quinta-feira, 29 de outubro de 2026

BOM DIA ... WILLIAM WAACK !

 


Há algumas leis da prática da política que transcendem postulados ideológicos. Uma delas é que poste de líder vivo não vira líder. No caso do impedimento do líder, preso ou fora do País, o poste precisa estar onde o líder não está – ou seja, na rua ou no País.

Flávio Bolsonaro já não teria como comandar a oposição a Lula mesmo antes da patética postura de assinar e recuar de uma carta golpista lá nos distantes EUA. Sua principal credencial como candidato tinha sido o dedo do pai, que excluiu qualquer nome de fora do clã por interesse pessoal. Arriscou perder a eleição para não perder o “comando” da direita. Perdeu os dois.

Jair já tinha sido o maior cabo eleitoral de Lula em 2022, e o filho repetiu a escrita. Embarcou com gosto no leilão de promessas, tentou ser tão populista quanto o adversário, mas conseguiu ser ainda mais rejeitado do que Lula, cuja vantagem decisiva veio sobretudo de camadas da classe C das regiões e cidades mais prósperas do Sudeste – as mesmas que sustentaram o crescimento “de direita”.

Houve duas eleições, e o primeiro turno compôs um Congresso de esmagadora maioria de “centro-direita” (é sempre complicado na maçaroca ideológica brasileira operar com “direita” e “esquerda”). A segunda eleição foi disputada entre dois medos, e a “mágica” do nome Bolsonaro revelou-se, pela segunda vez, incapaz de superar a senilidade e o desgaste do lulopetismo.

Os operadores políticos de agremiações de “centro-direita” conformaram-se em levar adiante um candidato que, de saída, consideravam muito fraco e vulnerável, pois renderam-se a ler pesquisas que, diga-se de passagem, erraram tanto no primeiro como no segundo turno. Estavam concentrados sobretudo em eleger bancadas – isso não é cinismo, é a regra para sair sempre “vencedor” nesse jogo.

Agora estão preocupados com a distribuição dos nacos da máquina pública enquanto vai ganhando velocidade a confluência de duas crises. A primeira é a econômica, na qual Lula não dá sinais sequer de entender a gravidade da armadilha fiscal que armou para si mesmo. A segunda é a degradação institucional, com a ala de força do STF dobrando a aposta nas condutas que levaram à perda de legitimidade e credibilidade do Judiciário.

Áreas e atividades mais dinâmicas do País, não importa a região, estão desenvolvendo valores culturais e também políticos que sugerem realinhamento de correntes quem sabe alheias aos populismos destrutivos da atualidade – mas isso é música para o futuro. Crises da abrangência e profundidade como a que está em curso neste instante demandam novos nomes de lideranças.

A “esquerda” está presa ao ocaso de Lula. A “direita” agora começa o procurar os seus.