sábado, 26 de fevereiro de 2011

DAYTONA 500

.
.
" Você não está pilotando aqueles leves carrinhos de corrida de um assento só. Deixe um carro da NASCAR se desviar ligeiramente de um vácuo, a 200 milhas por hora, e de repente você tem uma tonelada e meia de peso morto descontrolado nas mãos. Enquanto os pilotos da Fórmula 1 desenvolvem seus talentos através de uma combinação de reações rápidas e antecipações, em DAYTONA o que vale são nervos de aço. A experiência é que paga os dividendos. Você não vê jovens de 25 anos no comando de um Boeing 747, vê ? É nisso que está a diferença. "
.
King RICHARD PETTY, 1975
.
.
1975 - Sorrindo tranquilamente, indiferente aos que acusam as corridas americanas de alucinados festivais de velocidade, o grande campeão Richard Petty fez essas declarações enquanto se preparava para a largada sensacional das " 500 Milhas de Daytona " a prova mais importante do campeonato NASCAR, especial para carros de série.
.

.
É um desafio que merece resposta. Pois, a rigor, qualquer volante de Fórmula 1, na opinião de Petty , precisa apenas de habilidade no pilotar. Porque a resistência humana é provada, de fato, nessas corridas de STOCK CARS, onde, ao peso normal de um automóvel de série com 5 lugares, os mecânicos acrescentam pesadas chapas de aço e outros acessórios para firmar a aderência e torná-lo resistente às colisões.
.
Talvez não passe de mera provocação. Sabe-se que os americanos fazem de tudo para dar o devido destaque às competições do seu calendário automobilístico que marcou, uma semana antes do Grande Prêmio da Africa do Sul, a realização das sensacionais 500 Milhas de Daytona.
.
É a mais importante das 30 provas que compõem o campeonato NASCAR, por ser a mais antiga e tradicional. DAYTONA tem o mesmo fascínio que Le Mans ou Monza exercem sobre qualquer jovem que pegue numa direção. Ovalada, com extensão de duas milhas e meia, sua pista apresenta uma inclinação de 31 graus. Desde a inauguração, em 1959, quando Lee Petty, pai de Richard, venceu por centímetros de diferença a Johnny Beauchamp, a Daytona 500 adquiriu um aspecto lendário que poucas provas possuem.
.
Nestes 16 anos, a Daytona 500 tem um passado já incorporado ao folclore automobilístico. Nas semanas que antecedem à corrida, não se fala em outra coisa senão no dia em que Lee Petty atravessou o muro lateral, em 1961. Discute-se a primeira vitória de seu filho King Richard Petty, em 1964. Recorda-se, com tristeza, a morte do "garoto de ouro" da cidade, Fireball Roberts, vitimado numa pista de Charlotte, também no sul do país.
.
Nos gigantescos palanques que ornamentam a linha de largada e os boxes, todos esses heróis tem seus nomes perpetuados, ao lado de De Palma e Joe Weatherly. E não se trata de mero sinal dos tempos de nostalgia, pois Daytona, na boa tradição americana, sempre cultuou o lado bom do passado.
.
Para a NASCAR - North American Stock Cars Ass. - isso não deixa de ser um apoio logístico. Fundada por Bill France, a entidade passou agora às mãos de seu filho, William Jr. E embora as aparências eganem, o chefe do clã tem uma sensibilidade aguda: prevendo a crise de energia, dois anos atrás, implatou uma série de modificações que salvaram a categoria da decadência que, por exemplo, arrasou com a CAN-AM. Assim, a NASCAR entra em 1975 com autódromos lotados e excelentes patrocínios, que garantirão uma boa rentabilidade.
.

