1968 - No dia 30 de setembro último o Royal Automobile Club de Londres, autorizado pela FIA, Federação Internacional do Automóvel, expediu a carteira internacional número 03871.
É a nova carteira do pilôto brasileiro Antônio Carlos Bugelli Avallone, que foi à Europa tentar a sorte no automobilismo e, enfrentando uma série de dificuldades, conseguiu seus primeiros êxitos.
E acaba de ser contratado para pilotar o nôvo Lotus de Fórmula-Ford 1969, integrando a equipe que já conta com David Walker e Maurice Hannas. Suas atividades na Lotus começam já na fase de testes do nôvo chassi do carro.
Há um ano, quando se preparava para embarcar para Londres, Avallone ainda participou de algumas corridas do campeonato regional, em São Paulo e no Rio de Janeiro.
Finalmente viajou, tendo para ajudá-lo apenas muito otimismo e perseverança.
Previa as dificuldades que veio a ter com a FIA, devidas à oposição do Automóvel Clube do Brasil a suas ambições.
O Automóvel Clube do Brasil enviou várias cartas à Federação Internacional, a fim de não deixá-lo correr na Inglaterra. Mas o britânicos descobriram uma maneira de fazê-lo escapar a qualquer proibição.
Deram-lhe a carteira (internacional e inglêsa) com base nas corridas que fêz por lá, nesta temporada, sem levar em conta o seu passado de corredor no Brasil: dez observadores do RAC verificaram o seu comportamento nas pistas da Grâ-Bretanha, antes de assinar a ficha especial para a concessão de carteira.
Além disso, Avallone foi obrigado a se matricular numa escola inglêsa para pilotos e começar tudo de nôvo, como se ainda fôsse um estreante qualquer.
Ao chegar a Londres, Avallone conseguiu participar de uma prova da Fórmula Ford, válida para o campeonato britânico da categoria. Obteve o terceiro lugar nessa prova e Jim Russell, que o viu correr, convidou-o a formar dupla com David Walker, na equipe Lotus.
Nos treinos para a prova, Antônio Carlos Avallone havia assinalado o tempo de 1m5,1s, numa pista cujo recorde é de 1m4,5s.
Outros bons resultados foram obtidos depois pelo brasileiro Antônio Avallone: terceiro lugar em Snetterton, com média de 148,028 Km/h; quinto lugar em Mallory Park, onde assinalou nôvo recorde para a pista, com o tempo de 39s8. Em Silverstone, nas provas de classificação para uma corrida, Avallone registrou o tempo de 1m11s8, apenas seis décimos acima da melhor marca alcançada: 1m11s2.
Hoje, o carro amarelo de Avallone, com um nome pomposo, "Brazil's Coffee Team Avallone", e a bandeira brasileira pintados na frente do carro, começa a aparecer nas corridas inglêsas.
Dois filmes de curta-metragem para a COI (Central Office Information), um em português, outro em espanhol, e entrevistas na BBC deixaram Antônio Carlos Avallone entusiasmado.
Mas o que emociona mais é ver a bandeira do Brasil tremulando galhardamente nas pistas britânicas. Ela registra a presença de um brasileiro na "Corte do rei Arthur"...