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quarta-feira, 9 de dezembro de 2020
sábado, 12 de setembro de 2020
quarta-feira, 22 de abril de 2020
domingo, 15 de setembro de 2019
sábado, 20 de julho de 2019
domingo, 9 de junho de 2019
terça-feira, 18 de setembro de 2018
INGO HOFFMANN
1976 - Boa, Alemão, muito boa ...
Grande, Formigão...
Dois amigos mais chegados tentaram entoar um pique-pique quando o Ingo Hoffmann desligou o motor do seu FD03, já dentro do boxe da equipe Copersucar/Fittipaldi, mas acabaram desistindo.
Todos os jornalistas, curiosos, mecânicos e visitantes, que tinham conseguido entrar e ficar dentro do boxe, mostravam-se mais interessados nas explicações que Emerson Fittipaldi dava sobre sua corrida e sobre o comportamento do FD04.
Ingo desceu do carro, pediu uma garrafa de água, tirou o capacete, deixou a cabeça nua, tomou um bom gole e derramou o resto para que escorresse pelo rosto suado. Passou as mãos pela cabeça, sorriu ligeiro para os amigos que tentavam incentivá-lo, falou baixinho no ouvido de Ruth, sua mulher, deu meia volta e foi relaxar num canto da enfermaria de Interlagos.
Ruth sorriu com o que Ingo lhe segredou, atendeu a um chamado de Suzi, mulher de Wilsinho Fittipaldi, e balançou os dois braços, que estavam caídos junto ao corpo.
"Ele disse que ainda está tremendo."
Nem Dustin, seu pai, conseguiu arrancar de Ingo mais palavras do que ele disse no caminho entre o boxe e a enfermaria.
"Foi ótimo. Acho que tudo acabou acontecendo exatamente como eu queria e podia esperar. O "táxi" (apelido dado ao Copersucar FD03, porque, embora não chegue nunca entre os primeiros, nunca ou quase nunca quebra) deu o que podia dar e eu cheguei até o fim da prova.
Que mais poderia querer ?
Não atrapalhei ninguém, nem tentei correr entre os primeiros. Não adiantaria."
Ingo contou ainda que seu carro teve problemas de freios, um defeito que sempre existiu, desde os tempos em que era guiado por Wilsinho, e que correu com esse problema desde a nona ou décima volta.
"Procurei não atrapalhar ninguém e acho que só errei feio uma vez, entre as Curvas 1 e 2, quando o carro ficou um pouco desgovernado. Pensei que ia rodopiar, mas consegui endireitá-lo a tempo. "
Depois disso, Ingo recolheu-se e só deixou a enfermaria de Interlagos muito tempo depois, quando o boxe já estava vazio, tranqüilo, e quando seu companheiro de equipe, Emerson Fittipaldi, já havia deixado a pista, indo para casa.
"Ele é assim mesmo. Um garotão muito quieto, muito tranqüilo. Gosta de ficar isolado, geralmente não mostra estar dominado pelos nervos, mas não suporta muitas perguntas. Esses dias todos, ninguém da família lhe fez qualquer pergunta sobre o carro, a corrida, sobre qualquer coisa de automobilismo. O pouco que ficamos sabendo foi por respostas curtas que ele andou dando aos amigos e as visitas que apareceram lá em casa. Nem para mim, seu pai, ele gosta de falar provocado.
Pode ser hoje, depois de um bom banho, de se relaxar direitinho, ele conte coisas com detalhes. Mas o mais provável mesmo é que ele só comece a falar depois de dois ou três dias no Guarujá, quando ele achar que deve.
Ingo foi o primeiro piloto a chegar a Interlagos na sexta-feira, dia do primeiro treino oficial. Trocou-se em poucos minutos, colocou os óculos escuros, calçou um par de galochas para não molhar as sapatilhas e por várias vezes deixou o canto do boxe, onde se refugiou, para olhar o tempo.
"Esse tempo não está agradando. Choveu muito esses dias e ainda pode chover mais. Para mim não é bom."
Andaria pela primeira vez num Fórmula 1, em Interlagos (deu algumas voltas em Silverstone, Inglaterra), e não lhe agradava a idéia de estrear na chuva.
