portugal...Há muita similaridade nesses locais.

Suas músicas têm muitas estradas e caminhos. Sempre esteve em busca de chegar a algum lugar?

Ninguém chega aonde quer. A pior coisa do mundo é a tal da aposentadoria. É bom, é necessário, mas o aposentado deve arrumar alguma coisa para realizar. Caminhar, curtir o mar, ir para uma floresta, tomar algo. Parou, está lascado.

Alguns artistas de sua geração estão se despedindo dos palcos. O Gilberto Gil, por exemplo. O que pensa sobre isso?

Não marco hora para parar. Teve uma época que Luiz Gonzaga parou e depois voltou. Eu não. Logo depois desses shows, vou para uma turnê na Europa. Minha quinta seguida. A internet é democrática, abriu os ouvidos das pessoas que, antigamente, só ouviam música anglófona.

Suas músicas também têm altas doses de solidão e saudade. São sentimentos seus?

[cantarola Solidão]. Os artistas têm muita solidão. O fato de estarmos sempre em hotéis é fogo. Solidão eu compus em Belo Horizonte, depois de um show no Palácio das Artes. Lotado, muita energia. Cheguei no hotel e a dona insônia estava deitada em minha cama. A megera não me deixou dormir um só segundo. Três, quatro da manhã, me levantei e olhei para a rua. Vi a solidão. Olhei para as estrelas, para a lua, e fiz essa canção.

Luiz Gonzaga dizia que você eletrificou o pife. Como você elaborou esse som?

Ele disse que criei uma banda de pife elétrica [imita a voz de Gonzaga]. Minha música tem uma relação muito forte com o sertão e o agreste - uma parte dela, porque tem o frevo, que não tem nada a ver -, mas eu coloco uma flauta e outra no teclado, além da guitarra. Foi natural. Minha guitarra não é obrigada a fazer o mesmo que um guitarrista inglês ou americano faz. Coloquei uma linha melódica nos solos, nas introduções, sem imitar ninguém. Não quero saber de ninguém, aliás.

Simplesmente?

Acho simplíssimo. Minhas influências vieram de maneira natural e vivenciada. Em São Bento no Una, com meu avô, tocando viola, aprendi tudo sobre violeiro. Um embolador na feira, o cego arauto que tocava rabeca, o sanfoneiro de oito baixos, a voz de Luiz Gonzaga no alto-falante...Já no Recife, havia na frente da minha casa um poeta chamado Carlos Pena Filho e o maestro Nelson Ferreira, um dos maiores compositores de frevo de todos os tempos. Na minha rua passavam bandas de frevo, os frevos líricos, que têm uma grande relação com Portugal. Passavam os caboclinhos, do nosso povo originário, e o maracatu, de origem africana. Isso tudo entrou na minha cabeça.

Você estudou em Harvard no final dos anos 1960. Como foi esse período por lá?

Estudei por pouco tempo. Quando falam em Harvard, as pessoas ficam admiradas. Fui realizar um curso de Sociologia e Desenvolvimento da América Latina. Foi uma época boa. Eu pegava o violão, ia para a rua e ficava tocando. Era o período da Guerra do Vietnã. Um jornalista de Fall River [em Massachusetts] me viu e pirou. Ficou sabendo que eu era brasileiro, nordestino. Ele botou [no jornal]: “O Bob Dylan brasileiro”. Não! É o Bob Dylan que é o Alceu de lá.

Nessa época você estava envolvido em questões sociais?

Todo mundo estava - as pessoas mais sensíveis participavam de passeatas e reuniões.

Viu de perto os Panteras Negras?

Sim. Fui a um esconderijo dos Panteras. Me lembro de uma frase que ouvi: “Quando acabarem as diferenças sociais, acaba o preconceito”.

No ano passado, seus colegas Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque e Paulinho da Viola se reuniram em protestos no Rio de Janeiro contra a PEC da Blindagem e da Anistia. Você foi convidado?

Nesse dia eu tinha um show marcado no Maranhão. Não podia quebrar minha agenda. Mas falei nas redes sociais. Pode olhar lá.

Você conseguiu separar o Alceu artista do cidadão?

Não sei se me acho tão artista assim. No palco, eu sou.

