quarta-feira, 31 de outubro de 2018

MAX WILSON X RENATO RUSSO




1993 - Alain Prost odeia Ayrton Senna, que abomina Nelson Piquet, que não morre de amores por Nigel Mansell.

Parece inevitável: a rivalidade entre pilotos sempre permeou a história do automobilismo, e se repete na Fórmula Ford. Desta vez, o ódio é semeado entre Max Wilson, da Morioka Racing, e Renato Russo, da Banespa/Sachs/Logan.

A tentativa de superar o líder Cristiano Da Matta, da equipe Texaco/Petrópolis, detonou a briga entre os dois a partir da quarta prova, em Curitiba (PR), e se estendeu à etapa seguinte, em Brasília (DF).

Nas duas corridas anteriores, Max Wilson já havia arrumado confusão.

A vítima, até então, era o piloto Marcelo Carneiro, da Castrol/Auto Capital. Em São Paulo, os dois bateram, numa tentativa de ultrapassagem "radical" de Max Wilson.

Depois, no circuito de rua de Florianópolis, Carneiro sofreu uma fechada de Max na reta dos boxes, que resultou em nova batida.

O desentendimento, então, envolveu até o chefe da equipe de Max, Mario Pati Junior, e quase acabou em agressão física.

Mas foi em Curitiba que Renato Russo assumiu o papel de inimigo maior.

Max Wilson liderava até a última volta, quando perdeu a dianteira para o rival. Na tentativa de recuperar a posição, Max se chocou enquanto ultrapassava Renato Russo, que ficou sem o aerofólio e terminou em segundo lugar.

Só que o pior ainda estava por vir.

Revoltado, Russo bateu propositalmente em Max na volta de comemoração, sendo desclassificado da prova.

"Eu só havia forçado a ultrapassagem", explicou-se Max Wilson.

"Ele jogou seu carro sobre o meu de propósito", devolveu Renato Russo.

Com seus carros em condições imprestáveis, os pilotos tiveram dificuldades para repor as peças e não encontraram tempo para treinar, visando a corrida de Brasília, onde novo embate aconteceu bem na primeira volta.

Renato Russo largou em terceiro, logo atrás de Max, e deu-lhe um leve toque, arrancando-o da pista.

A bandeira preta sinalizou que Russo deveria abandonar a prova. A confusão foi aramada nos boxes, para evitar novo encontro da dupla.

"Não tive culpa", dizia Renato Russo.

"Ele agiu de propósito", protestava Max Wilson.

Enquanto isso, medidas drásticas não são tomadas pelos comissários, e os dois inimigos prediletos da Fórmula Ford continuam se digladiando.