sábado, 14 de março de 2026

BOM DIA ... ROGÉRIO WERNECK !

 


As forças políticas de centro-direita continuam sequestradas pelo bolsonarismo. Paralisadas pelo lançamento antecipado da candidatura de Flávio Bolsonaro no final do ano passado, ainda não superaram o temor de que qualquer candidato alternativo que venham a lançar sofra retaliações e ameaças de jamais vir a contar com o apoio de Jair Bolsonaro, mesmo no segundo turno. Foi o que barrou a entrada de Tarcísio de Freitas na disputa presidencial.

Esperanças de que um mau desempenho nas pesquisas de intenção de voto possa levar à desistência de Flávio Bolsonaro vêm se mostrando infundadas. As próprias dificuldades da reeleição vêm dando alento à campanha bolsonarista.

Embora o governo tenha lançado amplo leque de medidas populistas e esteja pronto a ampliá-lo ainda mais ao longo deste ano, sobram razões para que sua avaliação nas pesquisas de opinião continue desanimadora: de erros de campanha crassos a apostas frustradas em ações demagógicas mal concebidas.


Mas boa parte das dificuldades parece decorrer do intenso fluxo de más notícias, relacionadas em grande medida a problemas de corrupção, que continuam a desgastar o governo. Diante das evidências de intolerância e indignação da opinião pública com o surgimento de mais uma onda de grandes escândalos, o presidente já não consegue disfarçar suas apreensões.

É bem sabido que, nos últimos anos, o Planalto tentou compensar a fragilidade de seu apoio parlamentar com a formação de uma clara “dobradinha” com o STF, em seus embates com o Congresso.

Agora, com dois dos ministros do Supremo mais estreitamente alinhados com o governo tragados pelo vórtice do caso Vorcaro, é natural que o Planalto não esteja conseguindo se apartar dos devastadores efeitos colaterais do escândalo. E o pior é que não é este o escândalo que mais preocupa o governo.

O que assusta é que resta pouco tempo para evitar que, na eleição presidencial de outubro, o País fique restrito à deprimente escolha entre um presidente octogenário e populista, convicto de que governar é promover interminável concessão de benesses a seus eleitores, e um candidato de extrema direita sem qualificações mínimas para ser alçado ao Planalto. Passou da hora de as forças políticas de centro-direita reagirem ao seu sequestro e oferecerem alternativa mais promissora ao eleitorado.

Ou será que, mais uma vez, o processo político brasileiro se mostrará incapaz de engendrar a eleição de um presidente apto a liderar com sucesso a superação dos enormes desafios que o País tem pela frente?