Além disso, ele sabia bem que Interlagos não é exatamente a melhor pista para um iniciante em Fórmula 1. Nem mesmo para ele que tantas vezes correu por ali num Fusca "envenenado" ou num Super-Vê bem ajustado.
"É uma pista muito difícil e muito longa. Às vezes eu errava numa curva e na volta seguinte já não me lembrava qual era para não cometer o mesmo engano."
Durante os treinos, Ingo rodou apenas duas vezes. Na sexta-feira rodou na entrada do S e no sábado rodou na curva do Pinheirinho. Mas não foram apenas as dificuldades de Interlagos que fizeram Ingo seguir à risca os conselhos dados por Wilsinho e Emerson, procurando apenas terminar a prova e adaptando-se o máximo possível ao carro e à Fórmula 1.
Foi também a pouca ajuda que pôde receber do carro; um modelo antigo, muito difícil de ser guiado em Interlagos porque sai muito de frente nas curvas de alta velocidade e foi o nervosismo que ele não conseguiu disfarçar. Ingo parecia tão tenso que, por quatro ou cinco vezes, um mecânico lhe perguntou se não tinha se esquecido de como mexer em cada um dos botões do painel do carro.
Suava muito, estava sempre esfregando as mãos e tantas vezes estalou os dedos que um dos muitos amigos que torciam por sua sorte, chefe da equipe em que corria na Fórmula 3, foi à sua casa para lhe dar alguns conselhos.
"O problema é que você não relaxa," lhe disse Clive Santo.
"Você esta aqui conversando com a gente, mas ao mesmo tempo está guiando o carro, está preocupado com o que vai ou não fazer. Não pode. Você tem que ser mais frio, calculista, tranqüilo."
Uma observação igual à feita por Ruth, sempre atenta aos seus movimentos e sempre procurando não tirá-lo do seu mutismo, do canto onde se recolhia.
"Antes da corrida, eu senti que ele vivia três estados completamente diferentes. Tinha ansiedade para que tudo começasse logo, sentia medo e passava por momentos de profunda tranqüilidade."
Nos três dias, sexta-feira, sábado e domingo, fez quase que a mesma coisa.
Foi deitar-se às 10 horas, dormiu bem, tranqüilo, sem pesadelos, levantou-se às 7:30 horas, tomou café, leu os jornais, comeu bastante chocolate, separou frutas frescas, sais minerais, arrumou tudo, pegou o carro e foi para a pista com a mulher.
Embora o trânsito estivesse um pouco ruim, Ingo pareceu tranqüilo, não buzinou nem reclamou, como faz normalmente.
Gostou do tempo que fez no primeiro dia de treino: 2min40s86/100, achou que não progrediu no dia seguinte, apesar de ter baixado um pouco: 2min40s67/100 e considerou sua corrida bem normal.
"Não deu para sentir nada muito diferente. Andei mais ou menos tranqüilo e, como nunca participei da briga por qualquer posição, só senti alguma coisinha que pude notar quando quase rodei entre as Curvas 1 e 2."
Depois dos terinos, quando um amigo, mostrando anotações, perguntou por que estava andando bem no miolo, chegando mesmo a se aproximar do grupo mais forte, e perdendo velocidade nas retas, ficando longe dos outros carros, Ingo foi tranqüilo, sincero e brincalhão :
"Não é no carro que está faltando alguma coisa, não. É no piloto mesmo. Falta coragem para enfiar a bota. Ainda falta."
Na prova também não lhe faltou nada. Até mesmo o fato de sua melhor volta ter sido pior que a de todos os carros que conseguiram andar, estava dentro de seus planos.
Fez uma corria tranqüila, sem erros grosseiros, deu passagem a quem deveria dar, não passou ninguém e acabou em 11º lugar, na frente de Carlos Reutemann, Emerson Fittipaldi e Lella Lombardi, entre os que receberam a bandeirada, embora todos tenham parado no boxe e ele, não.
Não ganhou prêmios, fugiu dos abraços e do pique-pique que dois amigos ensaiaram, mas ganhou a confiança de algumas pessoas bem importantes em sua carreira. Do pai, que saiu de Interlagos achando que ele tem cuca, que não é de fazer besteiras e que já está começando a entender do assunto. E de Wilsinho, seu chefe.
