quinta-feira, 30 de março de 2017

LONG BEACH, CALIFORNIA


1976 - Pessoal, o Ricardo Divila lembrou no tweeter dele que a 41 anos, no dia 28 de março de 1976 no Grande Prêmio dos Estados Unidos Costa Oeste, o Copersucar Fittipaldi FD 04/1 marcou o seu primeiro ponto. Em uma entrevista ele cita o FD04 como seu carro favorito.




" Tudo o que os outros fazem, nós podemos fazer melhor ".

Este lema norte-americano foi também aplicado aos circuitos. Quem haveria de prever que em 1976, numa época em que a ecologia e o meio ambiente das cidades é discutido e defendido, num país em que a segurança automobilística atinge níveis por vezes até absurdos, pudesse ser criado um circuito de rua. Isto quando todos os pilotos de Fórmula 1 têm feito o possível para acabar com Mônaco, do qual Long Beach pretende ser uma réplica.

Concebido por Dan Gurney e Chris Pook, este circuito mereceu elogios de todos os pilotos de Grande Prêmio que acharam "tão seguro quanto uma pista moderna", como afirmou Emerson Fittipaldi. Realmente os americanos conseguiram desta vez usar bem todos os seus dólares.

Paredões de concreto faziam a limitação da pista, solução mais prática e segura que os guard-rails montados em buracos feitos nas ruas, como em Mônaco. Nos lugares em que foi necessário montar os guard-rails estes foram presos à tambores de gasolina cheios de areia.

Nos pontos em que havia o perigo de embates frontais, em vez dos alambrados foram usados montes de pneus velhos ligados entre si. Desenrolando-se os 3.220 metros de perímetro através da cidade, todas as curvas tinham uma escapatória graças ao próprio desenho de ruas. Deste modo, o circo da Fórmula 1 ganhou mais um circuito de rua. Gordon Murray, projetista da Brabham, estava entusiasmado:

" Gostaria de ver mais circuitos como este. Tornamo-nos comodistas. Nossos carros e pilotos deviam também se adaptar à este tipo de circuito. Long Beach é o desafio que precisávamos. "

Sob o aspecto promocional Chris Pook montou uma série de eventos de forma a despertar o interesse do público norte-americano.

Desde uma maravilhosa corrida de carros antigos com a presença dos grandes campeões do passado, como Juan Manuel Fangio, Stirling Moss, Phil Hill, Jack Brabham, René Dreyfus, Maurice Trintignat entre outros, até concurso de elegância para os carros da Fórmula 1, mostra de miniaturas de carros de competição e colocação do paddock em recinto fechado com anfiteatro para o público. Este foi o primeiro Grande Prêmio à ser realmente promovido como um verdadeiro circo.

Com o Queen Mary como fundo, e todo o ambiente de uma cidade de veraneio, esta corrida teve o sabor de um Mônaco americano, tanto mais que a pista, por ser de rua, se assemelha à monegasca.

Foi bom ter mais um circuito de rua, numa época em que os requisitos de segurança impostos pelos pilotos tendem  a os fazer acabar.




Clay Regazzoni domina o primeiro Grande Prêmio em novo circuito de rua dotado de todas as condições de segurança. Niki Lauda em segundo. Acidente de James Hunt com Patrick Depailler. Ingo Hoffmann não larga com o FD-04. José Carlos Pace perde tempo com ferramenta solta dentro do carro.

Ah, a corrida, é verdade. Monótona com os dois Ferrari fazendo sua primeira dobradinha do ano, com Regazzoni comandando desde os treinos e liderando a corrida da primeira à última volta, sobre um Niki Lauda menos certo, e com problemas de vibrações nas rodas dianteiras a partir do meio da prova.

O circuito é duro para carros e pilotos, requisitando grande resistência das suspensões e transmissões para suportar os saltos bruscos que fazem levantar as rodas no ar, e grande concentração mental nesta sequência infernal de 12 curvas, de retomadas e freadas fortes.

Nos treinos, só a March quebrou cinco semi-eixos em seus carros. O número de batidas também foi elevado, e até Emerson Fittipaldi deu um toque num guard-rail quando guiava o carro como um Kart.

Para o Brasil esta corrida ficou histórica. O Copersucar Fittipaldi conquistou seu primeiro ponto de campeonato. Numa pista destas, em que as melhores marcas quebraram foi proeza de vulto. Para o carro e para Emerson, que logo na 2ª volta foi abalroado por Hans Stuck, perdendo mais de 20 segundos, e baixando para último lugar.

Emerson conseguiu escapar das batidas da primeira volta que eliminaram Vittorio Brambilla e Carlos Reutemann. Foi, um primeiro ponto com sabor de vitória.

Claro que o brasileiro se beneficiou com os abandonos dos outros e da falha do câmbio de Jean Pierre Jarier nas últimas voltas, que o fez perder o sexto lugar para Emerson, que por sua vez havia sido ajudado pelo vácuo de John Watson durante várias voltas, conseguindo virar em 1m 24,2s.

José Carlos Pace, com o Brabham mais acertado que nas provas anteriores, teve um problema fora do comum: um mecânico esqueceu uma ferramenta junto aos pedais. Com a parada no box e o rodopio que fez, acabou perdendo muito tempo.

Ingo Hoffmann teve excelente atuação, embora não tenha feito tempo suficiente para largar. Mas, isso se deve apenas à falha de motor no último treino.

Dois franceses ocuparam brilhantemente os terceiros e quarto lugares, Patrick Depailler e Jacques Laffite. James Hunt colidiu com Depailler, e na excitação do momento, abandonou o carro sem ver que estava intacto, e que poderia continuar. Ocupava então o quarto lugar.

Embora monótona, devida à supremacia dos dois Ferrari, esta corrida serviu para mostrar quais os pilotos que têm a concentração e a técnica suficiente para guiar num circuito de rua sem bater. Mais uma vez foram poucos os que passaram no teste. Por outro lado também mostrou quais os carros realmente resistentes.







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