Mostrando postagens com marcador Chico Serra. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Chico Serra. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 7 de maio de 2020

MALHAÇÃO :




















quarta-feira, 27 de novembro de 2019

SÃO SILVESTRE























terça-feira, 14 de maio de 2019

terça-feira, 19 de março de 2019

1979 - FORMULA 3















sábado, 15 de dezembro de 2018

TOWNSEND THORENSEN



1977 - Em sua melhor atuação desde que começou a participar do Torneio Townsend Thorensen de Formula Ford (carros equipados com motores Cortina), Francisco Serra não venceu.

Na prova disputada no dia 11 de abril em Mallory Park, Serra, da Equipe Rastro/Sadia, chegou em quinto lugar, e passou a ser o terceiro no torneio.

Serra largou na primeira fila, mas logo na primeira volta levou uma batida na traseira de seu Van Diemen, ficando parado no meio da pista em sentido contrário. Teve que esperar que todos os concorrentes passassem para manobrar, voltando à competição em 21º lugar.

Depois, chegou a pensar em desistir, pois o carro estava muito difícil de controlar por causa de uma avaria sofrida na suspensão traseira. Mas, como na Fórmula Ford os acidentes são rotineiros, duas voltas depois ele já estava em 18º lugar, aproveitando uma múltipla colisão. Assim, resolveu prosseguir na competição.

Forçando bastante o ritmo de seu carro, que estava equipado com um ótimo motor, Serra foi subindo de posição a cada volta, aproveitando também das desistências por batidas.

Entrou na última volta na sétima colocação e conseguiu superar dois adversários na reta de chegada, recebendo a bandeirada como quinto classificado.

O vencedor da prova foi o belga Ives Sarazin, com um Royale, seguido por Mike Blanchett, com uma Lola, David Leslie com Royale, John Village, Royale; Francisco Serra, Van Diemen; e Don McLeod, também com Van Diemen.

Na semana seguinte, em Snetterton, na sexta prova válida pelo Torneio Townsend Thorensen, Serra voltou a correr bem, chegando ao final em terceiro lugar, logo atrás do vencedor Trevor Van Rooyen com um Royal Minister e de Mike Blanchett com Lola.

Ele obteve a pole position, mas foi ultrapassado na largada pelos Royale de Yves Sarazin e Trevor Van Rooyen, ficando em quarto lugar Mike Blanchett com Lola T440. Logo depois Sarazin abandonou a corrida por causa de um acidente e Serra passou para o segundo lugar, brigando com Trevor pela primeira posição durante as 13 voltas iniciais.

Na última volta, Blanchett conseguiu surpreender Serra ao ultrapassá-lo de forma sensacional, garantindo o segundo lugar, enquanto o brasileiro cruzou em terceiro, bem distanciado do quarto colocado, Nigel Mansell, com um Javelin, que largou em 14º lugar e fez uma excelente corrida.

No final da corrida houve muitos protestos, principalmente contra os motores Minister, que equiparam os carros dos dois primeiros colocados. Michael Roe, não conformado com o rendimento desses motores, acabou pedindo que eles fossem abertos. Mas nada foi comprovado, e pouco depois da vistoria o resultado oficial foi divulgado.












terça-feira, 8 de março de 2016

O AFONSO TEM RAZÃO

 Ralph Firman, o patrão, está entusiasmado com Chico Serra


1977 - Foi Afonso Giaffone quem chegou perto daquele menino de 14 anos e disse: "Leve esse negócio a sério. Você tem jeito".

Chico Serra levou o negócio a sério. Cansou de ser campeão com o kart e, ao passar para os carros, foi vice na Fórmula Vê. Quando estava em dúvida entre a Super Vê e o automobilismo europeu, foi mais uma vez a conselho de Giaffone que Chico Serra decidiu-se pela Fórmula Ford inglesa. "O Afonso me convenceu. É gozado, no fim das contas, ele sempre tem razão".

Chico chegou como segundo piloto, vaga conquistada nem tanto por méritos próprios e muito mais pelo rico dinheiro dos patrocinadores. À sua frente, 12 anos mais velho, o veterano Donald MacCleod, bicampeão da Fórmula Ford e contratado especialmente para ser tri na Van Diemen. Hoje, Ralph Firman está confuso, sem saber como se dividir entre os dois pilotos e sem entender direito como aquele estreante de 20 anos está derrubando os recordes de seu primeiro piloto para liderar o Townsend Trophy.