"Ele foi até melhor do que devia. fez o que mandamos e mesmo sem ter um carro em melhores condições acabou a corrida num bom lugar. Mostrou que eu não estava errado quando o convidei em agosto do ano passado e que vai melhorar muito, quando pegar o carro novo, no Grande Prêmio dos Estados Unidos ou da Espanha."
"Esse tempo não está agradando. Choveu muito esses dias e ainda pode chover mais. Para mim não é bom."
Andaria pela primeira vez num Fórmula 1, em Interlagos (deu algumas voltas em Silverstone, Inglaterra), e não lhe agradava a idéia de estrear na chuva.
Além disso, ele sabia bem que Interlagos não é exatamente a melhor pista para um iniciante em Fórmula 1. Nem mesmo para ele que tantas vezes correu por ali num Fusca "envenenado" ou num Super-Vê bem ajustado.
"É uma pista muito difícil e muito longa. Às vezes eu errava numa curva e na volta seguinte já não me lembrava qual era para não cometer o mesmo engano."
Durante os treinos, Ingo rodou apenas duas vezes. Na sexta-feira rodou na entrada do S e no sábado rodou na curva do Pinheirinho. Mas não foram apenas as dificuldades de Interlagos que fizeram Ingo seguir à risca os conselhos dados por Wilsinho e Emerson, procurando apenas terminar a prova e adaptando-se o máximo possível ao carro e à Fórmula 1.
Foi também a pouca ajuda que pôde receber do carro; um modelo antigo, muito difícil de ser guiado em Interlagos porque sai muito de frente nas curvas de alta velocidade e foi o nervosismo que ele não conseguiu disfarçar. Ingo parecia tão tenso que, por quatro ou cinco vezes, um mecânico lhe perguntou se não tinha se esquecido de como mexer em cada um dos botões do painel do carro.
Suava muito, estava sempre esfregando as mãos e tantas vezes estalou os dedos que um dos muitos amigos que torciam por sua sorte, chefe da equipe em que corria na Fórmula 3, foi à sua casa para lhe dar alguns conselhos.
"O problema é que você não relaxa," lhe disse Clive Santo.
"Você esta aqui conversando com a gente, mas ao mesmo tempo está guiando o carro, está preocupado com o que vai ou não fazer. Não pode. Você tem que ser mais frio, calculista, tranqüilo."
Uma observação igual à feita por Ruth, sempre atenta aos seus movimentos e sempre procurando não tirá-lo do seu mutismo, do canto onde se recolhia.
"Antes da corrida, eu senti que ele vivia três estados completamente diferentes. Tinha ansiedade para que tudo começasse logo, sentia medo e passava por momentos de profunda tranqüilidade."
Nos três dias, sexta-feira, sábado e domingo, fez quase que a mesma coisa.
Foi deitar-se às 10 horas, dormiu bem, tranqüilo, sem pesadelos, levantou-se às 7:30 horas, tomou café, leu os jornais, comeu bastante chocolate, separou frutas frescas, sais minerais, arrumou tudo, pegou o carro e foi para a pista com a mulher.
Embora o trânsito estivesse um pouco ruim, Ingo pareceu tranqüilo, não buzinou nem reclamou, como faz normalmente.
Gostou do tempo que fez no primeiro dia de treino: 2min40s86/100, achou que não progrediu no dia seguinte, apesar de ter baixado um pouco: 2min40s67/100 e considerou sua corrida bem normal.
"Não deu para sentir nada muito diferente. Andei mais ou menos tranqüilo e, como nunca participei da briga por qualquer posição, só senti alguma coisinha que pude notar quando quase rodei entre as Curvas 1 e 2."
Depois dos terinos, quando um amigo, mostrando anotações, perguntou por que estava andando bem no miolo, chegando mesmo a se aproximar do grupo mais forte, e perdendo velocidade nas retas, ficando longe dos outros carros, Ingo foi tranqüilo, sincero e brincalhão :
"Não é no carro que está faltando alguma coisa, não. É no piloto mesmo. Falta coragem para enfiar a bota. Ainda falta."
Na prova também não lhe faltou nada. Até mesmo o fato de sua melhor volta ter sido pior que a de todos os carros que conseguiram andar, estava dentro de seus planos.
