O cientista político Alberto Carlos Almeida faz uma avaliação mais categórica sobre o resultado da eleição e diz não ver caminho para Lula virar a disputa.
“É aritmético. Você tem um candidato de governo, que é o Lula, e todos os demais são de oposição. Os outros candidatos somaram cerca de 8% dos votos. O Flávio vai ter mais da metade, no mínimo cinco, e deve alcançar 52% dos válidos. Lula vai a 48%, que é o teto dele”, diz. “Eu considero irreversível o resultado. Em todas as eleições para presidente, quem liderou no primeiro turno também chegou na frente no segundo. Isso não acontece por acaso. O segundo turno não é uma nova eleição; é a consolidação do primeiro.”
Almeida sustenta, desde o início do ano, que Lula caminhava para uma derrota e avalia que o presidente não agiu a tempo para melhorar a percepção sobre o governo, que, segundo ele, permaneceu em patamar abaixo do necessário para uma reeleição.
“Bolsonaro deu um aumento gigante do Bolsa Família seis meses antes da eleição. Isso ajudou muito. Avaliação de governo não melhora da noite para o dia. Provavelmente, o Lula e seu entorno, especulando, devem ter dito: “A eleição está ganha, o Flávio é um candidato ruim e é muito rejeitado”. Mas não é o candidato que importa, é o contexto. As pessoas vão procurar o candidato de oposição que representa a mudança no pleito.”
Autor de livros como “A cabeça do brasileiro” e “O voto do brasileiro”, Almeida também se distancia dos demais especialistas ao rejeitar a leitura de que o resultado das urnas deste domingo representa uma vitória do bolsonarismo ou uma “onda” de direita. Para ele, o que houve foi um movimento de alternância de poder.
“Não foi vitória do bolsonarismo ou onda de direita, foi alternância de poder com crescimento do partido de um candidato a presidente competitivo. O PL comeu cadeira dos partidos do Centrão, que são ideologicamente próximos dele”, afirma o especialista.