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quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

GESTIONE FORGHIERI












segunda-feira, 17 de setembro de 2018

MAURO FORGHIERI






1980 - A cena tornou-se comum para os mecânicos da Ferrari, a mais prestigiosa equipe italiana e uma das mais tradicionais do cenário automobilístico de competição :

"Os mecânicos correm para o carro de Jody Scheckter que entra no boxe com os pneus esfumaçando...

Mauro Forghieri, chefe de equipe, aproxima-se de Jody com um ar resignado e liga os fones de ouvido.

Depois de ouvir por alguns instantes, faz um gesto largo com as mãos, como que indicando impotência, e diz alguma coisa ao mecânico chefe.

Em seguida consulta a folha de tempos, buscando alguma boa notícia de seu segundo piloto, o impetuoso canadense Gilles Villeneuve

De Scheckter, Forghieri parece não esperar mais nada. "




Depois, num canto do boxe, entre sério e brincalhão, é assediado pelos repórteres, principalmente os italianos. E se dispõe, paciente, a falar da crise da Ferrari.

" Ah, a crise?... diz rindo.

A Ferrari está sempre em crise ..."

_ Mas, e os últimos resultados ?

Bem, são péssimos, como todos podem ver.

Mas na Fórmula 1 é sempre assim: há erros e acertos, lembra Forghieri.

_ Mas todo mundo anda acertando, com os carros de efeito solo e elevada pressão aerodinâmica ...

Nossa aerodinâmica está chegando num ponto a partir do qual vamos ter que introduzir mudanças radicais. Mas antes era preciso esperar uma definição dos regulamentos. Além do mais estamos construindo um carro novo com motor turbo.

_ E quando estréia o carro novo ?

Ainda não dá para dizer com certeza. O Gilles já andou nele, e os resultados são satisfatórios. Mas há uma grande expectativa, e não queremos lançar o turbo prematuramente.

_ Quais são os maiores problemas ? Aerodinâmica ou motor ?

O motor turbo ainda é problemático, tem problemas de resistência, como podemos ver no Renault, mas esse não deve ser um grande obstáculo depois dos teste.

_ Então vocês estão apostando tudo no turbo e deixando de lado o T5 ?

Claro que não. Simplesmente estamos tendo problemas grandes com o T5, principalmente de pneus. Com isso não quero dizer que a Michelin seja a única responsável, mas ficou claro que eles perderam terreno para a GoodYear. E quando você tem problemas de pneu já fica muito mais difícil aperfeiçoar o carro em outros aspectos.

_ E os pilotos ? Fala-se que o Scheckter não estaria bem com a equipe ...

O Scheckter é um bom piloto. Com um carro problemático ninguém pode fazer milagre.

_ Mas vocês vão renovar o contrato ?

Os contratos da Ferrari são feitos numa base anual.
No fim da temporada, se a equipe ou o piloto não estiverem satisfeitos, é só não renovar.

_ Vocês estariam considerando o Alain Prost para substituir Jody Scheckter ?

Se ele realmente resolver abandonar o automobilismo, como anunciou, temos uma lista de 22 pilotos para ser consultada. É claro, que Prost está entre eles. É um bom piloto, muito combativo.

_ Vocês não consideram nenhum piloto italiano ?

Neste instante entrou no box o carro de Villeneuve para trocar pneus, e Forghieri corre para falar com o piloto.

A pergunta que ficara no ar é respondida por um jornalista italiano :

_  Piloto italiano ? Quem ?

Só vejo o Patrese, mas se você consultar o Livro do Ano da Ferrari verá que ele não mereceu uma boa cotação, foi considerado "meio imprevisível".

O grupo de italianos sai do box da Ferrari discutindo...

Para eles a crise é mais uma das muitas porque já passou a equipe e, dada a rapidez das mudanças na Fórmula 1, por causa do aperfeiçoamento tecnológico, eles não parecem muito preocupados.

O carro de Villeneuve sai do boxe com pneus novos...

Forghieri disfarça sua tristeza e brinca :

A nova máquina do Fittipaldi parece estupenda...

E sorri ...












sábado, 29 de março de 2014

MAURO FORGHIERI TALKS ABOUT GILLES

"I told him so many times that he was driving beyond the limits of the car"

On Forghieri's bookcase there's a steering wheel used by Gilles Villeneuve, and the paperweight on his desk is a small bronze sculpture of his helmet.


Gilles. Where do we begin...?

He was a special case. I told him so many times that he was driving beyond the limits of the car; there are so many stories that are easy to tell but hard to appreciate.

Gilles became great friends with Jody Scheckter when Jody joined us for 1979, but you couldn't have found two people who were more different.

Jody was always on time or normally early for testing. 

Gilles was always arriving at the last minute and you knew when he had got there because he used to pitch up and do donuts with his Ferrari road car. And of course we had to change the tyres on it every time before he left. It got to the point where the Commendatore said to me :

"Tell him that if he keeps on doing that, we won't change the tyres for him any more..."

I think the next time he arrived at Fiorano it was in his helicopter, in fog so thick you couldn't see in front of you. Young Jacques was with him, too. I said to him: "Gilles, are you completely mad? And he was his usual: "Mais, il n'y a pas de probleme...".

Anyway I told him that we wouldn't be testing because it was too foggy. So he just jumped into the helicopter and left again for the mountains. 

That was Gilles.

How much did Gilles appreciate the technical intricacies of his car?

He wasn't a great test driver. Jody was better and even Jody wasn't one of best test drivers in the world, but he was very positive and disciplined. 

Above all, Gilles was an innocent and that's why the Imola incident with Pironi in 1982 hit him so hard : he would never have believed that a friend and team-mate could betray him.

Villeneuve never spoke to Pironi again after the 1982 San Marino Grand Prix, which he believed he was destined to win from the Frenchman after Ferrari held out a "slow" sign, indicating that their drivers should hold station in one-two formation, which Forghieri confirms was indeed the intention. Pironi saw it differently and passed Villeneuve to win: think 'Multi 21", but 32 years ago. Two weeks later, Villeneuve died in Belgium.