Fez uma corria tranqüila, sem erros grosseiros, deu passagem a quem deveria dar, não passou ninguém e acabou em 11º lugar, na frente de Carlos Reutemann, Emerson Fittipaldi e Lella Lombardi, entre os que receberam a bandeirada, embora todos tenham parado no boxe e ele, não.
Não ganhou prêmios, fugiu dos abraços e do pique-pique que dois amigos ensaiaram, mas ganhou a confiança de algumas pessoas bem importantes em sua carreira. Do pai, que saiu de Interlagos achando que ele tem cuca, que não é de fazer besteiras e que já está começando a entender do assunto. E de Wilsinho, seu chefe.
"Ele foi até melhor do que devia. fez o que mandamos e mesmo sem ter um carro em melhores condições acabou a corrida num bom lugar. Mostrou que eu não estava errado quando o convidei em agosto do ano passado e que vai melhorar muito, quando pegar o carro novo, no Grande Prêmio dos Estados Unidos ou da Espanha."
quarta-feira, 19 de julho de 2017
INGO HOFFMANN TROCOU DE CARRO E MOTOR
Ingo trocou o March com motor Hart por um Ralt/BMW
1977 - Ingo Hoffmann correrá menos na Formula 1 e se dedicará mais à Formula 2.
Agora na organizada equipe de Ron Dennis, Ingo está correndo com um Ralt-BMW RT e foi o quarto colocado na prova de Silverstone. Seu problema no momento é conseguir mais um patrocinador, pois o dinheiro do bíter Safari é suficiente apenas para meia temporada.
Agora na organizada equipe de Ron Dennis, Ingo está correndo com um Ralt-BMW RT e foi o quarto colocado na prova de Silverstone. Seu problema no momento é conseguir mais um patrocinador, pois o dinheiro do bíter Safari é suficiente apenas para meia temporada.
O companheiro de equipe de Ingo é o norte-americano Eddie Chever, em igualdade de condições. Para o brasileiro, isso é uma vantagem, pois evita a competição interna.
E a Ron Dennis Racing está bem preparada para ter dois primeiros pilotos, com duas equipes distintas de mecânicos e assistência exclusiva e específica para cada um deles.
Animado pela organização da nova equipe, ele que sofreu tanto ano passado com Willy Kauhsen, e pelos três pontos conquistados na abertura da temporada de F2, Ingo Hoffmann tem grandes esperanças:
Animado pela organização da nova equipe, ele que sofreu tanto ano passado com Willy Kauhsen, e pelos três pontos conquistados na abertura da temporada de F2, Ingo Hoffmann tem grandes esperanças:
"Era o que eu precisava: começar bem e esquecer todas as quebras do ano passado. Pelo que pude sentir do carro e do motor nesta primeira prova, acho que dá para melhorar. Ainda mais que já conheço todos os circuitos. Mas não dispensarei os treinos, pois continuo achando que preciso de mais horas de vôo."
sexta-feira, 9 de dezembro de 2016
MAIS UMA ESTRELA QUE SOBE
1975 - Apenas dois anos e meio depois de estrear no automobilismo brasileiro, Ingo Ott Hoffmann, aos 22 anos de idade, está pronto para disputar a Formula 3. Com uma carreira rápida e uma ascensão técnica excelente, ele começou com um Volkswagen entre estreantes e novatos, em julho de 1972 e tornou-se um piloto de competição PC com apenas seis corridas disputadas.
Dos tempos de Fusca de rua, com os quais se iniciou na Divisão 1, até hoje, o nível de Ingo desenvolveu-se num ritmo tão alucinante que ele transformou-se em recordista com os carros da Magnun Kaimann da Formula Super Vê, no ano passado. E agora, de malas prontas, o jovem piloto brasileiro vai para a Inglaterra, onde, segundo ele, iniciará sua carreira profissional.
Com 27 corridas em sua agenda, além do Campeonato Inglês, Ingo estará correndo também nas preliminares dos Grandes Prêmios de F1 de Monaco, Paul Ricard e Nurburgring.
