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sábado, 5 de agosto de 2017

ESPORTE 2 LITROS



1974 - Tricampeão Brasileiro da Categoria Turismo, Pedro Victor De Lamare vai participar do Campeonato Europeu de Esporte 2 Litros. E, se possível, de algumas provas do Campeonato Mundial de Marcas.

Para isso já comprou um March/BMW 74S, pintado de azul e amarelo, com estrutura deformável, dois motores BMW preparados pela própria fábrica e o caminhão de Graham Hill, para transportar o carro e sua equipe. Já alugou também em Old Woking, perto de Londres, uma oficina.

Os comentários a respeito de sua idade (estaria um pouco velho para uma estréia na Europa), ele contesta com as seguintes palavras: "Conheço muitos pilotos americanos com mais de 40 anos que são muito bons. Por isso acho que, com 37 anos, ainda tenho possibilidade de fazer alguma coisa".

Ele diz que quer ganhar mais experiência e que isto faz parte da profissão de um piloto de provas: "E também, não estou preocupado com convite de algum chefe de equipe de Fórmula 1".

"Minha equipe é patrocinada pela SPI com um contrato para correr dois anos na Europa. Estou é preocupado em ser tão bom profissional como fui aqui no Brasil".

Talvez Pedro Victor corra também no Japão, "e se houver alguma corrida aqui também virei". Mas ele dá preferência, além da categoria Esporte 2 Litros, a corridas de longa duração: "Assim poderei fazer dupla, eventualmente, com algum piloto brasileiro que queira correr comigo".

Mas não nega que, diante de um convite para correr de Fórmula 2, possa aceitá-lo. É bem possível que leve com ele dois mecânicos de sua equipe brasileira (Antonio de Souza e Adilson Aires ou Luis Almeida), além da mulher e três filhos.

Até uma firma para tratar da parte burocrática de inscrições, reservas de hotéis e transporte, Pedro Victor já contratou. É a Motor Racing Consulters, especializada nesses serviços.








quarta-feira, 4 de agosto de 2010

1972 Grande Prêmio Balcarce

Pace participou da corrida que inaugurou o Autódromo Juan Manuel Fangio
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José Carlos Pace pilotou um AMS SP-2000
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Até uma escola de samba brasileira, "Os Cobras de Porto Alegre", foi importada para a festa de inauguração do Autódromo Juan Manuel Fangio, em Balcarce, numa região escarpada a 75 quilômetros de Mar del Plata, na Argentina. No domingo, dia 16 de janeiro 1972, as arquibancadas do novo circuito já estavam superlotadas duas horas antes do horário previsto para o início da prova. José Carlos Pace conta como foi sua participação na corrida:
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"O entusiasmo dos argentinos por corridas de automóvel é incrível, e certamente foi para mim um estímulo a mais para tentar superar a inferioridade de meu carro em relação à maioria dos outros, pilotando o melhor que me foi possível. Acho que nunca vou esquecer o momento, em que subi ao podium para receber o prêmio pelo segundo lugar das mãos do próprio Fangio, cercado pela algazarra alegre daquela enorme multidão".
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O autódromo ainda estava em obras e ao chegarmos lá para o primeiro treino, os operários ainda trabalhavam na pista. Por isso, o treino que fora marcado para as 15 horas, só começou às 19 (nesta época do ano ainda tem luz) e foi até as 20:30h. Os carros que primeiro apareceram foram os de 2 litros, todos os que haviam participado dos 1000 Quilômetros de Buenos Aires, no domingo anterior. Dos automóveis de 3 litros, só foram levados para Balcarce, uma Alfa Romeo T-33 de Faccetti, o Berta que foi construído para o Mundial de Marcas e que não participara dos 1000 Quilômetros, por ter quebrado e dois outros Berta com motor Tornado.
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Fui um dos primeiros a sair para a pista e percebi de imediato que o carro estava com os mesmos defeitos que apresentara em Buenos Aires. O pessoal da AMS ainda mostra inexperiência em competições: antes dos 1000 Quilômetros, pedi aos mecânicos da equipe que substituissem os amortecedores do carro por outros, novos, que haviam sido trazidos de reserva. Eles não fizeram a troca, alegando que não haveria tempo para isso. E, ao levarem o carro para Balcarce, esqueceram em Buenos Aires essas peças de reposição. e o carro estava com o amortecedor traseiro ruim, o que prejudicava a estabilidade.
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John Hines vencedor da prova

Apesar de tudo, a relação de marchas estava quase acertada para o circuito do novo autódromo. E haviamos trocado o motor por outro, que segundo o engenheiro da fábrica italiana, funcionaria melhor. Realmente, nesse treino de estréia consegui marcar o melhor tempo, 1m38s cravados.