Era lógico que surgisse a rivalidade. MacCleod começou a reclamar mais atenção da equipe, a argumentar que o motor falhava, e isso e aquilo. E, por picuinha, até chamava o já popular Tchico pelo desconhecido segundo nome, "Adolfo". Ralph Firman, tentando verificar se realmente havia algum problema no carro de MacCleod, pediu a Chico Serra que o testasse, no circuito de Snetterton. O brasileiro deu várias voltas virando até meio segundo mais rápido do que o tempo habitual do primeiro piloto.

 O mecânico Dennis Rusmen é o maior fã de Chico

Chico firmou-se ainda mais no conceito do patrão, para alegria de seu maior amigo e fã, Dennis Rusmen, o mecânico de seu carro, que não deixa por menos: "Tchico" vai ser campeão na Fórmula Ford, na Fórmula 3 e na Fórmula 2, e eu vou estar com ele quando chegar à Fórmula 1. Sua dedicação ao piloto brasileiro é total. Prepara o carro com o maior carinho, guarda as coroas de louros das vitórias, aplica-se no aprendizado do português e ensina Chico Serra a falar o inglês. 

Aos poucos Chico vai analisando e surpreendendo-se com a categoria que disputa. Normalmente são mais de 100 inscritos, obrigando à realização de provas classificatórias e baterias semifinais antes da corrida para valer. E é uma disputa muito dura, até suja, ao contrário do que acontece no Brasil. Nas pistas brasileiras a briga maior é travada nos boxes, com os xingamentos depois das corridas; na Inglaterra, todos são civilizadamente educados depois e uns tremendos bandidos durante a corrida.

Já na estréia, em Brands Hatch, Chico pôde perceber essa diferença. Emocionado com a surpreendente pole position, foi junto com Mike Blanch para a primeira freada e bateram. O inglês saiu da pista e lá ficou, enquanto Chico continuava para recuperar algumas posições e ainda chegar em quinto. No final, ainda despindo o macacão, sentiu a aproximação de Blanch e se preparou para a discussão: "Pensei: é agora. O homem, além de veterano, é inglês; eu, estreante e brasileiro. Ficou agradavelmente surpreendido com o aperto de mão e o elogio: "Foi uma boa corrida, garoto".



Há, porém, o outro lado do sucesso: a inveja. Se para a imprensa inglesa ele já é um piloto consagrado na categoria e com grande potencial para o futuro, há quem diga que Chico teve a sorte de pegar um carro excelente e que este é um dos anos menos competitivos da Formula Ford britânica. O mais triste, para o rapaz, é que tais comentários partem de colegas brasileiros de menos sucesso em outras categorias.

Da pole-position em Brands Hatch saiu para mais 12, nas 15 corridas disputadas até agora, conseguiu 10 voltas mais rápidas, cinco vitórias, três segundos, somando 209 pontos na contagem geral, feita ao estilo Can-Am, com 20,15,12,10,8,6,4,3,2 e 1 ponto para os 10 primeiros.

Também não muda seu temperamento. Esquece a discriminação, orgulha-se comedidamente das façanhas e diverte-se em preocupar sua mãe, Baby Jordão, que a cada final de corrida telefona de São Paulo para saber o resultado. "Bati.....", reponde Chico, deixando um momento de suspense no ar antes de completar a frase: "....o recorde da pista".





quarta-feira, 23 de setembro de 2015

FORMULA 3


Nelson Piquet está participando pela segunda vez de uma temporada na Fórmula 3. No ano passado foi terceiro no Campeonato Europeu. Piquet tem uma equipe independente. Comprou dois carros RALT RT1 equipados também com  motor Toyota Novamotor, e tem como mecânicos dois brasileiros. É patrocinado pela Brastemp, Arno e Hobby.

"Meu problema principal até agora foi o tempo. Tempo para treinar, para afinar o carro e para me organizar. Chegamos tarde à Inglaterra por problemas de patrocínio. Recebemos da RALT um carro desmontado, que só ficou pronto na véspera da corrida. E até agora ainda estamos operando com um caminhão alugado. Com essa correria ainda não arranjei nenhum lugar para morar.

Mas minha equipe é ideal: os dois mecânicos são brasileiros, e eu prefiro assim pois tenho mais confiança neles. Temos um inglês que nos auxilia na produção e um pouco na mecânica, mas somos nós três, eu e os dois mecânicos, que determinamos tudo.