"Vou correr em tudo que puder, sempre dando preferência às corridas mais disputadas. Vou aprender e é onde estiverem os mais experientes que vou brigar. Prefiro um quinto ou um sexto lugar brigando com os cobras, a um segundo numa corrida fácil."
Mas essas decisões de Ingo tiveram em grande dose a influência dos Irmãos Fittipaldi. O entendimento do novo piloto, principalmente com Wilson Fittipaldi, começou logo depois de sua vitória nas 25 horas de Interlagos, em abril do ano passado. Nessa prova, o trio Wilson-Ingo-Reinaldo Campelo, com um Opala, conseguiu derrotar os Maverick, até ali imbatíveis. Embora fossem desclassificados por força do regulamento, Ingo ainda saiu ganhando, pois conquistou a admiração de Wilsinho, que passou a ser seu team manager na Super Vê, preparando seu carro e convidando-o para acompanhar todo o desenvolvimento do Fitti 01.
Foram também os irmãos Fittipaldi que o apresentaram ao inglês Clive Santos. Veterano piloto das Formulas 3 e 5000, Clive será seu chefe de equipe durante a sua primeira temporada. O carro será um March 375 e o motor será escolhido entre um Toyota, um Ford e um BMW. A BMW tem boas chances, pois criou um motor bastante competitivo para a Formula 3, como já havia feito para a Formula 2 no ano passado.
Mas pode ser qualquer um deles. O Alemão, como é conhecido entre os companheiros, se preocupa é com seus planos e sua disposição de enfrentar o novo desafio. Ele sempre levou a sério qualquer corrida de que participasse. Passou a piloto graduado por intimação da Federação, em sua primeira temporada na Divisão 3, onde começou com um Volkswagen, passando em 1973 para uma Brasília, mas deixando sua marca desde a primeira corrida.
Foi pole-position, ganhou a prova, repetiu o feito em Cascavel, ganhou todas as provas até chegar a Interlagos na final. Essa corrida que encerrava os Campeonatos Brasileiro e Paulista, marcou o coroamento definitivo de Ingo, um estreante na briga contra pilotos veteranos.
Ele largou em último lugar, mas precisava chegar pelo menos em sexto para ser campeão. Chegou em primeiro e ganhou os dois títulos. E no ano passado bisou: foi campeão Paulista e Brasileiro na Divisão 3 Classe A.
Consagrado no Turismo foi na Super Vê que Ingo obteve melhores resultados, apesar de não ser campeão (chegou em terceiro no campeonato). Foi o piloto que ganhou mais baterias, vencendo nove das dezoito disputadas nas seis corridas do calendário. E foi pole-position em todas as provas.
"Na Super Vê eu acabei aprendendo muito. Um carro competitivo, um monoposto ensina muito para quem quiser tentar a Formula 3. suas reações são quase as mesmas, embora os Formula 3 sejam mais rápidos no torque de curva e no final. Com o Super Vê pode-se sentir um comportamento aproximado dos carros da Formula 3".
Claro que Ingo sabe que há mais competitividade nas corridas de Formula 3 na Europa: "Mas ficando aqui, competindo na Super Vê, eu teria no máximo cinco ou seis pilotos para brigar pela ponta. Lá eu serei um principiante, terei que disputar com mais gente e terei também mais chances de evoluir. Não vou para a F3 por vedetismo, mas em busca de aprendizado. Quero chegar à Formula 1 e não tenho tempo determinado para isso. Vou brigar, morar na oficina, observar, aprender. Acredito que o resto virá naturalmente."
A obstinação de Ingo tem entretanto fatos que a justificam: é aplicado, pratica métodos físicos e ioga, faz ginastica antes e depois das corridas, não fuma, não bebe e companha tudo que é feito em seus carros. Seus planos para a formação de equipe na F3 são baseados em: 1- segurança técnica, para garantir a presença em todas as provas. 2 - um bom patrocínio de cerca de 600.000 cruzeiros para ter o respaldo financeiro assegurando o sucesso durante toda a temporada.
Na parte técnica, Ingo tem o assessoramento e o prestígio de Emerson e Wilsinho, ex-pilotos de Formula 3 e profundos conhecedores do automobilismo europeu. São excelentes conselheiros, na opinião do Alemão. O equipamento da competição requer: um March 375 com peças e acessórios, três motores mais as partes componentes e um caminhão para transporte, com equipamentos de oficina, pneus, rodas e outras coisinhas. O pessoal será formado pelo piloto, o chefe de equipe Clive Santos, um mecânico e um auxiliar.
