Mostrando postagens com marcador Moco. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Moco. Mostrar todas as postagens
sábado, 23 de março de 2019
quinta-feira, 26 de abril de 2018
JARAMA: JOSE CARLOS PACE
1972 - "Meu sexto lugar em Jarama teve sabor de vitória. Eu havia perdido a maior parte dos treinos e por isso tinha sido obrigado a largar em 16º lugar. E meu March 711 não era dos melhores, mas apesar disso, sem o azar de outras vezes, consegui passar muita gente e cruzei a linha de chegada grudado a Tim Schenken e a Andrea De Adamich, depois de ter disputado forte com eles durante as últimas quinze voltas.
Largar lá atrás é sempre ruim, porque um grupo grande de carros segura a gente por muito tempo. Principalmente em Jarama, pista sinuosa e não muito boa, em que só se pode tentar ultrapassagens no fim da reta maior.
Quando largei, na sétima fila, por fora, eu pouco enxergava, por causa da poeira que os carros da frente tinham levantado. Logo antes da primeira curva, consegui evitar o choque com o carro de Graham Hill, que me passou e saiu da pista. Nessa curva, passei dois carros, mas fiquei preso naquele bolo intermediário, enquanto o grupo da frente, com Stewart, Hulme, Emerson, Ickx e Regazzoni, se distanciava.
Henri Pescarolo estava na minha frente, bloqueado por Rolf Stommelen, que não dava moleza, com seu March-Eiffeland. Wilsinho, no mesmo grupo, corria na frente de Stommelen.
Rolf Stommelen começou a perder terreno e nos amarrou por seis voltas até que errou e nós conseguimos passar.
Rolf Stommelen começou a perder terreno e nos amarrou por seis voltas até que errou e nós conseguimos passar.
Então comecei a perseguir Pescarolo, que na curva de alta sempre freava antes de mim. Numa dessas vezes, aproveitei a freada que ele deu, entrei por dentro e consegui passar, ficando em 13º. O chuvisco que havia começado na metade da corrida já tinha parado e eu me senti feliz por ter acertado na escolha dos pneus para pista seca.
Com o carro rendendo bem, apesar de não ter o recuRso dos melhores, comecei a me aproximar do Wilsinho, que apertou seu ritmo. Duas voltas depois, vi Stewart se aproximar para colocar uma volta em cima de nós. Assim mesmo não me preocupei.
Na África do Sul, quando percebia algum dos cobras chegarem por trás, eu diminuía o ritmo e abria caminho, mesmo que estivesse tentando eu mesmo ultrapassar alguém.
Frank Williams então me aconselhou que fizesse minha própria corrida, sem me preocupar com quem estivesse uma ou mais voltas na minha frente, porque esses tinham motores melhores e passariam cedo ou tarde.
Por isso, durante três voltas, Stewart me perseguiu, sem que eu o fechasse, mas também sem que eu facilitasse as coisas para ele. Quando afinal ele conseguiu me passar, estava muito irritado e me fez "aquele gesto característico".
Depois da corrida fui falar com ele, mas ele disse que não tinha nada, porque se estivesse no meu lugar teria feito a mesma coisa.
Mas, enquanto Stewart tentava me passar, eu me aproximava do Wilsinho. E fiquei assim durante cinco voltas, até que numa freada de curva as rodas dianteiras do carro dele bloquearam e ele foi direto.
Não chegou a sair da pista, mas tentando controlar o carro, acho que nem viu o "sinal de adeus" que fiz brincando, ao passar por ele.
Logo depois consegui passar Tim Schenken e um Brabham, que não consegui identificar de quem era, e fiquei em sexto lugar, atrás de Peter Revson. Forcei meu carro o mais que pude e procurei fazer as curvas o melhor possível, mas não consegui passá-lo. O máximo que pude foi andar bem junto, enquanto ele também apertava o ritmo, perseguindo Andrea De Adamich. Pelo jeito, o motor do carro do Peter Revson era melhor, porque nas freadas eu me aproximava, mas nas saídas das curvas ele se distanciava de novo.
Nisso fomos chegando no De Adamich, que estava andando sozinho em quarto lugar. Mas quando nos viu encurtando distância ele também procurou acelerar. De qualquer forma, conseguimos nos aproximar e, a partir da 75ª volta, corremos os três juntos, no ritmo mais forte possível.
E juntos recebemos a bandeirada, com a diferença de um décimo de segundo de um carro para o outro, tempo equivalente a meio carro.