.
É como o futebol: os ídolos do passado não conseguem se desligar da atividade que os consagrou, e muitos pioneiros, corredores de terra ou areia nos anos do pós-guerra, continuam por ali. Técnicos, preparadores ou apenas pais de promissores pilotos, os veteranos mostram que a NASCAR não devora seus mitos.
.
Junior Johnson, que ganhou Daytona 500 em 1960, é hoje proprietário e preparador de um Chevrolet. Seu piloto é Cale Yarborough, que faturou mais de 240 mil dólares na Winston Cup - o Campeonato Nascar - do ano passado. Lee Petty, é lógico, anda pelos boxes admirando seu filho. E Richie Panch, filho de Marvin, que venceu em 1961, troca idéias sobre a prova.
.
As características se modificaram bastante. Em 1973, meados da temporada, obrigou-se à instalação de uma placa no carburador, para desencorajar o uso de motores de sete litros. Como a escassez de combustível não afetara, ainda, o mundo ocidental, a medida não surtiu efeitos. Autoritária, mas profética, a NASCAR decidiu determinar o carburador que cada equipe deve usar, de acordo com as dimensões dos motores. Assim, já na temporada passada os enormes V8 estavam expulsos da pista.
.
As provas de qualificação, que determinam a posição de largada, vão sendo anunciadas. Richard Petty, muito calmo, exibe um largo sorriso ao posar diante do seu Dodge STP de cores vermelha e azul. Sua estréia na temporada de 1975 não fora das melhores. Na prova inaugural de Riverside, Califórnia, Petty arremessara seu bólido, com freios a tambor, contra o muro de proteção. Isso acontecera no instante decisivo, quando estava colando no Matador AMC Penske de Bobby Allison, que acabou ganhando. Por incrível que pareça, Richard Petty conseguiu cruzar a linha de chegada, com seu carro cambaleante, tendo a frente dependurada, arrastando-se no chão.
.
Ao contrário dos severos regulamentos europeus, as corridas dos EUA não eliminam o concorrente cujo automóvel estiver ostensivamente avariado. Afinal, basta observar as robustas estruturas de aço que protegem as máquinas da NASCAR, para descobrir porque seus pilotos, na maioria das vezes, escapam ilesos de choques terríveis a 200 milhas horárias. Os muros é que acabam sofrendo mais.
.
O que sobrou do Dodge de Jim Vandiver
.
Atualmente, nenhum piloto chega aos pés de Richard Petty, que se consagrou mais ou menos na mesma época em que Jackie Stewart brilhava na Fórmula 1. Educado e esportista, Petty arruma seu chapéu Stetson e confidencia: " O velho Dave Pearson, francamente, é o que tem mais chances de me vencer . "
.
No quadro de favoritos, portanto, dois nomes eram obrigatórios: Petty e Pearson. À dupla, era presciso acrescentar o piloto que garantiu a Pole Position: Donnie Allison, que preparou pessoalmente um Chevrolet Di Gard, numa oficina que montou diante do circuito.
.
Quietão, mas extremamente simpático, Allison persegue o êxito há várias temporadas. Com menos sorte que seu irmão Bobby Allison, somente agora é que conta com uma boa retaguarda técnica e econômica. Patrocinado por dois prósperos empresários de Connecticut, Donnie transferiu-se de Hueytown, Alabama, para Daytona Beach, e as vitórias começaram a aparecer. Seu último triunfo aconteceu em Talladega, recentemente. E, nas 500 Milhas de 74, Donnie liderou a competição até a volta 195, quando teve um pneu furado. Dessa forma, Petty triunfou sossegadamente, enquanto Donnie amargava uma sexta colocação.
.
Bobby o garoto de fama da família Allison, garantiu uma boa colocação de largada ao vencer, na sua bateria, o Ford de Buddy Baker. Essa bateria é disputada em 125 milhas e representa uma amostra da grande corrida, pois são muito disputadas.
.
A.J. Foyt, o Super Tex, famosíssimo no mundo inteiro, não passou de um quarto lugar na qualificação, pilotando um Chevy da Equipe Gilmore Racing. Desapontado mas indiferente, o veterano corredor disse que vai se limitar a uma curta temporada da NASCAR, reservando mais tempo para a Fórmula USAC. A declaração veio depois de uma violenta crise de nervos, pois Foyt fundiu cinco motores, fato que deixa qualquer um louco de ódio. E era o que ele parecia transmitir, encarando com ar de desânimo seu Chevy alaranjado.
.