Mas se o equipamento técnico e pessoal é bom, Ingo sabe que a maior parte de tudo isso dependerá de seu preparo. por isso, em sua bagagem estão incluídos os métodos físicos de sua academia e as regras do teste de Cooper. Treinamento que já vem fazendo com Emerson Fittipaldi nas praias do Guarujá, fornecidos por Admildo Chirol.
"Um piloto tem necessidade de estar bem preparado fisicamente, tanto quanto qualquer outro atleta. A concentração total dentro do carro, para mim, só é possível estando bem."
Antes de ter conseguido o patrocínio, de um importante grupo financeiro paulista, Ingo já tinha resolvido ir para a Formula 3 por conta própria, com a ajuda do pai e o dinheiro que arrecadasse na venda de todos os seus carros: o Fusca da Divisão 1, o Brasília Divisão 3, a motocicleta, o carro Alfa Romeo de passeio e o Kaiman de Super Vê. Depois, mesmo com o patrocínio, acabou vendendo todos eles.
"Como felizmente consegui um bom patrocínio, posso guardar o dinheiro de meus carros e minhas economias para outra temporada, se não conseguir renovar o patrocínio. O fato é que não vou parar nessa. Aconteça o que acontecer, eu fico para 76. Sei que terei muita coisa para aprender e fazer. E, sinceramente, não acredito que com apenas uma temporada de Formula 3 eu esteja pronto para subir à Formula 2. Não vou com o pensamento de chegar lá e abafar. Claro que, no fim desse ano, já deverei tentar alguma corrida de Formula 2. Eu tenho certeza de que um ano lá vale por três temporadas aqui."
Hoje, Ingo tem o total apoio de seu pai. Dustin Hoffmann (que não tem nada a ver com o ator de cinema), e de sua mãe, dona Evelyn. Seu pai, aliás, é um de seus maiores incentivadores, sempre de cronômetro na mão e vibrando mais do que ninguém com os tempos de Ingo na temporada de Super Vê. Mas no começo. com medo dos riscos para o filho, era contra sua participação nas corridas de kart, quando o Alemão tinha apenas 17 anos. Também as primeiras corridas no automobilismo, como estreante e novato, foram feitas às escondidas. Mas depois Dustin Hoffmann,vendo que o filho não tinha apenas um entusiasmo passageiro pelas corridas e sim uma grande vocação, aprovou. E foi dos que mais batalharam para que conseguisse o patrocínio.
Ingo é um piloto com facilidade de adaptação a qualquer carro. Tem um físico ideal para a profissão, pois, com seus 1,73 m de altura e 60 quilos de peso, o cockpit do F3 parece sob medida para ele.
Falando perfeitamente o alemão, embora descendente apenas de quinta geração, dia 15 de março embarca para a Europa carregando seu sotaque ítalo-paulista, quando fala o português. mas leva também muita esperança e confiança.
Afinal, Ingo vai credenciado como a maior revelação do automobilismo brasileiro, depois de Emerson Fittipaldi e José Carlos Pace. E pretende fazer exatamente como eles: começando de baixo, de leve para chegar lá.
Mas pode ser qualquer um deles. O Alemão, como é conhecido entre os companheiros, se preocupa é com seus planos e sua disposição de enfrentar o novo desafio. Ele sempre levou a sério qualquer corrida de que participasse. Passou a piloto graduado por intimação da Federação, em sua primeira temporada na Divisão 3, onde começou com um Volkswagen, passando em 1973 para uma Brasília, mas deixando sua marca desde a primeira corrida.
Foi pole-position, ganhou a prova, repetiu o feito em Cascavel, ganhou todas as provas até chegar a Interlagos na final. Essa corrida que encerrava os Campeonatos Brasileiro e Paulista, marcou o coroamento definitivo de Ingo, um estreante na briga contra pilotos veteranos.
Ele largou em último lugar, mas precisava chegar pelo menos em sexto para ser campeão. Chegou em primeiro e ganhou os dois títulos. E no ano passado bisou: foi campeão Paulista e Brasileiro na Divisão 3 Classe A.
