domingo, 5 de março de 2017

SAUDADES DA MAMMA




1984 - O paulistano Maurizio Sala, 25 anos, que chegou à Inglaterra em 1983 e terminou o ano com o título da Formula Ford, também tem na falta de dinheiro o maior obstáculo. Seu pai, pequeno industrial dono de uma fábrica de cola em São Paulo (Maurizio tem uma irmã, Cristina, de 22), não dispõe de dinheiro para pagar nem parte dos 50.000 dólares que custa uma temporada na Formula Ford 2000. Este ano, Sala retornou à Europa com apenas 5.000 dólares de patrocínio da FRAM, insuficientes até para sua subsistência (ele gasta, economizando o que pode, 700 dólares por mês).

"Minha sorte foi que a fábrica REYNARD, cujo F 1600 era novo e ficou famoso comigo no ano passado, estava lançando um F 2000 e convidou-me para guiá-lo, de graça", conta Maurizio. Mais: Robert Synge, seu chefe de equipe, cedeu-lhe um quarto de sua casa, em Silverstone, pequeno vilarejo a duas horas de Londres.

Desde então, Sala correu dez provas e venceu cinco.

"Com o dinheiro do prêmio, geralmente em torno de 2.000 dólares, pago as despesas da corrida seguinte. Principalmente as do Campeonato Europeu, que exigem viagens e estadias."

Cruel círculo vicioso: se não ganhar, não corre; e se não correr, no pode evidentemente ganhar ...

Adversários nas pista Maurizio Sala e Maurício Gulgelmin são bons amigos no dia-a-dia. Sempre que podem estão juntos, tentando matar as saudades das coisas brasileiras, queixando-se do frio e da comida.

"Para quem é de família italiana e está acostumado aos pratos da mamma, como eu, não é fácil", reclama Maurizio, cuja única diversão, muitas vezes, era sentar-se num pub e ficar comendo salsichas e batatas.




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