Foi uma chegada sensacional: depois da corrida, assim que encostei nos boxes, Peter Schetty, da Ferrari, Ken Tyrrel, Colin Chapman e outros vieram me cumprimentar.
Fiquei satisfeitíssimo com o resultado, porque senti que, nessa corrida, meu esforço tinha sido recompensado, sem aquelas quebras todas que me perseguiam por tanto tempo. Além do bom resultado geral, fiz o sexto melhor tempo da prova, na 85ª volta: 1m 22,3s. Jacky Ickx, que fez a volta mais rápida, marcou 1m 21,1s.
Mas toda minha alegria acabou logo. À noite, quando soube da morte de meu pai. Só me resta agora oferecer minha carreira a ele, que foi o principal admirador de minhas corridas."
E juntos recebemos a bandeirada, com a diferença de um décimo de segundo de um carro para o outro, tempo equivalente a meio carro.
Foi uma chegada sensacional: depois da corrida, assim que encostei nos boxes, Peter Schetty, da Ferrari, Ken Tyrrel, Colin Chapman e outros vieram me cumprimentar.
Fiquei satisfeitíssimo com o resultado, porque senti que, nessa corrida, meu esforço tinha sido recompensado, sem aquelas quebras todas que me perseguiam por tanto tempo. Além do bom resultado geral, fiz o sexto melhor tempo da prova, na 85ª volta: 1m 22,3s. Jacky Ickx, que fez a volta mais rápida, marcou 1m 21,1s.
Mas toda minha alegria acabou logo. À noite, quando soube da morte de meu pai. Só me resta agora oferecer minha carreira a ele, que foi o principal admirador de minhas corridas."
quarta-feira, 28 de agosto de 2013
NIVELLES 1972
1972 - José Carlos Pace durante o Grande Prêmio da Bélgica, a sua direita agachado Ron Tauranac, consultor técnico e de pé a sua esquerda Chico Rosa. "Moco" terminou o GP na quinta colocação.
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
sábado, 12 de novembro de 2011
JOSÉ CARLOS PACE
Por causa dos riscos que corremos depois de uma largada de Grande Prêmio, há um respeito muito grande entre os pilotos. Apesar da rivalidade, somos como uma família. Com o "Moco", meu envolvimento foi bem maior, pois seguimos o mesmo caminho desde criança. Sua morte foi um golpe muito duro.
Conheci o José Carlos Pace montado num veículo a motor. Foi em 1958, eu tinha apenas 12 anos de idade, o Wilsinho tinha 15 e o Moco 14. Eu estava andando de lambreta com o Wilsinho, no bairro do Pacaembu, em São Paulo, em frente à casa do Moco. Nesse dia ele estava com uma moto Guzzi de 55 cc, que tinha acabado de ganhar de presente. Essa foi a primeira motocicleta que pilotei.
Fizemos amizade e resolvemos andar no Parque do Ibirapuera. Fui na garupa do Wilsinho, e Moco pilotando sua moto. No Ibirapuera, o Wilsinho emprestou a lambreta ao Moco e ele sua moto pra mim. Daí para a frente nós formamos uma turma no bairro das Perdizes, onde eu morava, e nos víamos todo dia. O ponto de encontro era um barzinho, e nossos veículos eram pequenas motos, lambretas e carrinhos de rolemã. Foi quando o automobilismo começou a envolver também o Moco.
Assim, crescemos juntos, e quando o kart foi introduzido no Brasil nem eu, com 14 anos, nem o Moco, com 16, tínhamos idade para correr. Mas acompanhávamos o Wilsinho, um dos pioneiros do nosso kartismo. logo que completou 18 anos, Moco entrou para o kartismo, competindo no kartódromo que existia na cidade de Cotia, em São Paulo.
Ele sempre mostrou uma habilidade natural muito grande para dirigir veículos, mesmo o kart, apesar de ter uma desvantagem em relação aos outros, era muito pesado. Daí o apelido dado por nós de "gordinho", antes de ser Moco. O fabricante de karts daquela epoca era o Daniel Rodrigues, responsável pelo início de carreira de muitos pilotos brasileiros, como eu, Wilsinho, Moco, Alex. Uma das poucas exceções foi o Ingo Hoffmann, que não começou no kart. Desde aquela época passamos a viver juntos, nas corridas de kart, nos encontros nas Perdizes e nos fins de semana que passávamos viajando. O Moco sempre teve um caráter calmo, tranquilo, e nunca mudou, mesmo na Fórmula 1, onde venceu. Foi sempre a mesma pessoa.
