domingo, 1 de novembro de 2026

BOM DIA ... Ignácio de Loyola Brandão !

 


Para Mariz de Oliveira

Dicionários são fundamentais na língua. Assim, a fuga do candidato à Presidência me levou ao Dicionário de Provérbios e Curiosidades, de R. Magalhães Júnior (1954, Cultrix). Um manancial.

Em minha infância e juventude, havia variados provérbios sobre covardia. Quando, na briga, o adversário caía fora, corria para casa ou pedia socorro ao pai ou ao irmão, dizíamos: “Correu de medo, cagou no dedo”. Quem se safava de uma luta, ou se acovardava sabendo que ia apanhar, ficava marcado como mariquinhas, poltrão, fracalhão, fujão, maricas (assim no plural), molengão, amulherado, menininha ou afeminado. Falo dos anos 1940, princípio dos 50 – décadas distantes do atual politicamente correto cancelador. Magalhães continua atual. Verdades são eternas. Listas correm o perigo de trazer um tom machista, como se as mulheres fossem fracas, medrosas, covardes, etc. Essas designações hoje provocariam cancelamento, ainda que algumas ainda sejam usadas e reflitam o contexto da época. O machismo alfa continua vigente.

Um professor de latim, certa vez, a propósito de um aluno que, acovardado, fugiu de uma briga, caracterizou-o como “fescenino”. O padre Bernardo, do Carmo (Araraquara), ao ver um sujeito correr da briga na porta da igreja, comentou: “Fia-te na virgem e não corras”.

Outro colega, ao perceber um jovem safar-se de uma briga, exclamou (lembro-me até hoje): “Você é um dois de paus”. Depois, descobri que “dois de paus” é um sujeito insignificante, podendo-se dizer que é covarde. O dois é uma das cartas mais baixas do baralho.

Outro provérbio dicionarizado que se ajusta ao nosso fujão é: “Do prato à boca, perde-se a sopa”. Ou seja, ninguém deve contar com o resultado antes do tempo, porque ainda podem acontecer grandes transformações. Mas há outro dito popular que se ajusta ao fujão: “Doutor de mula ruça”. É o mesmo que charlatão. Rápido, descubro a expressão “Enfeitar-se com penas de pavão”. Sabemos que é a mais bela das aves e que a expressão se refere a alguém vaidoso além das medidas, que busca passar por aquilo que não é.

Uma delícia viajar com R. Magalhães. A cada instante eu o vejo definindo o ocorrido: “Entre a boca e a mão vai o bocado ao chão”. E foi rápido. Mal ele disse que ia processar, anular, prender e soltar, além de outras basófias, saiu correndo para os porões de Mar-a-Lago (US$ 538 milhões), em Miami, abrigado pelo outro “mermão” americano, que também um dia há de cair. O amigo dele, viciado em sexo juvenil, Epstein, não se matou (ou foi morto) assim que entrou na prisão em Nova York? Como o sicário aqui.