Você se interessa por novos gêneros musicais, como o rap, o trap, o piseiro e a vaquejada?

Não ouço música. Isso porque meu pai não tinha radiola lá em casa. Ele não queria que eu fosse artista. Minha mulher me deu uma gramophone. Nunca ouvi nada nele. Nem meus próprios discos. Conheço alguns artistas de shows, como Juliana Linhares, do Rio Grande do Norte, e Madu, brasileira que está em Portugal. Quando as plataformas digitais chegaram, comecei a ouvir minhas músicas. Mas, depois, ficou cansativo ouvir sempre a mesma coisa. Não quero não. Prefiro caminhar e ouvir minhas passadas. Acho lindo o som de quando eu chuto uma folha.






BOM DIA ... SHIVERS !

 




Tarde ensolarada de uma segunda-feira em Sampa ... com SHIVERS de Cronenberg !

... em tela grande !!!!!!


P.S HORRÍVEIS as cadeiras do Cinesesc ... com encosto alto que chega a atrapalhar a visão da tela !

Saudades daquelas antigas cadeiras de encosto baixo dos cinemas, onde a gente escorregava o corpo para frente e apoiava a nuca no encosto !!!!!!













segunda-feira, 23 de março de 2026

BOM DIA ... IGNÁCIO DE LOYOLA BRANDÃO !

 


Anos 1960 e 1970. Assim que a transmissão do Oscar – precária diante da tecnologia de hoje – se iniciava, “nossa rede” entrava no ar. Três telefones se fechavam em circuito. O de Thomaz Souto Corrêa, editor da Claudia, revista máxima da mulher brasileira; Edith Eisler, editora de culinária da Claudia (ah!, como era delicioso participar das degustações), e eu, redator. Comecei na Abril escrevendo um perfil de Raquel Welch, o máximo da sensualidade, tesão absoluto. Ela morreu em 2023, aos 82 anos.

Cinema era nossa paixão. Líamos tudo, das revistas americanas que chegavam – da Cena Muda (enquanto existiu) até as mais bem informadas de todas, Cinelândia e Filmelândia. Naquelas noites de glória, estávamos ao telefone, minuto a minuto, desde que entravam em cena o tapete vermelho e a inicial disputa acirrada de vaidade, beleza e cafonice de estrelas e estrelinhas. De superstars a desconhecidos totais. Aquele sempre foi o espelho da vaidade, imaginação e mau gosto (ou coragem). Ali se batalhava pela originalidade, se media o que é bom e mau gosto.

Nossos três telefones eram rede fechada. Iniciado o show queríamos saber se estava sentado na primeira fila, de óculos escuros e o sorriso mais debochado do mundo, Jack Nicholson. Que falta ele faz. Era um dos símbolos do Oscar. Sem aquele ar de escárnio ficou um vazio.

Celso Nucci, colunista, sommelier e escritor, entrava no nosso circuito. Edith e eu iniciávamos. Depois, de mim para o Thomaz, e, dependendo do momento, do Celso para o Thomaz, depois para Edith. Não havia muita organização. Era de quem discasse primeiro. Juntos, vimos, lá atrás, para espanto geral e símbolo da contracultura, uma indígena entrar para receber o Oscar para Marlon Brando, afrontando Hollywood.

Como faltaram indígenas este ano. Desta vez, Sean Penn deu o toque, desistiu, foi visitar Zelenski na Ucrânia. Sobre o presidente deles, Trump, não se ouviu um pio! E os grandes comediantes que apresentavam o Oscar, tipo Bob Hope? Com Donald Trump, a América perdeu o humor, a revolta, o cinismo, a ironia, a raiva? Não digo isso porque nada ganhamos. Alguém acaso acreditava que Hollywood desse dois prêmios seguidos ao Brasil em tão curto espaço de tempo? Vá, vá, vá! – como dizia minha avó Branca.

Nos anos 1960, pedi um visto para os States e me foi negado com o argumento de que eu, ao lado de Armindo Blanco, Maurice Capovilla e Jean-Claude Bernardet éramos contra o cinema americano. Eu, um nada, contra o poder dos estúdios? Vá, vá, vá.




domingo, 22 de março de 2026

BOA TARDE ...