A posição de largada para a Daytona 500 definiu-se sem maiores complicações. Na pole-position, Donnie Allison, seguido de Richard Petty. Mais atrás, vinham Richard Brooks e Cale yarborough. Na quarta fila, apareciam Lennie Pond com Chevy e Dave Marcis com Dodge. No quinto par, alinhavam A.J.Foyt e Richard Panch. Atrás deles, estavam Johnny Rutherford, último vencedor das 500 milhas de Indianápolis, e Dave Sisco.
.
.
O aperitivo desse grande sábado assinalava uma prova de 300 milhas, para carros antigos: são veículos NASCAR que conseguiram sobreviver às sucessivas temporadas e continuam aguentando na mão de pilotos inexperientes. Sim, porque, em geral, os participantes são rapazes que sonham em entrar no roteiro do Grand National, embora não faltem astros decadentes, a caminho da aposentadoria.
.
O vencedor foi Jack Ingram, de ponta a ponta. Saindo na pole position, levou com muita classe o Chevy preparado por Banjo Matthews ao triunfo. O melhor da preliminar, porém, foi a mais sensacional colisão jamais vista em Daytona.
.
Na segunda volta, Terry Mack e Red Farmer ficaram virtualmente emparelhados. Na tentativa de ultrapassagem, os parachoques se enroscaram um no outro, fazendo com que Mack e Farmer tivessem, cada um, a tonelada e meia de peso que Richard Petty mencionara. As câmeras da TV transmitiram, coast-to-coast, as capotagens sucessivas dos dois bólidos, um sobre o outro. Miraculosamente, nenhum deles sofreu mais que algumas leves escoriações.
.
Encerrada a prova dos velhinhos, a platéia foi entretida com um desfile tipo corso, com a apresentação dos carros-madrinha. Cada um representava um circuito do sul dos Estados Unidos, ornamentado por uma linda garota com as pernas de fora.
.
Em seguida, os pilotos da Daytona 500 tiveram seus nomes anunciados e aplaudidos. Na tribuna instalada diante dos boxes, eles cumprimentavam a platéia, enquanto seus carros, pintados com as cores mais berrantes que o gosto americano pode imaginar, eram levados para a pista. Está chegando a hora.
.
O alto-falante agradece nominalmente a presença das autoridades e o capelão faz um breve sermão. São lançados ao ar centenas de balões coloridos, assinalando dessa forma que a brincadeira chegara ao fim. E que, a partir desse instante, 12:50 horas de um sábado ensolarado, iniciava-se a contagem regressiva.
.
A.J.Foyt / Chevy
.
O carro-madrinha iniciou, então, o pace-lap. Atrás do Plymouth todo iluminado, vão rodando os automóveis NASCAR, a uma velocidade calculada de 110 milhas horárias. Quando passam pelo palanque, alguns deles acenam para as arquibancadas. Quando o carro-madrinha entra nos boxes, os competidores mantem o train, ordenadamente enfileirados, aguardando a bandeirada de largada.
.
As luzes ficam verdes. De repente, cerca de 22 mil cavalos de força explodem furiosamente, e inicia-se o mais alucinado festival de velocidade do mundo. A pista, como todos sabem, tem um formato tri-oval, com uma inclinação de 31 graus. Acelerando tudo o que pode, Donnie Allison põe seu Chevy na ponta, enquanto em filas duplas, vem seguindo os demais.
.
Petty é o seu mais direto perseguidor, fazendo bom uso de seu vácuo. " A essência do sucesso nas corridas de stock-cars, explica sempre King Petty está na perícia do piloto em usar o vácuo do outro em seu benefício. Principalmente em pistas ovais. "
.
No retão dos boxes, os carros dão a nítida impressão de estarem decolando, tal é a sua velocidade. Ligeiramente distanciados dos líderes, surgem A.J.Foyt com seu Chevy cor de laranja berrante, Cale Yarborough, Dave Pearson e Bobby Allison. Na curva um borrão multicolorido se move velozmente, quando, a mais de 170 milhas, Petty sai do vácuo, ameaça se chocar contra o muro de proteção e toma a dianteira. A pláteia delira, quando vê o Dodge vermelho e azul completar a segunda volta no comando da corrida. Suas emoções mal começaram.
.
Na reta oposta, o texano Foyd exige tudo do seu Chevy e ultrapassa Donnie. Sem ligar para o vácuo ou outros macetes, imprime 200 mph de velocidade e deixa também Petty para trás. Antes que a terceira volta se completasse, o panorama já está emocionante. E os acidentes começam a ocorrer.
.