Com uns 19 anos, ele ia fazer uma corrida de estreante e novatos de automobilismo com um velho DKW. O Wilsinho já estava na equipe Willys e falou para o Greco dar-lhe um carro. Eu me lembro como se fosse hoje. O Wilsinho chamou o Greco, chefe da equipe Willys, que tinha como principais pilotos o Wilsinho, Bird Clemente e Luís Pereira Bueno, e falou que o Moco ia correr e que deveria estrear com o Renault 1093 da equipe. Isso acabou acontecendo, e ele ganhou a corrida, mostrando todo o seu potencial, aquela habilidade que nós conhecíamos desde criança.
Ele ficou alguns anos na Willys, no segundo time, comigo, com o Carol Figueiredo e o próprio Marivaldo Fernandes. No primeiro time, os que corriam com as Berlinetas e depois com os Alpine-Renault, estavam o Wilsinho, Bird Clemente e o Luís Pereira Bueno.
A primeira pessoa que convidamos para guiar foi o Moco, numa prova chamada 1000 Km de Brasília, que era disputada nas ruas de Brasília. Ele fez dupla comigo. Para nós, foi uma corrida triste como resultado, mas muito cômica, pois aconteceram coisas incríveis. Eu larguei à noite e disparei na frente. Ganhava com muita facilidade quando deu um vazamento : o óleo do motor começou a cair no cano de escapamento, fazendo muita fumaça dentro do carro. Foi logo depois dos boxes e eu pulei do carro, descarregando o extintor de incêndio no motor. O Moco viu o carro envolto em fumaça e chegou correndo. Perdemos muitas voltas, mas ele conseguiu recuperar várias posições, até me entregar o carro novamente. Antes disso, bateu na guia e entortou duas rodas. Sai novamente, mandando uma brasa incrível, e num outro turno, de madrugada, um pouco cansado, peguei uma guia e entortei as quatro rodas. O incrível é que não tínhamos mais rodas sobressalentes. Lembro-me que fiquei sentado na guia com a mão na cabeça, não me conformando com a burrada que tinha feito. Logo em seguida chegara o Moco e o Wilsinho, que também sentaram na guia. Ficamos uma hora nos lamentando do azar, pois poderiamos ganhar facilmente aquela corrida. Foi a única vez que pilotei em dupla com o Moco e uma das melhores lembranças que guardarei dele.
Depois disso fomos para a equipe Dacon, onde ele pilotava um Karmann-Guia Dacon de 2000 cc e eu o 1600 cc. Nessa equipe ele conseguiu vencer a prova 1000 Km de Brasília e eu cheguei em segundo lugar. Em 1967 e 1968 corremos na Fórmula Vê, sendo meu maior rival nessa categoria. Em 1969 eu fui para a Europa e ele ficou no Brasil.
A primeira vitória internacional que tive na Europa foi em Monthlery, na França, numa corrida de Fórmula 3, e o Moco estava assistindo, pois ele e Wilsinho já tinham planos de correr na Europa em 1970, na Fórmula 3. Ambos acabaram formando uma equipe junto com o Jim Russell, e nela Moco iniciou sua carreira na Europa com um sucesso muito grande, chegando em 1971 à Fórmula 2 pela equipe do Frank Williams. Pela mesma equipe, Moco estreou na Fórmula 1 em 1972, no GP da Àfrica do Sul, por coincidência seu primeiro e último Grande Prêmio.
Todos esses anos nós corremos juntos e sempre o considerei muito leal, nunca provocando reclamações de ninguém, apesar do seu estilo agressivo, ultrapassando em lugares dificeis. Eu dei muito valor ao que ele conseguiu, pois vencer na Europa é muito difícil. eu o respeitava muito, como amigo e como profissional. Dedicou-se tanto ao automobilismo internacional que acabou surpreendendo a muita gente, pois mostrou na Europa o que nunca havia mostrado no Brasil: determinação de vencer, mesmo a custa de muito sacrifício.
