segunda-feira, 17 de setembro de 2018

MAURO FORGHIERI






1980 - A cena tornou-se comum para os mecânicos da Ferrari, a mais prestigiosa equipe italiana e uma das mais tradicionais do cenário automobilístico de competição :

"Os mecânicos correm para o carro de Jody Scheckter que entra no boxe com os pneus esfumaçando...

Mauro Forghieri, chefe de equipe, aproxima-se de Jody com um ar resignado e liga os fones de ouvido.

Depois de ouvir por alguns instantes, faz um gesto largo com as mãos, como que indicando impotência, e diz alguma coisa ao mecânico chefe.

Em seguida consulta a folha de tempos, buscando alguma boa notícia de seu segundo piloto, o impetuoso canadense Gilles Villeneuve

De Scheckter, Forghieri parece não esperar mais nada. "




Depois, num canto do boxe, entre sério e brincalhão, é assediado pelos repórteres, principalmente os italianos. E se dispõe, paciente, a falar da crise da Ferrari.

" Ah, a crise?... diz rindo.

A Ferrari está sempre em crise ..."

_ Mas, e os últimos resultados ?

Bem, são péssimos, como todos podem ver.

Mas na Fórmula 1 é sempre assim: há erros e acertos, lembra Forghieri.

_ Mas todo mundo anda acertando, com os carros de efeito solo e elevada pressão aerodinâmica ...

Nossa aerodinâmica está chegando num ponto a partir do qual vamos ter que introduzir mudanças radicais. Mas antes era preciso esperar uma definição dos regulamentos. Além do mais estamos construindo um carro novo com motor turbo.

_ E quando estréia o carro novo ?

Ainda não dá para dizer com certeza. O Gilles já andou nele, e os resultados são satisfatórios. Mas há uma grande expectativa, e não queremos lançar o turbo prematuramente.

_ Quais são os maiores problemas ? Aerodinâmica ou motor ?

O motor turbo ainda é problemático, tem problemas de resistência, como podemos ver no Renault, mas esse não deve ser um grande obstáculo depois dos teste.

_ Então vocês estão apostando tudo no turbo e deixando de lado o T5 ?

Claro que não. Simplesmente estamos tendo problemas grandes com o T5, principalmente de pneus. Com isso não quero dizer que a Michelin seja a única responsável, mas ficou claro que eles perderam terreno para a GoodYear. E quando você tem problemas de pneu já fica muito mais difícil aperfeiçoar o carro em outros aspectos.

_ E os pilotos ? Fala-se que o Scheckter não estaria bem com a equipe ...

O Scheckter é um bom piloto. Com um carro problemático ninguém pode fazer milagre.

_ Mas vocês vão renovar o contrato ?

Os contratos da Ferrari são feitos numa base anual.
No fim da temporada, se a equipe ou o piloto não estiverem satisfeitos, é só não renovar.

_ Vocês estariam considerando o Alain Prost para substituir Jody Scheckter ?

Se ele realmente resolver abandonar o automobilismo, como anunciou, temos uma lista de 22 pilotos para ser consultada. É claro, que Prost está entre eles. É um bom piloto, muito combativo.

_ Vocês não consideram nenhum piloto italiano ?

Neste instante entrou no box o carro de Villeneuve para trocar pneus, e Forghieri corre para falar com o piloto.

A pergunta que ficara no ar é respondida por um jornalista italiano :

_  Piloto italiano ? Quem ?

Só vejo o Patrese, mas se você consultar o Livro do Ano da Ferrari verá que ele não mereceu uma boa cotação, foi considerado "meio imprevisível".

O grupo de italianos sai do box da Ferrari discutindo...

Para eles a crise é mais uma das muitas porque já passou a equipe e, dada a rapidez das mudanças na Fórmula 1, por causa do aperfeiçoamento tecnológico, eles não parecem muito preocupados.

O carro de Villeneuve sai do boxe com pneus novos...

Forghieri disfarça sua tristeza e brinca :

A nova máquina do Fittipaldi parece estupenda...

E sorri ...












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