O carro é bom, mas tem problemas de motor. O motor que peguei não é dos melhores e estou esperando o segundo carro para breve. Os resultados que obtive até aqui não representam quase nada. É claro que vencer em Silverstone foi bom. Mas nas corridas anteriores, se tivesse o pessoal bom que está aparecendo ou se fosse uma prova do Campeonato Europeu do ano passado, eu seria oitavo ou décimo classificado. Mas daqui para frente espero melhorar sempre, com mais tempo para acertar tudo."




Chico Serra, que é patrocinado pela Sadia e Canovas, faz parte da equipe PROJECT FOUR, de Ron Dennis, e é o único piloto da Fórmula 3 dessa equipe, que tem ainda Ingo Hoffmann e Eddie Cheever na Fórmula 2. O carro utilizado por Chico Serra é um MARCH 783, com motor Toyota preparado pela Novamotor.

"Não estou satisfeito. Este ano cheguei preparado para tentar resolver logo os problemas que tive na temporada passada, e consegui alguma coisa, mas ainda falta muito. Tenho um bom patrocínio e pelo que vi o Ron Dennis é um ótimo chefe de equipe. Este ano também estou atento para os problemas de entrosamento que tive com minha equipe de Fórmula Ford e que dificultaram as coisas no começo da temporada. Mas o carro ainda não está bem acertado. Na primeira corrida tive problemas com os pneus, e na de Silverstone o motor não estava bom. É possível que isso seja normal em começo de temporada, mas com a equipe organizada que tenho esperava mais. Os resultados que obtive até agora, apesar de serem bons, nem sempre refletem tudo o que realmente aconteceu.

São muito relativos, e só com o desenrolar do campeonato é que vamos avaliar melhor. Na primeira corrida em Silverstone considerei meu resultado justo. O Warwick estava melhor, com o carro mais afinado, e mereceu chegar na minha frente. Em Thruxton fui prejudicado com uma batida na traseira e fiquei sem saber se poderia ter ganho. Finalmente, na terceira prova, eu não mereci o lugar que tirei. Se não fosse a chuva eu provavelmente chegaria em quinto ou sexto porque meu motor estava ruim na reta. Mas acho que dá para melhorar".

Em apenas três provas disputadas, os brasileiros Chico Serra e Nelson Piquet já são apontados pela crítica inglesa como os maiores favoritos aos títulos dos campeonatos ingleses VANDERVELL Products e British Petroleum BP. Nelson Piquet já lidera um dos campeonatos e Chico Serra está em segundo nos dois.


quarta-feira, 28 de setembro de 2011



Chico Serra, Ingo Hoffmann e Paulo Gomes

sábado, 4 de junho de 2011

Entrevista Chico Serra

A Melhor Opção

1980 - Este ano, apesar de só chegar à Inglaterra em março, já encontrei a "casa arrumada". Provando mais uma vez a eficiência de minha equipe, a Project Four Racing, quando entrei nas oficinas, já encontrei os meus dois carros, titular e reserva, montados e com motor.

Por estas e outras, é que resolvi continuar com o Ron Dennis e seu pessoal. Além de perfeccionista, o Ron não perde tempo, pois ele sabe que seu negócio só caminha bem quando seus pilotos obtêm resultados. E para que surjam estes resultados, existe um cronograma cumprido à risca.

Como a única pista disponível para treinos era Goodwood, foi lá que eu e meu parceiro de equipe, nesta temporada de Formula 2, o Andrea de Cesaris, realizamos três treinos livres de ajuste e ambientação com o equipamento. Mesmo sem qualquer preocupação com as marcas, fiquei muito animado. Logo no primeiro dia de treino eu e o De Cesaris viramos tempos iguais, e é bom lembrar que o italiano já correu na categoria e iniciou os treinos este ano antes de mim.

Escolhemos os March 802, porque em toda a temporada que o Robin Herd encontra um adversário difícil, aparece na seguinte com um chassi praticamente imbatível. Afinal, no ano passado, apesar de campeões como Marc Surer, o pessoal da March teve no Brian Henton e no seu chassi, o Ralt, uma dupla que só entregou o título na última etapa. Assim mesmo, protestaram contra uma desclassificação em Enna, que se fosse aceito, teria lhe garantido o campeonato.