Consagrado no Turismo foi na Super Vê que Ingo obteve melhores resultados, apesar de não ser campeão (chegou em terceiro no campeonato). Foi o piloto que ganhou mais baterias, vencendo nove das dezoito disputadas nas seis corridas do calendário. E foi pole-position em todas as provas.
"Na Super Vê eu acabei aprendendo muito. Um carro competitivo, um monoposto ensina muito para quem quiser tentar a Formula 3. suas reações são quase as mesmas, embora os Formula 3 sejam mais rápidos no torque de curva e no final. Com o Super Vê pode-se sentir um comportamento aproximado dos carros da Formula 3".
Claro que Ingo sabe que há mais competitividade nas corridas de Formula 3 na Europa: "Mas ficando aqui, competindo na Super Vê, eu teria no máximo cinco ou seis pilotos para brigar pela ponta. Lá eu serei um principiante, terei que disputar com mais gente e terei também mais chances de evoluir. Não vou para a F3 por vedetismo, mas em busca de aprendizado. Quero chegar à Formula 1 e não tenho tempo determinado para isso. Vou brigar, morar na oficina, observar, aprender. Acredito que o resto virá naturalmente."
A obstinação de Ingo tem entretanto fatos que a justificam: é aplicado, pratica métodos físicos e ioga, faz ginastica antes e depois das corridas, não fuma, não bebe e companha tudo que é feito em seus carros. Seus planos para a formação de equipe na F3 são baseados em: 1- segurança técnica, para garantir a presença em todas as provas. 2 - um bom patrocínio de cerca de 600.000 cruzeiros para ter o respaldo financeiro assegurando o sucesso durante toda a temporada.
Na parte técnica, Ingo tem o assessoramento e o prestígio de Emerson e Wilsinho, ex-pilotos de Formula 3 e profundos conhecedores do automobilismo europeu. São excelentes conselheiros, na opinião do Alemão. O equipamento da competição requer: um March 375 com peças e acessórios, três motores mais as partes componentes e um caminhão para transporte, com equipamentos de oficina, pneus, rodas e outras coisinhas. O pessoal será formado pelo piloto, o chefe de equipe Clive Santos, um mecânico e um auxiliar.
Mas se o equipamento técnico e pessoal é bom, Ingo sabe que a maior parte de tudo isso dependerá de seu preparo. por isso, em sua bagagem estão incluídos os métodos físicos de sua academia e as regras do teste de Cooper. Treinamento que já vem fazendo com Emerson Fittipaldi nas praias do Guarujá, fornecidos por Admildo Chirol.
"Um piloto tem necessidade de estar bem preparado fisicamente, tanto quanto qualquer outro atleta. A concentração total dentro do carro, para mim, só é possível estando bem."
Antes de ter conseguido o patrocínio, de um importante grupo financeiro paulista, Ingo já tinha resolvido ir para a Formula 3 por conta própria, com a ajuda do pai e o dinheiro que arrecadasse na venda de todos os seus carros: o Fusca da Divisão 1, o Brasília Divisão 3, a motocicleta, o carro Alfa Romeo de passeio e o Kaiman de Super Vê. Depois, mesmo com o patrocínio, acabou vendendo todos eles.
"Como felizmente consegui um bom patrocínio, posso guardar o dinheiro de meus carros e minhas economias para outra temporada, se não conseguir renovar o patrocínio. O fato é que não vou parar nessa. Aconteça o que acontecer, eu fico para 76. Sei que terei muita coisa para aprender e fazer. E, sinceramente, não acredito que com apenas uma temporada de Formula 3 eu esteja pronto para subir à Formula 2. Não vou com o pensamento de chegar lá e abafar. Claro que, no fim desse ano, já deverei tentar alguma corrida de Formula 2. Eu tenho certeza de que um ano lá vale por três temporadas aqui."