Tite Catapani, o outro piloto brasileiro inscrito para a prova, não conseguiu participar do treino de sexta feira; o caminhão que trouxe seu carro chegou a Balcarce atrasado, seria preciso regular as válvulas do Lola T-210 e esse serviço consome de duas a três horas. Quando foi terminado, eram já 8 da noite. No sabado houve o treino final e todos os concorrentes participaram dele. Começou às 4 da tarde, com a pista já mais limpa do que na véspera. E, uma hora antes de ser encerrado, ninguém conseguira ainda melhorar a marca que eu obtivera na véspera. Para mim isso era muita sorte, pois o meu carro piorou bastante, tornando-se quase impraticável dirigir. O problema de amortecedor não chegou a se agravar; agora a dificuldade era criada pelos pneus. Eles foram substituídos e então o AMS melhorou. Porém logo o motor novo começou a ratear, embora eu estivesse conseguido virar no mesmo tempo da véspera, 1m38s. Isso foi no fim do treino, quando Arturo Merzario, John Hines e Carlo Faccetti já estavam conseguindo marcas melhores do que a minha.

A classificação final para a largada só foi decidida, porém, nos últimos instantes do treino de sábado, quando Reine Wisell obteve a marca excepcional de 1m35,05s. John Hines garantiu a segunda posição, com 1m35,38s; Arturo Merzario ficou em terceiro com 1m35,67s; e eu, embora tivesse baixado um pouco o tempo obtido na sexta-feira, coloquei-me em quarto lugar para a largada. Tite Catapani ficou em nono, com 1m41,28s.

