sexta-feira, 14 de julho de 2017

DAUPHINE




1956 - Dizem os dirigentes da Régie Renault que a idéia de lançar o "Dauphine" remonta ao mês de julho de 1951, quando, certa noite, cinco homens se reuniram em tôrno da mesa do diretor geral.

O novo modêlo, cuja criação levaria cinco anos, seria um meio têrmo entre o Renault de 4 CV (muito popular e destituído de confôrto) e a série de Frégates que hoje fazem o prestígio da grande usina francesa, mas cujo preço não é acessível à chamada classe média.

Pois bem, o "Dauphine" tornar-se-ia de ampla aceitação popular não só pela maior beleza de linhas e estilização geral, como pelo motor mais potente e o confôrto oferecido aos quatro ocupantes.

Transcorridos quase cinco anos, a Renault apresenta o "Dauphine" nestes princípios de 1956, num lançamento de grande encenação no "Palais de Chaillot", e o "L' Auto-jornal", de Paris, estampa anúncio de página inteira: "Dauphine, rival do Volkswagen".

Com efeito, a preocupação de rivalizar com o Volkswagen é tanta e tão evidente que nem precisaria constar em letras de fôrma no cabeçalho.


Simpático o brôto da indústria francesa

Pois bem, está aí o "Dauphine", pronto para conquistar o público. Vejamos de que predicados êle foi dotado pelos seus fabricantes para a ambiciosa tarefa.

Antes de mais nada, os técnicos da Renault procuraram construir um carro ao mesmo tempo confortável e econômico. Assim, o "Dauphine" comporta folgadamente quatro passageiros e possuiu quatro portas.

A exemplo do Volkswagen e do 4 CV, o motor é traseiro, e por isso os ocupantes do banco dianteiro podem esticar as pernas à vontade.

Preocupada inicialmente com a importância do lançamento que se realizou em Paris, no dia 6 do mês passado, só agora a Renault cuidará de acelerar a cadência da produção que, em julho próximo, deverá alcançar 350 unidades por dia, e talvez 500 unidades em outubro.

O objetivo final é a fabricação de 1.000 "Dauphines" por dia. Atualmente, a produção total da Régie Renault é de mil veículos diários, somados os diversos tipos fabricados pela maior indústria automobilística francesa.

Sabe-se que a Renault espera construir dois mil veículos, de todos os gêneros, por dia, lá por volta de 1960. Com particular orgulho, a grande fábrica francesa gosta de chamar a atenção para o fato de haver produzido até hoje 765.000 Renault 4 CV e 120.000 "Frégate".

Presentemente, a Régie Nationale des Usines Renault sobressai como a maior fábrica francesa de automóveis, e na produção mundial, ela se coloca em sétimo lugar.

Espaço folgado para quatro, para maior comodidade 4 portas


A febre da motorização tomou conta do mundo e o automóvel torna-se dia a dia mais acessível ao povo graças à fabricação em escala cada vez maior de carros populares, baratos e econômicos.

Na Alemanha, são os Volkswagen, o DKW, o Loyd, o Goggomobil, os pequenos Mercedes e o Messerschmitt, para citar os principais.

Na Itália, o Fiat 600 e o 1.100, assim como o Iseta. Na Inglaterra, o Austin e o Morris e na França, o Citroen, o Simca e o Peugeot e agora o Dauphine.

Em outras palavras, dentro do padrão popular, carros de vários tipos e vários preços, já acessíveis a quase todo o mundo.

O "Dauphine" é mais um dêles, planejado para conquistar as simpatias de um vasto público internacional.








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