Eu também era muito amigo do Marivaldo, que me acompanhou até minha ida para a Europa. Por isso, a morte dos dois foi um golpe para mim. Como me disse uma vez o Stewart, com o passar dos anos a gente aprende a contar na ponta dos dedos quantos amigos vai perdendo em corridas. Mas eu nunca tinha perdido um amigo como o Moco
A última recordação que tenho dele foi no Grande Prêmio da África do sul. Antes da corrida fomos fazer um safari juntos, com a Elda, o Wilsinho, a Suzy, o Nilson Clemente e a esposa dele. Durante três dias revivemos a amizade que tínhamos na época do kart ou das corridas no Brasil, a convivência que não podíamos ter nos últimos anos por causa dos compromissos profissionais. Fomos e voltamos da África no mesmo avião, e tenho ótima recordação da nossa convivência antes da corrida, confirmando tudo aquilo que eu pensava dele: contnuava o mesmo Moco que eu conheci aos 14 anos de idade.
Na volta da África do Sul, no Aeroporto de Congonhas, combinei com ele um fim de semana na minha fazenda em Araraquara. Combinamos que voaríamos juntos, pois ele já tinha comprado um avião. Foi a última vez que falei com o Moco. O entusiasmo que ele tinha por aviões, o Wilsinho e eu também temos. Até nisso nossas idéias e interesses eram idênticos. Ele foi uma das figuras mais importantes do automobilismo brasileiro, e ao lado do Scavone ajudou a trazer a Fórmula 1 ao Brasil.
O público brasileiro merecia conhecer melhor o Moco.
Depois disso fomos para a equipe Dacon, onde ele pilotava um Karmann-Guia Dacon de 2000 cc e eu o 1600 cc. Nessa equipe ele conseguiu vencer a prova 1000 Km de Brasília e eu cheguei em segundo lugar. Em 1967 e 1968 corremos na Fórmula Vê, sendo meu maior rival nessa categoria. Em 1969 eu fui para a Europa e ele ficou no Brasil.
A primeira vitória internacional que tive na Europa foi em Monthlery, na França, numa corrida de Fórmula 3, e o Moco estava assistindo, pois ele e Wilsinho já tinham planos de correr na Europa em 1970, na Fórmula 3. Ambos acabaram formando uma equipe junto com o Jim Russell, e nela Moco iniciou sua carreira na Europa com um sucesso muito grande, chegando em 1971 à Fórmula 2 pela equipe do Frank Williams. Pela mesma equipe, Moco estreou na Fórmula 1 em 1972, no GP da Àfrica do Sul, por coincidência seu primeiro e último Grande Prêmio.
Todos esses anos nós corremos juntos e sempre o considerei muito leal, nunca provocando reclamações de ninguém, apesar do seu estilo agressivo, ultrapassando em lugares dificeis. Eu dei muito valor ao que ele conseguiu, pois vencer na Europa é muito difícil. eu o respeitava muito, como amigo e como profissional. Dedicou-se tanto ao automobilismo internacional que acabou surpreendendo a muita gente, pois mostrou na Europa o que nunca havia mostrado no Brasil: determinação de vencer, mesmo a custa de muito sacrifício.
Eu também era muito amigo do Marivaldo, que me acompanhou até minha ida para a Europa. Por isso, a morte dos dois foi um golpe para mim. Como me disse uma vez o Stewart, com o passar dos anos a gente aprende a contar na ponta dos dedos quantos amigos vai perdendo em corridas. Mas eu nunca tinha perdido um amigo como o Moco
A última recordação que tenho dele foi no Grande Prêmio da África do sul. Antes da corrida fomos fazer um safari juntos, com a Elda, o Wilsinho, a Suzy, o Nilson Clemente e a esposa dele. Durante três dias revivemos a amizade que tínhamos na época do kart ou das corridas no Brasil, a convivência que não podíamos ter nos últimos anos por causa dos compromissos profissionais. Fomos e voltamos da África no mesmo avião, e tenho ótima recordação da nossa convivência antes da corrida, confirmando tudo aquilo que eu pensava dele: contnuava o mesmo Moco que eu conheci aos 14 anos de idade.
Na volta da África do Sul, no Aeroporto de Congonhas, combinei com ele um fim de semana na minha fazenda em Araraquara. Combinamos que voaríamos juntos, pois ele já tinha comprado um avião. Foi a última vez que falei com o Moco. O entusiasmo que ele tinha por aviões, o Wilsinho e eu também temos. Até nisso nossas idéias e interesses eram idênticos. Ele foi uma das figuras mais importantes do automobilismo brasileiro, e ao lado do Scavone ajudou a trazer a Fórmula 1 ao Brasil.
O público brasileiro merecia conhecer melhor o Moco.
Assinar:
Postagens (Atom)