--------------1º Jo Bonnier-----2º John Hines

-------3º Arturo Merzario----4º José Carlos Pace

----5º Carlo Faccetti-----------6º Alex Soler-Roig

--------7º Nestor Garcia--------8º John Bridges

-------9º Tite Catapani--------10º Luis di Palma

John Hines com o Chevron B-19

Os organizadores da corrida haviam decidido que a largada seria com os carros parados, mas no sábado, véspera da prova, mudaram de idéia e optaram por uma partida do tipo "Indianápolis", que além de vantagens de segurança oferece um espetáculo mais bonito; os carros, dois a dois, deram uma volta completa no circuito, seguindo o carro-madrinha dirigido por Juan Manoel Fangio, que tinha a seu lado o italiano Luigi Villoresi, outro grande corredor do passado. Terminada essa volta, o Mercedes-Benz de Fangio deixou a pista e recebemos então a bandeirada de largada, todos em movimento, com Jo Bonnier na posição de honra (conseguida para seu carro por Reine Wisell, que participou somente dos treinos).
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A corrida começaria as 16 horas, mas um súbito temporal, que desabou com força sobre o autódromo, adiou-a para depois das 17 horas, quando o sol reapareceu e secou rapidamente a pista, permitindo que todos os carros alinhassem com pneus slick. O Chevron de John Hines tomou a ponta logo no início da primeira curva e eu, com o AMS equipado com o motor que usara no treino de sexta-feira ( o novo continuara apresentado problemas), procurava segurar-me em segundo. Mas ainda nessa primeira volta a Alfa Romeo T-33 de Faccetti nos passou e começou a abrir vantagem pouco a pouco.
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Meu carro estava rendendo menos do que nos treinos, o motor em vez de chegar aos 9.000 giros, alcançava apenas 8.200. Apesar de ainda correr em terceiro, já estava muito atrás de Hines e de Faccetti. Essa situação continuou até a vigéssima volta, quando o AMS começou a render mais, subindo até 8500 giros. Comecei então a descontar à média de meio segundo por volta, os vinte segundos de vantagem que Hines tinha sobre mim. Cheguei a virar seis ou sete voltas consecutivas em 1m35s cravados, tempo melhor do que o de Reine Wisell na classificação. Ao terminar essa primeira bateria, conseguira reduzir a vantagem de Hines para um segundo e meio. Faccetti havia deixado a pista com a bomba de gasolina defeituosa e o terceiro foi de Jo Bonnier, com o Lola T-212. Tite Catapani conseguiu um bom sexto lugar.
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Jo Bonnier chegou em terceiro
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O mesmo ritual de largada da primeira bateria repetiu-se na segunda, com o carro-madrinha dirigido por Juan Manuel Fangio puxando a fila dupla de competidores, liderada pelo Chevron de Hines e pelo meu AMS. Baixada a bandeira, saltei na ponta, mas logo na primeira curva Hines me passou. E, numa reedição da primeira volta da bateria anterior, a Alfa Romeo de Faccetti, que agora largara lá atrás, ultrapassou-nos novamente, utilizando toda a força de seu motor 3 litros.
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Por sua vez, Jo Bonnier estava agora correndo bem melhor e na sétima volta passou por mim e depois por Hines. Nessa altura, pude sentir mais nitidamente a superioridade de seus carros sobre o meu. O Lola de Bonnier tem um motor com 265 HP a 9500 giros, e o Chevron de Hines tem só 2 HP a menos, à mesma rotação. Enquanto isso, meu AMS, além de ser equipado com um motor de cilindrada menor (1800cc contra 2000cc dos outros dois) e tem 235 HP a 9000 RPM. Isso me obrigava a fazer milagre para acompanhá-los de perto.
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E a coisa se tornou definitivamente pior quando perdi o freio numa curva em ziguezague, após a reta onde alcançam uns 230 Km/h e depois se usa o freio para reduzir a uns 130 a 140 Km/h. Naquele trecho, meu ponto de freada era a uns 100m da curva. Ao sentir que me faltava freio, o que quase me fez sair da pista, passei a frear uns 250m antes da curva e preocupei-me apenas em garantir o segundo lugar na soma dos tempos das duas baterias. A vitória na segunda bateria foi de Faccetti, com a Alfa Romeo T-33/3 de 3 litros. Hines ficou em segundo, Jo Bonnier em terceiro, e eu em quarto. Tite Catapani, que vinha novamente fazendo uma boa corrida, teve um problema no câmbio que o fez perder colocação e terminar a bateria em nono lugar, essa foi também sua colocação na classificação final.
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Ao reconduzir o AMS SP-2000 para os boxes, com as mãos sangrando pelo esforço feito para arrancar o máximo do carro, encontrei a equipe da fábrica eufórica; eles não esperaram sequer que eu retirasse o capacete para me assediar com uma porção de promessas e pedidos. Querem que eu corra para eles no Campeonato Europeu de 2 litros este ano, garantem, entre outras coisas, que terei um carro novo e muito melhor. Respondi que iria estudar o assunto.
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1º Bateria
  1. John Hines - Chevron B-19
  2. José Carlos Pace - AMS SP-2000
  3. Jo Bonnier - Lola T-212
  4. Alex Soler-Roig - Abarth 2000
  5. John Bridges - Chevron B-19
  6. Tite Catapani - Lola T-210
  7. Carlo Faccetti - Alfa Romeo 33/3
  8. Eris Tondelli - Chevron B-19
  9. Nestor Garcia - Lola T-212
  10. Oscar Fangio - Berta Tornado
  11. Jorge Ternengo - Berta Tornado
  12. Hector Plano - Baufer Chevrolet
  13. Georges Dumoing - Lola T-212
  14. Arturo Merzario - Abarth 2000

2º Bateria

  1. Carlo Faccetti - Alfa Romeo 33/3
  2. John Hines - Chevron B-19
  3. Jo Bonnier - Lola T-212
  4. José Carlos Pace - AMS SP 2000
  5. Alex Soler-Roig - Abarth 2000
  6. Nestor Garcia - Lola - 212
  7. John Bridges - Chevron B-19
  8. Eris Tondelli - Chevron B-19
  9. Tite Catapani Lola -210

Classificação Final

  1. John Hines
  2. José Carlos Pace
  3. Jo Bonnier
  4. Carlo Faccetti
  5. Alex Soler-Roig
  6. John Bridges
  7. Nestor Garcia
  8. Eris Tondelli
  9. Tite Catapani

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