O Dodge de Jim Vandiver perde a direção, rodopia fora da pista a 160 mph. Grant Adcox num Chevy não consegue evitar a colisão, e Dick Trickle também se envolve no acidente. O cantor folk Marty Robbins, cujo Chevy já batera na prova de Riverside, faz de tudo para desviar daquele monte de ferros retorcidos, mas é impossível.
.
A luz amarela lampeja desesperadamente em todo o circuito, sem evitar, contudo, que dois outros veículos se choquem, elevando para seis o número de pilotos fora da prova. São eles, Dan Daughtry, com um Ford e D. McDuffie, que aarrasou literalmente seu Chevy, além de ser o único a receber ferimentos: um corte no queixo.
.
Bobby Allison / AMC Matador
.
Por sete longas voltas, os participantes, obedientemente andam enfileirados, precedidos pelo carro-madrinha. Os destroços são removidos e, quando a luz verde é novamente acesa, Foyt e Petty disparam. Tão velozmente que, em pouco tempo, deixam para trás o grupo intermediário de Buddy Baker, Dave Pearson e Donnie Allison.
.
Em menos de 45 minutos de prova, Donnie Allison desiste, com um misterioso problema de combustível. Mais tarde, o defeito foi descoberto: ruptura da bomba de gasolina. Mal retornara aos boxes, e o segundo Chevy da equipe, conduzido por Johnny Rutherford, rodopia violentamente por causa de um pneu furado.
.
" Velho, não foi brincadeira. Quando aquele pneu estourou, tudo começou a girar, não havia controle nenhum " , lembrava o vencedor das 500 Milhas de Indianápolis de 1974. As luzes amarelas de advertência voltaram a brilhar, enquanto Rutherford providenciava a troca do pneu.
.
Volta 61: Richard Petty mantém firme a liderança. A pressão, agora é de Buddy Baker com um Ford, pois o Super Tex Foyt vai ficando para trás. A borracha de seus pneus estava se soltando com facilidade, deixando marcas pretas no asfalto. Nessa altura, o Chevy de Rutherford está soltando fumaça pela traseira, liquidando definitivamente suas possibilidades.
.
E na centésima volta, Petty fica em maus lençóis. Conserva a vice liderança, mas o campeão da Grand National não consegue ficar no vácuo de Baker. Olha preocupado para o medidor de temperatura e, quatro voltas depois, entra no box. Faz uma revisão de meio minuto, quando metade da prova já foi cumprida. Trinta segundos talvez sejam poucos para os padrões europeus, mas quando King Petty retorna, está em oitavo.
.
O pelotão dianteiro está com Baker, Cale Yarborough e David Pearson, voando a 190 mph, praticamente juntos. O Matador Penske de Bobby Allison está em quarto, seguido por uma folclórica figura das competições: o fazendeiro Coo Coo Marlin, que corre pelo puro prazer de correr. Foyt vem depois. Ganhando posições, progressivamente, surge Benny Parsons que faturou o Grand National há dois anos. Com um Chevy particular, Parsons vai se aproximando dos dez primeiros, mas ninguém nota sua ascensão.
.
Os líderes, na segunda metade da Daytona 500, sofrem problemas. Petty volta aos boxes, e os mecânicos desconfiam que a junta do cabeçote está prestes a se romper. Nada fazem senão completar a água do radiador, fazendo figa enquanto o Dodge retorna à prova. O Chevy de A.J.Foyt perde a embreagem, mas ele continua
.
Benny Parsons
.
Na terceira colocação, vem Bobby Allison, à frente de Coo Coo Marlin. Em seguida Benny Parsons, ele que saíra nas últimas posições, permanecendo no bloco da lanterna mais da metade da prova. Três voltas antes do final, Dave Pearson tenta ultrapassar Cale Yarborough e Rich Panch, que estão perdendo colocação. Petty vem atrás dele.
.
Quando vencem a curva para entrar na reta oposta, o Mercury de Pearson cai para a esquerda e rodopia. Seu Mercury vai parar, melancolicamente, no gramado central, enquanto ele sai visivelmente irritado do carro.
.
Benny Parsons, que já surpreendera ao conquistar a temporada de 73, não tem maiores dificuldades em faturar a Daytona 500. Recebe a bandeirada de chegada e, logo depois, o silêncio vai tomando conta das duas milhas e meia do circuito ...
.
1975 - DAYTONA 500
.
  1. Benny Parsons / Chevrolet
  2. Bobby Allison / AMC Matador
  3. Cale Yarborough / Chevrolet
  4. David Pearson / Mercury
  5. Ramo Scott / Chevrolet
  6. Dave Marcis / Chevrolet
  7. Richard Petty / Dodge
  8. Richie Panch / Chevrolet
  9. G.C. Spencer / Chevrolet
  10. James Hylton / Chevrolet

