Master e a JBS repassaram R$ 18 milhões a empresa que fez pagamentos ao filho de Nunes Marques.
Brasília está lotada de craques, e não é de hoje. O presidente Lula já comparava o filho Lulinha a Ronaldo Fenômeno nos primeiros mandatos e os filhos e parentes de um ministro atrás do outro do Supremo Tribunal Federal (STF) parecem não ficar atrás. Timaço, regiamente tratado pelo agora liquidado Banco Master e a já famosa JBS.
É curioso, aliás, como os negócios, contratos e rolos do Master e da JBS, vira e mexe, se embolam e como, talvez por pura coincidência, ambos têm conexão direta com o ministro do STF Dias Toffoli. Além de todos os caminhos de Toffoli levarem ao resort Tayayá e ao Master, foi ele quem, para assombro geral, tentou melhorar o já ‘super camarada’ acordo de leniência dos irmãos Joesley e Wesley Batista, da JBS.
Toffoli abriu a fila, mas toda hora aparecem novas conexões do Master e de Daniel Vorcaro com familiares de ministros. Ele meteu no jogo os irmãos, um padre e outro engenheiro de classe média; Alexandre de Moraes não explica os R$ 129 milhões do escritório da mulher e filhos; agora, o Estadão nos conta sobre o repasse de R$ 18 milhões, em um ano, de Master e JBS a uma empresa que declarou faturamento de R$ 25,5 mil e repassou R$ 282 mil para o filho de Nunes Marques. História muito intrincada.
Nesse contexto, a ida de um filho do ministro Luiz Fux ao camarote do Master no camarote da Sapucaí é insignificante, até porque, se camarotes e fotos fossem problema, não sobrava ninguém. Isso, porém, ilustra como Vorcaro e seu sócio, Augusto Lima, o Guga, tinham o Supremo como prioridade na infiltração nos poderes e na sua desabalada carreira rumo ao sucesso nos negócios.
Um jantar e uma festa hoje, um carnaval e um camarote amanhã; um resort e um festival de fundos daqui; um jatinho e polpudas contribuições de campanha dali... Tudo isso tem sabor e cheio de cooptação “soft”, que, no mundo da política e do poder, tem boas chances de dar “certo”, ao gosto do “freguês”.
Vamos fazer contas. São onze cadeiras no STF, dez estão ocupadas hoje e já são quatro os ministros de alguma forma citados, inclusive Fux, superfluamente, sem relevância. A eles se soma Gilmar Mendes, que não fica sossegado enquanto não se joga numa fogueira, qualquer fogueira. Logo, só 50% da Corte passa ao largo.
Gilmar anulou a decisão da CPI do Crime Organizado de quebrar o sigilo do fundo Arleen, que é administrado pela Reag (central no escândalo Master) e que comprou as cotas da família Toffoli no Tayayá. Segundo o ministro, sua canetada segue a do ministro Flávio Dino, que anulou a quebra de sigilo de Ronaldinho, ops!, Lulinha, na CPI do INSS, sob argumento de “desvio de finalidade qualificado”.
Ou seja, assim como a comissão de inquérito do INSS não pode investigar o filho do presidente, a do crime organizado não pode escarafunchar o escândalo do Master, porque uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa e o que se espera da Justiça é que preserve os direitos constitucionais, como alegam os dois ministros.
Mas peraí! Se não existe uma CPI própria do Master, que envolve mundos, fundos e diferentes poderes, se a do crime organizado não tem a ver com o caso, se o Supremo está em modo autoproteção e se a PGR parece alinhada com a Corte... a Polícia Federal vai ficar sozinha na investigação? E sob fogo cruzado?