Agora, a temporada promete ser ainda mais competitiva. Todo muito está treinando e batendo recordes consecutivos. Na minha opinião, a briga vai se definir entre os March, os Osella, os Ralt e os novos Toleman. Este último vai estrear com um patrocínio grande - British Petroleum - e em um equipe que conta com a experiência do Brian Henton e a garra do Derek Warwick.

Com muitos pilotos repetindo temporada e cheios de experiência, além da violenta disputa entre as marcas, acredito que um dos pontos a favor da minha equipe seja referente aos motores. O Ron Dennis, muito influente, conseguiu que somente nós e a equipe oficial da March, recebessemos os motores BMW preparados dentro da própria fábrica. É pelo mesmo uma garantia de grande velocidade e, principalmente, muita robustez.

Bem, o que realmente interessa é que estou consciente de que esta vai ser a mais díficil e também a mais decisiva temporada da minha carreira. Se eu resolver dar uma de pessimista, o melhor é voltar para casa. Fora os circuitos britânicos, eu não conheço nenhuma das pistas onde o campeonato será disputado. O aspecto experiência, que já comentei, também pesa muito. Basta tomar o Derek Warwick com exemplo.

Quando ele disputou a Formula 3, em 1978, minha briga era quase exclusivamente com o Nelson Piquet e nós o considerávamos carta fora do baralho. Agora mudou de figura. Além de uma equipe sensacional, ele vai alinhar com uma temporada inteira de aprendizado na Fórmula 2, porque, em 1979, disputou todas as provas da categoria. Assim, muitas coisas que ele já conhece por ter experimentado, vou sentir pela primeira vez.

Mas, sinceramente, este tipo de coisa não me preocupa. ou a gente confia no próprio braço e habilidade ou pára de pensar no automobilismo como carreira. A verdade é que a cada dia surge um novo desafio e devemos estar preparados e dispostos a enfrentá-lo.

Muita gente, tanto aqui na Inglaterra, quanto no Brasil, não consegue entender por que eu não passei direto para a Fórmula 1, como, por exemplo, o Piquet e o Alain Prost. Quero deixar claro o meu raciocínio. Vou disputar a Fórmula 2 porque acho que será a temporada mais competitiva dos últimos anos e, em termos de aprendizado, vai significar muito para minha carreira.

Eu só admitiria queimar esta etapa, se fosse para integrar uma equipe grande da Fórmula 1. Quando eu digo grande, significa um esquema bem estruturado e experiente. Atualmente, uma equipe grande tem condições de construir um carro vencedor de uma hora para outra. Basta ver a Williams que, com o modelo FW-07, saiu do pelotão intermediário para as posições da frente e vai brigar pelo campeonato deste ano.

Para 1980, houve pouca renovação. Só entraram realmente a sério, o Ricardo Zunino e o Alain Prost. O Prost brigou muito por um lugar na Ligier, mas acabou presenteado pela McLaren. Ele foi campeão europeu de Fórmula 3, em 1979, e agora está mostrando o que realmente vale. Já o Zunino, é um caso à parte. Acho que ele é ainda muito fraco e, só sentou na Brabham, pagando 1,5 milhões de dolares. Neste esquema, não tenho a menor chance.

Como é de praxe convidarem os campeões da Fórmula 3, a próxima vaga, na certa, seria minha. Como esta vaga não apareceu, vou disputar, sem qualquer mágoa a Formula 2.

A bem verdade, recebi dois convites. O primeiro foi da Shadow, mas não aceitei, baseado no meu ponto de vista de equipe grande. O segundo foi da Fittipaldi e eu aceitei. Afinal, todo mundo pode ver, eles estão com um esquema forte e, não bastasse isto, uma temporada ao lado de Emerson vale muito. Tem gente dizendo que ele está velho e tal e coisa, mas a verdade é que sabe muito mais que todos os atuais pilotos da categoria.

Quando me convidaram, aceitei na hora, tratamos dos contratos e de todos os outros esquemas, mas, no final, preferiram voltar atrás. Alegaram que a vaga deveria ser preenchida por um piloto mais experiente e de resultados imediatos. Acho compreensível e, mesmo que tenham agido assim por qualquer tipo de pressão, as performances do Keke Rosberg mostram claramente que estavam certos.

Havia ainda uma opção: disputar a Formula Aurora com um Fittipaldi F-07, mas não cheguei nem a levar em conta. Seria, sem dúvida, uma aventura, em um momento decisivo.

*