Best lap: Donnie Allison 185,827 mph

*

domingo, 20 de fevereiro de 2011

500 Km de Tarumã

.
José Asmuz e "Carioca"
.
1972 - Dos 28 carros que largaram para os "500 Quilômetros de Tarumã", dia 16 de julho, somente treze conseguiram chegar.
.
José Asmuz e Alfredo Oliveira, o "Carioca", venceram com o Opala numero 32. Nessa prova, segunda etapa do Campeonato Gaúcho de Viaturas Turismo, Divisão 3, a corrida maior foi nos boxes, onde os competidores já não lutavam pelo primeiro lugar, mas para continuar na pista até o fim.
.
Os vencedores da Classe B foram os irmãos Airton e Benoni de Carvalho, com o Volkswagen número 18 e da Classe A, os vencedores foram José Luís Madrid e Abílio Weiand com o Corcel número 65.
.
Depois de três meses sem corridas, os carros da categoria Turismo pareceram despreparados para provas longas; os favoritos foram quebrando desde o início, beneficiando o carro de Asmuz e Carioca, que na verdade estava preparado para disputar apenas a Classe C.
.
De qualquer forma, a vitória de José Asmuz nessa prova organizada em homenagem a Catharino Andreatta, o velho ídolo do automobilismo gaúcho, falecido em 1970, foi muito significativa: José Asmuz foi um de seus maiores adversários.
.

500 Quilômetros de Tarumã
.
Prova Catharino Andreatta
.
16 julho 1972 - Resultados:
.
.
CLASSE A
  1. Abílio Weiand/José Luís Madrid