Hoje, Ingo tem o total apoio de seu pai. Dustin Hoffmann (que não tem nada a ver com o ator de cinema), e de sua mãe, dona Evelyn. Seu pai, aliás, é um de seus maiores incentivadores, sempre de cronômetro na mão e vibrando mais do que ninguém com os tempos de Ingo na temporada de Super Vê. Mas no começo. com medo dos riscos para o filho, era contra sua participação nas corridas de kart, quando o Alemão tinha apenas 17 anos. Também as primeiras corridas no automobilismo, como estreante e novato, foram feitas às escondidas. Mas depois Dustin Hoffmann,vendo que o filho não tinha apenas um entusiasmo passageiro pelas corridas e sim uma grande vocação, aprovou. E foi dos que mais batalharam para que conseguisse o patrocínio.
Ingo é um piloto com facilidade de adaptação a qualquer carro. Tem um físico ideal para a profissão, pois, com seus 1,73 m de altura e 60 quilos de peso, o cockpit do F3 parece sob medida para ele.
Falando perfeitamente o alemão, embora descendente apenas de quinta geração, dia 15 de março embarca para a Europa carregando seu sotaque ítalo-paulista, quando fala o português. mas leva também muita esperança e confiança.
Afinal, Ingo vai credenciado como a maior revelação do automobilismo brasileiro, depois de Emerson Fittipaldi e José Carlos Pace. E pretende fazer exatamente como eles: começando de baixo, de leve para chegar lá.
quinta-feira, 10 de novembro de 2016
PRIMEIRO GRANDE PRÊMIO
Ingo Hoffmann estréia em Interlagos
1976 - Ingo Hoffmann teve um comportamento certo na sua estréia na Fórmula 1 no Grande Prêmio Brasil de 76, com um carro pouco competitivo fez uma prova cautelosa para chegar ao fim, ao volante do velho FD/03 de Wilsinho Fittipaldi, largou na 20ª posição e terminou a prova na 11ª posição, na frente de seu chefe. Seria seu único Grande Prêmio do ano.
sábado, 19 de março de 2016
O MAIS RÁPIDO
Ingo Hoffmann perdeu o título na última prova
1974 - Apesar de não ter ganho o título, Ingo Hoffmann foi o melhor piloto do campeonato. Nas seis provas, ele obteve todas as pole-position, sendo cinco vezes o piloto mais rápido da classificação, e uma vez, o de maior sorte.
Foi em Cascavel, onde o pelotão de largada foi definido por sorteio, em consequências dos vários erros da cronometragem. Entre os quinze concorrentes Ingo foi sorteado para largar na primeira posição, o que provocou várias brincadeiras dos outros pilotos. Só que dessa vez, Ingo não ganhou o prêmio de 2.500 cruzeiros, dividido entre todos os participantes.
Ingo correu com um Magnum-Kaimann da Equipe Creditum, o carro mais acertado, pelo fato de o piloto ter feito muitas modificações no carro durante uma longa fase de testes comandados por Wilsinho Fittipaldi. Esse carro foi o mais rápido em todas as pistas onde se disputou o campeonato, e o trabalho dos mecânicos da equipe foi excelente.
Em Porto Alegre, por exemplo, Ingo bateu durante o treino de sexta-feira, e o carro ficou tão danificado que ninguém esperava que fosse possível a participação do piloto nessa prova, que foi a quarta do campeonato. Entretanto, um dos mecânicos viajou para São Paulo para buscar algumas peças, e Ingo ainda ganhou a corrida.
Na prova seguinte, em Cascavel, Ingo sofreu um perigoso acidente nos treinos, capotando várias vezes, mas o carro foi recuperado, e o seu rendimento não sofreu qualquer prejuízo, apesar da quebra do motor na corrida.
sábado, 13 de fevereiro de 2016
sexta-feira, 4 de setembro de 2015
LE CASTELLET
1976 - Le Castellet, France. Two time driver champion Emerson Fittipaldi of Brazil talk racing with his countrymen and teammate Ingo Hoffmann during first qualifying session for sunday's French Grand Prix. Fittipaldi Brazilian Copersucar was tenth in friday time trial.
segunda-feira, 29 de setembro de 2014
INGO HOFFMANN
Hockenheim
1976 - Hockenheim, April 11. VIII Jim Clark Gedächtnisrennen, European Championship Formula Two - Alberto Colombo (43), Michel Leclère (6), Ingo Hoffmann (22), Ronnie Peterson (28), Klaus Ludwig (23)
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