  2. Décio Mihel/Elói Heinz

  3. Roberto Giordani/Paulo Hoerle

  4. Mauicio Rosemberg/Mauro Panitz

  5. Breno Job Freire/Antônio Miranda

-162 voltas, 4h16m47,48s, média de 114,155 km/h

CLASSE B

  1. Airton/Benoni de Carvalho

  2. Edgar/Joel Echel

  3. Arnaldo Rossá/Ricardo Train

  4. Raul Machado/Aires Scavone

  5. Lino/Denis Reginato

-165 voltas, 4h16m39,58s, média 116,329 km/h

CLASSE C

  1. José Asmuz/Alfredo Oliveira

  2. Mauro Galicchio/Walter Schuck

  3. Afonso/Ivan Igléias

  4. Sadi Âbe/Arnaldo Pasqual

  5. Claudio Mueller/César Pegoraro

-166 voltas, 4h16m31,8s, média 117,092 km/h

*

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

1978 Mônaco Grand Prix

.
.
Patrick Depailler primeira vitória
.
A primeira vitória de Patrick Depailler num Grande Prêmio teve sabor especial para os franceses: desde 1972 eles não ganhavam em Mônaco, o último tinha sido Jean Pierre Beltoise e, também pela primeira vez, um frânces liderava um Campeonato Mundial de Pilotos de F1.
.
A vitória de Patrick Depailler foi merecida. Em sua carreira ele havia conseguido nove segundos lugares, o último dos quais no Grand Prix da África do Sul, quando foi ultrapassado na última volta por Ronnie Peterson. Mas em Mônaco, depois de receber da princesa Grace o troféu pela vitória, ele foi muito aplaudido. Até os italianos reconheceram que Depailler mereceu ganhar, só que muitos deles justificavam a vitória do Tyrrell: "é a Ferrari francesa".
.
Atuação perfeita em sua primeira vitória na Fórmula 1. Ele teve alguns problemas para acertar o carro, principalmente no primeiro dia de treinos. Mas graças às informações fornecidas pelo computador instalado no seu Tyrrell, conseguiu largar na quinta colocação.
.
Niki Lauda / Brabham Alfa-Romeo
.
Os treinos da primeira sessão de classificação para o GP de Mônaco mostraram que Reutemann era o favorito. Ele conseguiu o tempo de 1 min 29,51s. O segundo foi Mario Andretti, enquanto que Emerson Fittipaldi ficou com o 12º tempo, que acabaria sendo o de largada. Na segunda sessão Emerson esperava receber pneus de compostos mais macios (a Goodyear tinha três tipos em Mônaco _ dois para classificação) mas Emerson ficou 45 minutos sentado no carro e só então recebeu pneus usados, não conseguindo melhorar o tempo, pois deu apenas cinco voltas e o treino terminou.
.
Enquanto isso Reutemann melhorava seu tempo e Niki Lauda subiu para a segunda colocação ao marcar 1 min 28,84s. Na última sessão, válida para definir as posições de largada, John Watson foi o destaque com o tempo de 1 min 28,83s, que lhe valeu o segundo lugar.
.

Jody Scheckter / Wolf
.
Quase todos os pilotos melhoraram a classificação nesse treino; apenas Emerson continuou com o mesmo tempo e quase ficou fora da corrida. A seguir o desabafo do Rato:
.
"Se eu tivesse tido pneus de classificação como quase todas as equipes, acho que poderia ter marcado ponto nesse Grande Prêmio de Mônaco. Talvez largasse entre os doze primeiros e pudesse brigar pelas colocações do Pironi e do Patrese. Reclamei muito da Goodyear, mas o máximo que consegui para a última sessão de treinos foi um jogo de pneus usado e desbalanceado que fez com que o carro se desequilibrasse completamente.
.
Prometeram que nas próximas corridas vou receber o mesmo tratamento dado às outras equipes. Só quero ver se cumprem o que estão prometento. Eles não estão considerando que a Equipe Copersucar-Fittipaldi é a única não-européia da Fórmula 1 e que por isso deveria merecer um pouco mais de atenção".
.
"Antes de viajar, fizemos um pequeno teste em Paul Ricard: os dois carros estavam com o motor falhando e isso me assustou muito, pois eram motores que tinham acabado de ser revisados. Resolvemos trocá-los em Mônaco, e isso não foi nem um pouco simples: deu um trabalho árduo para os mecânicos".
.
Depailler e Watson
.
"Iniciei o primeiro treino com o carro que teoricamente deveria apresentar menos problemas, mas dei azar pois o motor falhava muito. Saí com o segundo carro e a falha continuou. Trocamos várias coisas tentando sanar o problema, mexemos no sistema elétrico inteiro, até que depois de 40 minutos de treino o David Luff resolveu cortar o limitador de rotação, pois algumas vezes a falha provém dessa peça.
.
Sem o limitador, o motor começou a funcionar perfeitamente e uma das minhas maiores preocupações, então, era fazer um bom tempo na meia hora final para mostrar à Goodyear a injustiça que foi não terem nos dado logo nesse treino os pneus macios. Depois desse treino eu estava em nono entre os carros equipados com pneus Goodyear e tinha sido o mais rápido com os pneus duros.
.
O carro estava bom, mas os tempos não baixavam por causa dos pneus. Parei nos boxes e eles ainda não estavam à nossa disposição. Fiquei então quarenta minutos parado dentro do carro, esperando.
.
Tive vontade de morder o volante, chutar o painel e ir brigar com o pessoal da Goodyear. Confesso que foi o momento de maior frustação da minha vida. O que me deixou mais furioso foi que carros que tinham sido mais lentos do que o meu na primeira sessão receberam antes os pneus macios e puderam melhorar seus tempos.
.
No entanto, no acordo feito no começo do ano, eles disseram que, embora não pudessem fornecer pneus para todos, os forneceriam para os melhores. Ora, eu estava entre os melhores pilotos no primeiro treino. No último treino, me deram um jogo de pneus usado. Se alguém devolveu à Goodyear pneus de classificação foi porque eles não estavam bons. E foi isso que aconteceu. Não consegui melhorar meu tempo e só me classifiquei graças à meia hora do primeiro treino".
.

Ricardo Patrese / Arrows
.
Antes da corrida, os organizadores reuniram os pilotos para informar que, se houvesse problemas com o carro titular na volta de apresentação, haveria possibilidade de se correr com o carro reserva. Um carro oficial pegaria o piloto e o levaria para os boxes.
.
Uma coisa que chamou a atenção foi o centro de controle instalado em Mônaco. Numa torre de vidro de 20 metros de altura, os organizadores acompanharam os treinos e a prova por meio de 26 monitores de televisão em circuito fechado, que permitiam seguir cada carro pela pista toda. Havia também video tape, o que permitia reconstituir imediatamente qualquer ocorrência, e três canais de rádio, um para as ambulâncias, outro para a polícia e o terceiro para os fiscais.
.
Logo depois da largada, dois pilotos perderam as condições de lutar pela vitória: Carlos Reutemann e James Hunt. Logo após a reta dos boxes, os pilotos entraram juntos na curva St Devote, Watson fechou Lauda, que o estava ultrapassando, e o austriaco acabou batento na roda traseira da Ferrari de Carlos Reutemann. Com o carro desequilibrado, Reutemann bateu violentamente no guard rail, e James Hunt, que estava logo atrás, teve de frear; as rodas dianteiras bloquearam e ele também bateu no guard-rail. Reutemann e Hunt tiveram de parar nos boxes. Só que Hunt ainda retornou na mesma volta, enquanto o argentino perdeu uma. Lauda foi injustamente criticado pelos italianos por ter batido na traseira do carro de Reutemann.
.
Didier Pironi
.
Emerson conseguiu ultrapassar Rolf Stommelen na curva St Devote e passou em 17º lugar na primeira volta, colado na traseira do carro de Rupert Keegan. Na volta seguinte Emerson ganhou mais duas posições, quando Keegan e Stuck rodaram na curva Loews, colando na traseira do Renault Turbo de Jabouille.
.
Mas daí em diante ficou mais difícil para ele, pois o turbo quase parava nas curvas de baixa velocidade, porque precisa de mais espaço para frear, já que não tem freio-motor. Por causa disso ambos perderam contato com Pironi, Ickx e Patrese, que disputavam o 11º lugar.
.
A liderança de Watson era tranquila. A corrida estava movimentada e esperava-se que John Watson fosse manter a liderança até o final, mesmo porque em Mônaco é quase impossível ultrapassar. Mas ele teve problemas com os freios e não conssegiu contornar a gincana na 38ª volta e foi ultrapassado por Depailler.
.
Enquanto isso Lauda pôde mostrar seu talento ao se recuperar, ultrapassando Scheckter e novamente John Watson, chegando em segundo lugar com apenas 22 segundos de desvantagem para Depailler. Scheckter que conseguiu seus primeiros pontos do ano reclamava muito:
.
"Consegui esses pontos com meu velho carro, tendo que deixar o novo Wolf WR5 encostado nos boxes. Nos treinos, quebramos sete relações de marcha, provalvemente por culpa da suspensão redesenhada do novo modelo, que propociona melhor tração nas rodas motrizes. Por isso decidimos largar com o carro velho. De qualquer maneira, meu terceiro lugar foi ótimo, e talvez agora possamos vender nosso velho WR1 para um museu e torcer para o novo dar certo".
.
Emerson Fittipaldi / F5A
.
Emerson ainda acabou em nono lugar, mas depois que se livrou do turbo de Jean-Pierre Jabouille seus tempos melhoraram, no entanto sem qualquer chance de alcançar Carlos Reutemann ou Patrick Tambay. Ele explicou:
.
"Ele (Jabouille) era muito lento nas curvas, mas nas retas, quando dava força total, o carro dava um pulo e abria alguns metros de mim, não dando oportunidade para que eu chegasse ao seu lado na próxima freada. Depois de umas vinte voltas os pneus dele começaram a soltar pedaços, que batiam na minha viseira e no cockpit do carro. Pensei que logo ele pararia nos boxes. Mas continuou e, por algumas vezes, meu bico ficou paralelo com os pneus dianteiros do carro dele. Me deu vontade de bater na sua traseira, mas pensei no radiador de óleo, que fica no nariz do carro, e voltei atrás. Quando finalmente ele teve de parar para trocar os pneus, encontrei a pista limpa e senti que o Copersucar estava muito bem, faltava apenas um pouquinho de potência no motor. Ainda cheguei em nono e fiquei contente com a vitória do Depailler, que está há cinco anos na Fórmula 1 e nunca havia vencido um GP ".
.
Mônaco Grand Prix - 7 de maio 1978
.
  1. Patrick Depailler / Tyrrell 008
  2. Niki Lauda / Brabham Alfa BT46
  3. Jody Scheckter / Wolf Ford
  4. John Watson / Brabham Alfa BT46
  5. Didier Pironi / Tyrrell 008
  6. Riccardo Patrese / Arrows
  7. Patrick Tambay / McLaren M26
  8. Carlos Reutemann / Ferrari 312T3
  9. Emerson Fittipaldi / Copersucar F5A
  10. Jean Pierre Jabouille / Reunault RS01
  11. Mario Andretti / Lotus MK3
  12. Gilles Villeneuve / Ferrari 312T3
  13. Ronnie Peterson / Lotus MK3
  14. James Hunt / McLaren M26
  15. Rolf Stommelen / Arrows
  16. Alan Jones / Williams FW6
  17. Jacky Ickx / Ensign N177
  18. Hans Stuck / Shadow DN8
  19. Jacques Laffite / Ligier Matra JS09
  20. Rupert Keegan / Surtees Ts19

*

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Commendatore Carroll Shelby

.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Ecurie Ecosse

.


Que carro para Le Mans ?
.
Duas vitórias sucessivas na tradicional prova 24 horas de Le Mans projetaram o nome da organização dirigida por David Murray. Fundada há cinco anos, limitava-se mais a provas de âmbito nacional. Em 1956 arriscaram-se os dirigentes da Ecurie Ecosse a uma prova de grande projeção, Le Mans , até então considerada verdadeira prova para fábricas ou milionários, como Briggs Cunningham.
.
A confiança depositada no único Jaguar D Type que possuíam e uma paciente revisão e regulagem do mesmo pagaram dividendos. A grande prova foi vencida com galhardia; porém, a situação financeira da sociedade tornou-se insustentável. Auxílios diversos tornaram possível uma nova tentativa e nova vitória foi conquistada em 1957.
.
Aproveitou-se, então, David Murray para lançar um apelo aos entusiastas do automobilismo de competição contribuirem para a manutenção da equipe, a fim de livrá-la das dificuldades financeiras. A idéia foi aceita e imediatamente concretizada através da Associação Escuderia Escócia, uma espécie de clube, que promete retribuir os benefícios recebidos por meio de conferências, filmes, informações e (como não podia deixar de ser) emblemas.
.
Superada a crise financeira um outro problema surgiu para a temporada que ora se inicia: Com que carro competir ? Os modelos Jaguar D Type não são mais produzidos. O mais novo que a Escuderia possui, vai entrar no terceiro ano de fabricação. É certo, entretanto, que a equipe competirá em Le Mans com dois carros.
.
Somente uma marca inglesa possui atualmente os requisitos necessários para as provas Sport: o Aston Martin DB8 Mark III, com 2.922 cilindradas. Os demais modelos não possuem cilindrada suficiente para uma 24 Horas de Le Mans, ou, se possuem, excedem de 3.000 cilindradas, como é o caso das marcas Lister e Tojeiro, ambas impulsionadas por motor Jaguar D de 3,442 cilindradas.
.
Uma coisa é certa, a equipe de David Murray estará em Le Mans para tentar mais uma vitória ...
.

*